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20/06/2026

SUPER TERREMOTO/FALHA DE SAN ANDREAS

 Uma equipe de geólogos afirma que um dos piores terremotos da história está prestes a acontecer - Brasil 247 - Tendencias.

DEMÊNCIA (DRAUZIO VARELLA/FSP)

 Drauzio Varella

De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências.Não estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude.
Joana foi presa por maus-tratos, tentando lidar com o quadro da mãe.
Sei que as aparências enganam, mas Joana não tinha cara de bandida.

No Brasil, a faixa etária que mais cresce é a dos que estão acima dos 65 anos. Em números arredondados: em 2010 eram 20 milhões, contingente que aumentou para 22 milhões, no Censo de 2022.
Os demógrafos definem o índice de envelhecimento dividindo o número de habitantes com mais de 65 anos pelo de crianças entre zero e 14 anos. Em 2010, o índice era de 30%, ou seja, 30 pessoas com mais de 65 anos para cada cem crianças. Em 2022, esse índice subiu para 55%.

Graças à redução da fecundidade e dos nascimentos, a pirâmide etária no Brasil começou a mudar de formato a partir dos anos 1990. A base foi se alargando com o passar dos anos, como aconteceu nos países mais ricos. A diferença é que neles as mudanças ocorreram em mais de 60 anos; aqui, em metade desse tempo.

O envelhecimento dos brasileiros é visível nas ruas e no ambiente familiar. Em meados do século 19, Machado de Assis descreveu "um velho gaiteiro de 50 anos", num de seus contos. Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dizemos que morreu moço.

O envelhecimento interfere com a organização da sociedade. A Previdência Social terá condições de pagar aposentadorias mensais até os 90 anos, enquanto o número dos que chegam ao mercado de trabalho não para de diminuir? As empresas continuarão a considerar velhos e demitir funcionários de 50 ou 60 anos?

Na área da saúde, as consequências poderão ser trágicas. Os brasileiros envelhecem mal: quando chegam aos 60 anos, mais da metade sofre de hipertensão arterial; o número de pessoas com diabetes deve andar perto dos 20 milhões; os índices de obesidade, com seu cortejo de complicações, aumentam a cada pesquisa do Vigitel —o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico.

Nessa faixa etária é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados.

Hoje, cerca de 80% dos atendimentos no SUS são de problemas crônicos que requerem controle pelo resto da vida. Doenças cardiovasculares e câncer são as principais causas de óbito. Criado no fim dos anos 1980, o sistema único não foi pensado para lidar com essa realidade.

Estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude? Claro que não. Se o Japão, a Suécia e a Finlândia não estão, nós, neste país continental com tantas diferenças regionais, baixo nível educacional e distribuição de renda imoral, é que estaríamos?

De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências, tragédia que cai nos ombros dos familiares, sem que o SUS esteja preparado para ajudá-los. Uma pessoa incapaz de se vestir, tomar banho, comer sozinha ou entender o que se passa ao redor exige cuidados dia e noite, geralmente a cargo de uma mulher da família, obrigada a interromper a carreira e a vida pessoal por anos consecutivos.

Joana foi a última paciente que atendi naquele dia, na Penitenciária Feminina de São Paulo. Veio, quando as demais já tinham voltado para as celas, acompanhada pela chefe de disciplina, procedimento de rotina no caso das prisioneiras recolhidas na ala do seguro, por correr risco de morte nas mãos das companheiras.

Ela vivia com a mãe, para lá de Guaianases, no extremo da zona leste. Como tantas outras, saía para o trabalho às 5h e só retornava às 20h.

O avanço do quadro demencial fazia com que a mãe se perdesse ao ir para a rua, situação que acrescentou mais uma tarefa à rotina da filha: procurá-la pela vizinhança.

Quase sempre a encontrava na casa de uma vizinha que a havia recolhido, mas, às vezes, eram horas perambulando por ruelas escuras ou sentada num banco da delegacia, aguardando a vez para prestar queixa.

Tendo que trabalhar para o sustento das duas, Joana comprou uma corda comprida. Antes de sair de casa, amarrava uma extremidade no pé da mesa e a outra na perna da mãe, que podia se movimentar até o quintalzinho, mas sem sair para a rua. Depois de preparar o jantar e o almoço do dia seguinte, Joana levava a mãe para andar a pé pelo quarteirão ou à igreja, nas noites de culto.

