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14/07/2026

QUEDA DO QI, EMPOBRECIMENTO DA LINGUAGEM E RUÍNA DO PENSAMENTO


O desaparecimento progressivo dos tempos (subjuntivo, pretérito simples, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado) dá lugar a um pensamento no presente, limitado ao instante, incapaz de projeções no tempo. 

A generalização do tratamento informal (tu), o desaparecimento das maiúsculas e da pontuação são tantos golpes mortais desferidos contra a sutileza da expressão. 

Menos palavras e menos verbos conjugados significa menos capacidade de expressar as emoções e menos possibilidade de elaborar um pensamento.

Estudos mostraram que uma parte da violência na esfera pública e privada provém diretamente da incapacidade de colocar palavras nas emoções.

Sem palavras para construir um raciocínio, o pensamento complexo tão caro a Edgar Morin é travado, tornado impossível. 

Quanto mais pobre o linguagem, menos o pensamento existe.

A história é rica em exemplos e os escritos são numerosos, de George Orwell em "1984" a Ray Bradbury em "Fahrenheit 451", que relataram como as ditaduras de todas as obediências entravavam o pensamento ao reduzir e torcer o número e o sentido das palavras. 

Não há pensamento crítico sem pensamento. E não há pensamento sem palavras. 

Como construir um pensamento hipotético-dedutivo sem domínio do condicional? Como especular o futuro sem conjugação no futuro? 

Como apreender uma temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo, quer sejam passados ou vindouros, assim como sua duração relativa, sem uma língua que faz a diferença entre o que poderia ter sido, o que foi, o que é, o que poderia advir, e o que será depois que o que poderia advir tenha advindo? 

Um grito necessário hoje, seria este, dirigido aos pais e aos professores: façam falar, ler e escrever seus filhos, seus alunos, seus estudantes.

Ensinem e pratiquem a língua em suas formas mais variadas, mesmo que ela pareça complicada, especialmente se ela for complicada. Porque nesse esforço reside a liberdade. 

Aqueles que explicam o tempo todo que é preciso simplificar a ortografia, purgar a língua de seus "defeitos", abolir os gêneros, os tempos, as nuances, tudo o que cria complexidade são os coveiros do espírito humano. 

Não há liberdade sem exigências. Não há beleza sem o pensamento da beleza.

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Autor do texto - de 2021 - é o professor francês Christophe Clavé

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