Um dia, um vizinho deu parte na delegacia. Joana foi presa por maus-tratos. Na cadeia, mulheres que maltratam mãe, pai ou criança não são aceitas no convívio com as demais, razão pela qual estava confinada na ala do seguro. Como lamentou resignada: "Vim parar na cadeia da cadeia".

folha de são paulo


FORMIGUEIROS COMUNISTAS (MARCO VIEIRA)

OS ÚNICOS COMUNISTAS 

É impressionante, mas ainda tem gente demonstrando medo do comunismo em pleno século 21. O grau de ignorância destas pessoas é tão grande, que elas não possuem noção do ridículo. Têm gente que adora xingar de “comunistas” as pessoas que pensam diferente delas. É claro que estas pessoas que fazem isso, não sabem absolutamente nada sobre comunismo. Ignoram completamente, e costumam confundir “socialismo” com “comunismo”, como se fossem a mesma coisa. Não confunda “cachalote” com “chocolate”. Já notaram que só quem fala em comunismo no mundo atualmente, é o pessoal da extrema-direita no Brasil? Ninguém mais fala sobre isso.

O comunismo nunca existiu na prática, o que sempre existiu foi o socialismo. O comunismo seria o sucedâneo do socialismo. Os países socialistas possuem o partido comunista, porque este era o objetivo. Mas um dia, estes países socialistas, perceberam que era impossível atingir o comunismo, e desistiram. Acabaram abrindo para o capital. Dos 59 países socialistas que haviam até a década de 80, só sobraram dois; Cuba e Coreia do Norte. Cadê o “perigo”? O mundo, no século 21, já está em outra, e algumas pessoas ainda estão presas no século 20. Abra sua cabeça, pegue um livro para ler.

Tanto no socialismo, como também seria no comunismo, não existe empresa privada, todas as empresas são do governo. Portanto, se um país tem empresa privada, tem milionários, então não pode ser socialista e nem comunista, é capitalista mesmo. Mas há uma outra particularidade, se o comunismo existisse na prática, não teria presidente, por uma razão muito óbvia, no comunismo não existe governo. Tudo seria decidido em assembleia. Se fosse implantado, funcionaria com autogestão. E eu pergunto; você conhece algum país no mundo sem governo? Nunca existiu.

Estas pessoas foram apavoradas quando crianças, e cresceram assim. Esqueceram que um dia o Muro de Berlim caiu, e todos aqueles países que eram socialistas, abriram para o capital. O mundo está noutra hoje. Estas pessoas que xingam as outras de comunistas, nunca pegaram um livro para ler sobre o assunto. Viraram fantoches nas mãos de espertalhões, e repetem xingamentos como se fossem robôs. Não usam o cérebro para raciocinar.

Se você quer encontrar comunistas, faça o seguinte; vá até um formigueiro, que lá você vai encontrar. Sabe por quê? A sociedade das formigas é o que mais se assemelha ao que um dia foi chamado de comunismo. Vejam o seguinte; as formigas não possuem um chefe (sem governo), elas trabalham por iniciativa própria. O trabalho delas é em beneficio de toda a comunidade, e ninguém tem mais que ninguém. 

Não existe formiga que passa fome, elas trabalham o verão inteiro para assegurar alimentação para o inverno. Você nunca vai ver uma formiga sem fazer nada (de vagabundagem), ela está sempre trabalhando pela família e pela comunidade. Todas são solidárias e todas se ajudam. E tudo isso, sem um líder mandando. Fazem por vontade própria. Portanto, se você gosta de xingar os outros de comunistas, faça o seguinte; xingue as formigas de comunistas, elas sim são comunistas. E não vão se importar nenhum pouco com sua raiva, seu ódio, e sua ignorância. Sabem por quê? Elas têm mais o que fazer.

Marco Vieira

 

ERIN BROCKOVICH

 Em 1991, Erin Brockovich era uma mãe solteira com três filhos, dois divórcios no currículo e contas que pareciam nunca parar de chegar. Sem diploma universitário e precisando desesperadamente de trabalho, aceitou uma vaga simples em um pequeno escritório de advocacia da Califórnia, o Masry & Vititoe.

Seu trabalho não tinha nada de glamouroso. Ela organizava arquivos, atendia telefonemas e fazia cópias de documentos.

Nada indicava que, poucos anos depois, seu nome ficaria conhecido em todo o mundo.

Tudo começou em 1993, quando um processo imobiliário chamou sua atenção. Enquanto organizava os documentos, Erin percebeu algo estranho: entre escrituras e papéis de propriedade havia prontuários médicos.

Aquilo não fazia sentido.

Por que registros de doenças estariam misturados a um caso de venda de imóveis?

Movida pela curiosidade, ela começou a examinar os documentos com mais cuidado. Logo percebeu que aquilo não era um caso isolado. Os mesmos problemas apareciam repetidamente, sempre ligados à pequena comunidade de Hinkley, no deserto da Califórnia.

Havia relatos de cânceres, tumores, abortos espontâneos e outras doenças graves surgindo em uma população pequena demais para que tudo parecesse mera coincidência.

Erin começou a telefonar para os moradores.

O que ouviu a deixou inquieta.

Famílias inteiras falavam de problemas de saúde semelhantes. Pessoas jovens adoeciam sem explicação aparente. Quanto mais histórias surgiam, mais difícil ficava ignorar o padrão.

Durante a investigação, ela encontrou correspondências enviadas pela Pacific Gas and Electric, a PG&E. Nas cartas, a empresa garantia que a água da região era segura e afirmava monitorar constantemente sua qualidade.

Mas alguns detalhes chamaram sua atenção.

Os documentos mencionavam a presença de cromo na água, tratando a substância como algo praticamente inofensivo.

Erin não era cientista, mas decidiu pesquisar por conta própria.

Na biblioteca, descobriu que existiam diferentes formas de cromo. O cromo trivalente, conhecido como cromo III, apresentava riscos muito menores. Já o cromo hexavalente, ou cromo VI, era uma substância tóxica associada a sérios problemas de saúde.

A descoberta mudou completamente o rumo da investigação.

Ao analisar documentos internos da empresa, Erin encontrou evidências de que a PG&E conhecia o problema havia anos.

Entre 1952 e 1966, a companhia utilizou cromo hexavalente em torres de resfriamento para evitar corrosão. A água contaminada era descartada em lagoas sem proteção adequada e, ao longo do tempo, os resíduos infiltraram-se no solo até atingir o lençol freático que abastecia Hinkley.

Centenas de moradores consumiram aquela água durante anos sem saber do risco que corriam.

A empresa possuía relatórios, estudos e alertas internos. Ainda assim, a população continuou sem conhecer toda a extensão do problema.

Determinada a descobrir a verdade, Erin foi até Hinkley.

Bateu de porta em porta.

Sentou-se à mesa das famílias.

Ouviu histórias de sofrimento que pareciam se repetir em cada casa.

Cânceres.

Tumores.

Abortos espontâneos.

Sangramentos frequentes.

Doenças que ninguém conseguia explicar.

A partir daí, ela começou a reunir moradores dispostos a enfrentar a companhia na Justiça. Mais de 600 pessoas aceitaram participar da ação.

A batalha foi desigual desde o início.

De um lado estava uma das maiores empresas da Califórnia, cercada por advogados, especialistas e recursos praticamente ilimitados.

Do outro, moradores comuns e uma funcionária sem formação jurídica formal, mas determinada a não abandonar a investigação.

A PG&E argumentou que os problemas de saúde poderiam ter diversas causas, desde fatores genéticos até hábitos de vida. Mas, à medida que o caso avançava, novas evidências continuavam surgindo.

Durante a arbitragem, decisões importantes favoreceram os moradores e aumentaram a pressão sobre a empresa.

Em 1996, a PG&E concordou em pagar 333 milhões de dólares para encerrar o processo.

Na época, era um dos maiores acordos já firmados em uma ação coletiva direta nos Estados Unidos.

Cerca de 650 pessoas receberam indenizações.

Pelo trabalho realizado, Erin Brockovich recebeu um bônus de 2,5 milhões de dólares do escritório de advocacia.

Anos depois, sua história ganhou projeção internacional com o filme Erin Brockovich, estrelado por Julia Roberts. A atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2001 e apresentou o caso a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Mas o impacto da investigação foi muito além de Hollywood.

A contaminação da água potável passou a receber maior atenção pública, o cromo hexavalente tornou-se alvo de novos estudos e o debate sobre responsabilidade ambiental ganhou força em todo o país.

Hinkley, porém, jamais voltou a ser a mesma.

Muitas famílias deixaram a cidade. Diversas propriedades foram compradas pela empresa. Os trabalhos de descontaminação continuaram por décadas e o monitoramento ambiental segue até hoje.

Tudo isso começou porque uma funcionária encarregada de organizar arquivos decidiu prestar atenção em algo que parecia estar fora do lugar.

Se valoriza a leitura e aprecia o conhecimento histórico, considere tornar-se um assinante da página.

Fontes:

•Erin Brockovich. Take It From Me: Life's a Struggle But You Can Win. McGraw-Hill, 2001.

•Anderson et al. v. Pacific Gas & Electric Co. — registros judiciais e documentos da arbitragem referente ao caso de Hinkley, Califórnia.

BOLSA FAMÍLIA

 O Peso Que Incomoda Apenas Quando Cai Sobre os Pobres

Estava aqui lendo algumas matérias e ouvindo discursos de determinados políticos de direita e comentaristas afirmando que o Brasil corre o risco de quebrar por causa dos programas de transferência de renda destinados à população mais pobre. E, sinceramente, uma pergunta não saiu da minha cabeça: por que a preocupação com os gastos públicos parece surgir apenas quando o dinheiro chega à base da pirâmide social?
O debate sobre responsabilidade fiscal é importante. Nenhum país pode ignorar suas contas. Mas o que chama atenção é a seletividade da indignação. Quando uma família humilde recebe um benefício para garantir comida na mesa, aluguel ou material escolar para os filhos, imediatamente surgem discursos alarmistas sobre o colapso econômico. Entretanto, raramente vemos a mesma intensidade de críticas direcionadas aos privilégios históricos existentes dentro do próprio Estado.
Pouco se fala sobre supersalários que ultrapassam o teto constitucional por meio de benefícios e verbas adicionais. Pouco se discute sobre determinadas pensões especiais herdadas de regras antigas, algumas delas pagas por décadas. Pouco se questionam os inúmeros auxílios concedidos a setores privilegiados da administração pública. Auxílio-moradia para quem possui imóvel, verbas indenizatórias generosas, benefícios diversos e estruturas custeadas pelo contribuinte frequentemente passam despercebidos no debate popular.
A impressão que fica é que o problema não está necessariamente no gasto público, mas em quem recebe esse gasto público.
Quando o dinheiro é destinado a quem já ocupa posições de poder, o discurso costuma ser técnico, jurídico ou institucional. Quando o dinheiro chega ao pobre, o debate rapidamente se transforma em uma questão moral, como se ajudar pessoas vulneráveis fosse um pecado econômico.
Isso não significa que programas sociais não devam ser fiscalizados. Devem. Assim como qualquer outra despesa pública. Transparência, eficiência e combate a fraudes são necessários em todas as áreas do orçamento. O mesmo critério que deve ser aplicado ao Bolsa Família precisa ser aplicado aos salários, às aposentadorias especiais, às pensões, aos auxílios e a qualquer privilégio financiado pelo contribuinte.
Uma democracia madura não escolhe quais gastos serão analisados com rigor com base na classe social de quem recebe. A verdadeira coerência exige que todo dinheiro público seja questionado da mesma forma.
O Brasil não será um país mais justo enquanto a régua da indignação mudar de tamanho conforme a renda do beneficiário. Se a preocupação é com o equilíbrio das contas públicas, então ela deve alcançar todos os gastos. Mas se a crítica aparece apenas quando o recurso chega aos mais pobres, talvez o debate não seja apenas sobre economia.
Talvez seja sobre quem a sociedade considera merecedor de ajuda e quem ela prefere proteger em silêncio.
E essa é uma discussão muito mais profunda do que números, planilhas ou estatísticas. É uma discussão sobre prioridades, justiça e coerência.
Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

SOUJI/CULTURA JAPONESA

 Em 14 de junho de 2026, algo especial aconteceu nas arquibancadas após o emocionante empate de 2 a 2 entre Japão e Holanda no Estádio de Dallas.

Mesmo após o término da partida, centenas de torcedores japoneses permaneceram em seus lugares.

Em vez de deixarem o estádio imediatamente, eles recolheram o lixo das cadeiras e do chão.

Muitos até usaram as mesmas sacolas plásticas azuis que usaram para apoiar seus times durante a partida para fazer a limpeza.

Esse comportamento de limpeza não é novidade para os torcedores japoneses.

Esse hábito vem de uma tradição cultural chamada "souji", que ensina as pessoas desde cedo a manterem seus arredores limpos.

Nas escolas japonesas, as crianças aprendem a limpar suas salas de aula e áreas comuns.

Isso faz com que cuidar de espaços públicos seja um reflexo natural .

Portanto, os torcedores japoneses frequentemente limpam os estádios após as partidas, independentemente de seu time vencer, perder ou empatar.

Eles acreditam que é importante demonstrar respeito pelos lugares que visitam e deixá-los limpos para os outros. Essa tradição também se reflete nos jogadores.

A seleção japonesa costuma deixar o vestiário limpo e organizado após cada jogo.

Eles também costumam deixar um bilhete de agradecimento e origamis de tsuru (garça) como sinal de respeito.

Este momento em Dallas se tornou ainda mais especial quando o jogador da NFL, Jameis Winston, se juntou aos torcedores japoneses para ajudar na limpeza das arquibancadas.

Winston apoiou os esforços de limpeza vestindo a camisa da seleção japonesa.

Essa bela tradição continua desde a primeira participação do Japão na Copa do Mundo, em 1998.

Ao longo dos anos, tornou-se um símbolo de respeito, disciplina e cortesia, admirado por torcedores de futebol em todo o mundo.

O PEQUENO PRÍNCIPE

 Antoine de Saint-Exupéry escreveu O Pequeno Príncipe como uma fábula puramente infantil nascida de sua imaginação literária e que o deserto do livro é apenas um cenário lúdico criado para encantar leitores.

Contudo, o biográfico do autor revela que a obra é o reflexo direto de uma experiência real e traumática em 1935. 

Trabalhando como piloto de jatos postais na rota entre Paris e Saigon, Saint-Exupéry e seu mecânico de bordo sofreram uma pane técnica e caíram em alta velocidade no meio do deserto da Líbia. 

Isolados no calor extremo, sem rádio e com suprimentos que duraram apenas um dia, a dupla passou a caminhar sem rumo entre as dunas, sofrendo de desidratação severa e alucinações visuais e auditivas provocadas pelo sol escaldante, operando sob a máxima desesperada que o piloto escreveu em suas memórias: No deserto, a solidão é um espelho que nos força a encarar nossa própria essência.

O que quase ninguém conta é que a figura do principezinho e os elementos mais marcantes da história nasceram diretamente dos delírios e das pessoas reais que marcaram a agonia do autor antes do resgate. 

Durante as alucinações nas noites frias do Saara, Saint-Exupéry começou a imaginar o diálogo com uma criança de cabelos dourados que questionava o sentido da vida adulta, enquanto a famosa raposa do livro foi inspirada em um feneco, a raposa do deserto, que ele havia tentado domesticar meses antes em suas bases de pouso. 

A rosa orgulhosa e cativante, por sua vez, era o retrato de sua esposa Consuelo, com quem mantinha uma relação intensa e cheia de espinhos na distância das viagens. 

O sofrimento dos dois homens durou quatro dias até que foram avistados e salvos por um beduíno montado em um camelo, transformando o trauma da queda em uma jornada poética de sobrevivência que moldou o coração de gerações inteiras ao redor do mundo.



DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

 O Che antes do Che: você conhecia esse lado?

Todo mundo conhece a foto: boina, estrela, barba. Virou camiseta. 

Mas você sabia que antes de ser "o Che", Ernesto Guevara era só um garoto da classe média argentina, cheio de preconceitos?

Nos _Diários de Motocicleta_, com 23 anos, ele escreveu coisas que hoje a gente chamaria de racistas sobre negros e indígenas. Era o que ele aprendeu na Argentina de 1950: um país que se achava "a Europa da América Latina" e que apagou sua própria história negra.

Ele não nasceu revolucionário. Ele não nasceu desconstruído.

*A viagem que mudou tudo*

Em 1952 ele pegou uma moto e rodou 14 mil km pela América Latina. Viu mineiro chileno explorado. Cuidou de hansenianos no Peru. Dormiu no chão com indígenas. 

A realidade deu um soco na teoria que ele tinha na cabeça.

10 anos depois, esse mesmo cara tava assinando leis contra segregação racial em Cuba. Em 1965 foi lutar no Congo, na África, ao lado de guerrilheiros negros.

*Por que isso importa?*

Porque a parte mais forte da história dele não é o mito. É a transformação.

Ele só virou símbolo porque primeiro teve a coragem de admitir que estava errado e mudar. 

A maioria dos meninos brancos da elite dele nunca saiu de Buenos Aires. Ele saiu. E deixou que a estrada quebrasse os preconceitos dele.

Se até o Che teve que aprender, quem somos nós pra achar que já nascemos sabendo?

Vale pesquisar: _Diários de Motocicleta_ e a biografia do Jon Lee Anderson. A história real é sempre melhor que a camiseta.

HOMESCHOOLING E FAMÍLIA PATRIARCAL (RITA ALMEIDA)

 A defesa do ensino domiciliar (homeschooling) faz parte do pacote de pautas da extrema-direita, e ela não é periférica às demais pautas morais. Perspectivas políticas autoritárias dependem fundamentalmente do discurso da família patriarcal autoritária e a educação domiciliar é um instrumento que serve a esse discurso. Lembrando que, em se tratando de extrema-direita, fazer circular determinada narrativa é mais importante do que ela ser efetivada na prática.


Mas do que se trata a família patriarcal autoritária? 

Freud criou um mito para caracterizar o “primeiro pai” do patriarcado. Tratava-se de um tirano perverso que, por meio da força, mantinha a mulher e a prole sob seu domínio, a fim de satisfazer suas necessidades, inclusive as sexuais. 

No mito freudiano o processo civilizatório só foi possível pelo movimento de libertação de mulheres e filhos do jugo desse pai perverso. O pai primevo precisou ser morto pelos filhos para que a civilização se desenvolvesse e desse assassinato, nasce um pacto de irmandade, fundado na primeira lei: a lei de interdição do incesto, a partir da qual todos se comprometeram a nunca mais ocupar o lugar do pai perverso.

Se a estrutura da família patriarcal é autoritária podemos considerar que toda família pode reativar em seu seio o pai perverso, tirânico e gozador primordial, por isso, todo esforço civilizatório significa conseguir superar a família nuclear autoritária. A família é a estrutura que possibilita ao ser humano entrar mundo, mas, paradoxalmente, é a mesma que pode condená-lo à servidão, ao abuso ou mesmo à morte (real ou subjetiva). 

Vista sob a ótica freudiana, a família não é apenas um ninho seguro e amoroso que cuida e acolhe, mas também a fonte primeira de nossos traumas e sofrimentos. É por isso que a romantização da família é um erro. É ingênuo acreditar que ela seja boa em si. A melhor família é aquela que compreende seu componente perverso e que, por isso, se ocupa em lançar seus filhos para fora de si. A família é uma espécie de mal necessário, que precisa ser superada por cada um no seu esforço de maturidade. 

O pai sempre precisará "ser morto” por cada um e a cada vez, este foi o argumento freudiano ao retomar o Édipo para falar do nosso processo de subjetivação. Sendo assim, todo discurso que busca romantizar a família ou promover o resgate de um pai ideal – perfeito ou poderoso – segue o caminho contrário do movimento civilizatório, e facilita a perversão. Não por acaso os abusadores mais comuns de mulheres e crianças são os pais, padrastos, tios ou seus substitutos: padres, patrões, pastores, gurus e líderes em geral. 

A "defesa da família”, é uma das principais peças de propaganda, da extrema-direita, mas não é qualquer família que eles defendem. O que eles buscam salvar é a família ideal do patriarcado, a que busca reativar o pai perverso e seus subordinados: mãe/mulher e filhos/heteronormativos. Uma família, segundo eles, tão virtuosa que cabe a ela a tarefa de cuidar, inclusive, da escolarização e da educação sexual das crianças. Ou seja, um ninho de perversões.

Assim sendo, garantir que a escolarização de todas as crianças seja feita fora do núcleo familiar, não é apenas uma forma de democratizar o acesso ao ensino formal, é ainda mais básico: é proteção elementar contra a tendência familiar autoritária perversa, é civilizatório, é promotor de saúde mental e de segurança para nossas crianças. Além disso, serve de proteção contra estruturas de poder autoritárias e perversas tão propícias aos discursos de extrema-direita.

A lei interdição do incesto – que funda a civilização – diz basicamente o seguinte: as questões relativas à sexualidade devem ser vivenciadas e aprendidas fora do núcleo familiar. E se compreendemos que sexualidade não é apenas sexo, mas todo laço feito fora das relações incestuosas, compreendemos a importância da escola como lugar social para a criança. 

A família apresenta a criança ao mundo, o desejo dela nessa empreitada é importante e fundamental, mas é igualmente importante que tal criança seja endereçada para fora da mesma. Por outro lado, crianças capturadas por famílias perversas deve ser resgatadas das mesmas e a escola tem sido instrumento fundamental para promover tal resgate. 

Papai e mamãe amam suas crianças na mesma medida em que podem subjugá-las, massacrá-las, adoecê-las e até destruí-las. É da sua estrutura autoritária. 

Dito isso: lugar de criança é na escola. 

Rita Almeida
@ritacaalmeida

10/06/2026

COMO TRABALHAR A COPA DO MUNDO NA ESCOLA (NOVA ESCOLA)

 

A cada quatro anos, a Copa do Mundo ganha as ruas, as conversas e o interesse dos estudantes. Mas, em sala de aula, ela pode ir além da torcida e dos resultados das partidas.

Em maio, a reportagem Copa do Mundo: 10 conteúdos para levar o tema para a sala de aula, liderou os acessos entre os conteúdos de Jornalismo da Nova Escola.

O destaque reúne propostas para aproveitar elementos do campeonato que já despertam curiosidade, como os países participantes, as jogadas, as imagens, as notícias e o álbum de figurinhas, e conectá-los às aprendizagens no Ensino Fundamental.

Conhecer o destaque de maio

Na prática, a reportagem ajuda a explorar perguntas como:

  • Que relações existem entre a arquitetura de um estádio e a Geometria?
  • Como uma notícia esportiva pode apoiar o trabalho com textos jornalísticos?
  • O que as fotos da competição revelam sobre enquadramento, imagem e corpo?
  • Como os países de um grupo podem abrir conversas sobre aspectos históricos, culturais e geográficos?

A reportagem reúne caminhos para explorar essas e outras possibilidades em componentes como Matemática, Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Geografia e História.

Há ainda ideias para trabalhar alfabetização a partir dos nomes dos jogadores e para usar o álbum de figurinhas em situações-problema de adição e subtração, com a possibilidade de criar um álbum da própria turma.

A Copa já chama a atenção dos estudantes.

A reportagem mostra diferentes formas de transformar esse interesse em ponto de partida para as aulas.

Conferir as propostas

O TEMPO E O VENTO (ÉRICO VERÍSSIMO)

 O Tempo e o Vento e a masculinidade tóxica

Estava pensando nessa obra belíssima do Érico Veríssimo, e como o público em geral parece ter uma visão deturpada dos personagens. Eu e meu pai já conversamos sobre o Capitão Rodrigo, essa figura que é tida como herói e modelo de homem gaúcho, mas que na verdade tem pouquíssimos traços de herói. Meu pai assistiu à minissérie da Globo com Tarcísio Meira e Glória Pires, eu li O Continente para a escola, e foi uma leitura que me marcou muito. Ele disse que percebeu, na época, que o Capitão Rodrigo era na verdade um bandido, um mercenário. No livro, ele trai a esposa, é agressivo, joga com apostas, e tem toda aquela parte em que a filha deles falece enquanto ele está no bar jogando. Rodrigo era irresponsável, mulherengo e agressivo. Morreu por imprudência lutando numa revolta que a maior parte do estado não aderiu. Não é nem de longe um herói tradicional, apesar de ser corajoso e carismático.

O que me parece é que com o personagem dele, junto do Bolívar e do Licurgo, Veríssimo estava fazendo uma crítica à masculinidade tóxica do gaúcho, essa insistência de resolver tudo na bala e lavar a honra com sangue, que acaba por causar sofrimento, tragédias, traumas e, no caso do Rodrigo e do Bolívar, a morte precoce. O autor muitas vezes narra os pensamentos desses personagens, mostrando suas incoerências e hipocrisias escancaradamente. Li uma resenha certa vez que dizia que o Bolívar era "fraco", que não tinha a mesma energia e coragem do pai, por isso morreu jovem, enquanto Licurgo teria herdado esses valores. Discordo dessa análise, não acredito que o Bolívar fosse fraco, mas sim que ele começou a perceber o quanto ele estava caminhando para se tornar um homem violento e bruto, e foi isso que causou seu "surto" e culminou na sua morte no confronto com os Amaral.

Licurgo não é forte por ter seguido os passos do avô, ele é apenas mais um membro da família envolvido num conflito sangrento com os Amaral (que nem eram tão vilões assim). Ele participou da Revolução Federalista, ou Revolta da Degola, que foi o conflito mais sangrento ocorrido no RS. Contrariando as expectativas, os Terra-Cambará eram apoiadores do Júlio de Castilhos e do Floriano Peixoto. Ambos foram ditadores e tiranos, então eles não estavam lutando pela liberdade ou por democracia, e sim defendendo o autoritarismo. Isso custou a vida da sua filha recém-nascida e quase a da esposa também.

Os personagens fortes de O Tempo e o Vento sempre foram as mulheres: Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria. Quanto aos homens, Érico deixa claro quais têm um bom caráter: Pedro Terra, Juvenal e Florêncio. Inclusive, Pedro não gostava de Rodrigo pelo seu jeito "aventureiro". Érico Veríssimo foi um humanista, um defensor da democracia e profundo conhecedor da sociedade gaúcha. Infelizmente, a TV e o cinema romantizaram muito figuras como a do Capitão Rodrigo, perdendo o tom de crítica que era a intenção do autor.

INDEPENDÊNCIA E EMPONDERAMENTO FEMININO

 A INDEPENDÊNCIA FEMININA   

            (Saulo Oliveira)

     Nossas avós e/ou bisavós viviam em um regime de submissão. Eram criadas para ser mães de família. Quase não tinham direitos e dependiam do marido para tudo. Muitas delas até viveram felizes, pois foram educadas para esse regime. Na época, os casamentos, em sua maioria, eram arranjados e, quando não davam certo, a esposa era obrigada a carregar o fardo para o resto da vida, uma vez que a separação a deixava malvista perante a sociedade. As moças que não conseguiam casar passavam a ser ridicularizadas, recebendo o pejorativo apelido de “solteironas”.

     Felizmente, as barreiras que as aprisionavam foram quebradas. A mulher de hoje é vista de outra forma. Ela anda, sai e fica com quem quiser. A cada dia, vem se destacando cultural e profissionalmente. É evidente que ainda há abusos; portanto, a luta continua.

     Então, mulher, esteja ciente de que você não deve obrigação a ninguém. Se decidir viver com algum parceiro, que seja alguém que some, que a complete e que a faça feliz. A convivência a dois não deve ser marcada pela subserviência, como era antigamente. Ninguém merece ser escravo sentimental de outrem. Se for para arrumar um traste, apenas para dizer que está casada, fique sozinha. Há um ditado popular – grosseiro, mas verdadeiro – que diz: 
“Por causa de uma linguiça, não leve um porco para casa.”

     E jamais chore por um relacionamento malsucedido. O passado só serve de experiência, e não para ser lamentado. Vá curtir a vida, passear, viajar, sair com as amigas, namorar. Adote o conselho dado na música “Flowers” da cantora americana Miley Cyrus:

“Eu posso comprar flores para mim mesma.
Escrever meu nome na areia.
Conversar comigo mesma por horas.
Dizer coisas que você não entende.
Eu posso me levar para dançar.
E eu posso segurar minha própria mão.
Sim, eu posso me amar melhor do que você pode.”

     Vocês, mulherada, podem e podem muito mais. Podem traçar o seu destino, ser donas do próprio nariz, desfrutar de uma autonomia emocional e financeira.

     Então, aproveitem o momento. Quando estiverem em um barzinho com as amigas, curtindo a sua liberdade, encham os copos de cerveja ou as taças de vinho e, com os corações vibrando, gritem:                                         
               
VIVA A INDEPENDÊNCIA FEMININA.

VÍCIO EM PODER

 Cresci numa cultura em que pais, professores, padres e pessoas mais velhas nos alertavam constantemente sobre os perigos das drogas. Eles diziam para tomar cuidado com a maconha, a cocaína, a cola, o cigarro e o álcool, porque todas essas substâncias têm o poder de destruir vidas, viciar pessoas e provocar a morte. E eles tinham razão. Basta olhar para tantas famílias marcadas pelo sofrimento, pela dependência química e pela dor causada por essas drogas. Contudo, com o passar do tempo e com as experiências da vida, vamos descobrindo que existe uma droga ainda mais perigosa, mais silenciosa e muito mais destrutiva: o poder. O poder é uma droga que vicia. O seu vício transforma homens em tiranos, líderes em opressores e autoridades em donos da verdade. A história da humanidade é prova disso. Quantas guerras foram travadas por poder? Quantos povos foram escravizados? Quantas vidas foram ceifadas. O mais perigoso de tudo isso é que o vício do poder nem sempre aparece de forma agressiva. Muitas vezes, ele se esconde atrás de discursos bonitos, promessas vazias e falsas demonstrações de preocupação com o povo. O poder sem ética seduz, corrompe e destrói lentamente. E quanto mais alguém se alimenta dele, mais deseja controlar, dominar e ser adorado. Jesus Cristo apresentou um caminho totalmente diferente. Enquanto os poderosos de seu tempo buscavam privilégios e submissão, Ele ensinou o serviço, a humildade e o amor. Cristo mostrou que a verdadeira grandeza não está em dominar pessoas, mas em cuidar delas. O verdadeiro poder não escraviza; liberta. Não humilha; dignifica. Não mata; promove a vida. Por isso, talvez a maior luta da humanidade não seja apenas contra as drogas químicas, mas contra essa droga invisível chamada poder, que continua intoxicando consciências, destruindo povos e alimentando sistemas de opressão. O mundo precisa menos de homens sedentos de domínio e mais de pessoas comprometidas com a justiça, a liberdade e a dignidade humana.

CIÊNCIA: POLO MAGNÉTICO DA TERRA, VIA LÁCTEA, LIMITE SUSTENTÁVEL DA TERRA

 O campo magnético da Terra se moveu mais de 2.250 km e agora obriga sistemas de navegação a recalcular rotas no mundo inteiro - Oeste Geral.

O polo magnético da Terra desacelerou após se mover mais de 2 mil quilômetros e obrigou a navegação global a atualizar rotas - Oeste Geral.

Astrônomos encontram no centro da Via Láctea algo procurado há décadas | Exame.

Terra já ultrapassou limite sustentável para humanidade, diz estudo | Exame.



VOTO E DIGNIDADE FEMININA

 Em 1792, uma inglesa chamada Mary Wollstonecraft sentou-se para escrever um livro.


Ela levou apenas seis semanas.

Tinha 32 anos, era uma escritora autodidata, havia sobrevivido a um pai violento, sustentado a si mesma como governanta e tradutora, e assistia, do outro lado do Canal da Mancha, uma revolução mudar o mundo.

Mary acreditava que o Iluminismo havia feito uma promessa grandiosa: todos os seres humanos possuíam razão, e a razão era a base da liberdade.

Então ela percebeu uma coisa.

Essa promessa havia deixado metade da humanidade de fora.

Seu livro se chamava Reivindicação dos Direitos da Mulher.

Foi um dos primeiros argumentos longos e sistemáticos, em inglês, defendendo que as mulheres não eram naturalmente inferiores aos homens. O que muitos chamavam de fraqueza, futilidade ou dependência, para ela, era resultado de uma educação criada justamente para produzir isso.

Eduque mulheres como crianças, ela dizia, e elas se comportarão como crianças.

Ensine que sua maior missão é agradar, e elas passarão a vida inteira encenando doçura, obediência e delicadeza.

Negue a elas o direito de pensar — e depois zombe delas por parecerem irracionais.

Mary não estava pedindo que as mulheres dominassem os homens.

Ela deixou isso claro.

O que queria era simples e profundo: que as mulheres fossem vistas como criaturas racionais. Como seres morais. Como pessoas com deveres consigo mesmas, e não apenas com os outros.

Foi isso que incomodou seus críticos.

Não era o medo de que as mulheres competissem com os homens.

Era o medo de que as mulheres pertencessem a si mesmas.

Porque, se uma mulher pertence a si mesma, sua obediência ao pai, ao marido, ao padre ou ao Estado deixa de parecer uma ordem natural das coisas.

Passa a ser uma escolha.

E escolhas, ao contrário do destino, podem ser questionadas.

A reação veio rápido.

Horace Walpole, um importante homem das letras, a chamou de “uma hiena de saias”. Críticos disseram que ela era antinatural, perigosa, sem feminilidade.

Depois de sua morte, em 1797, onze dias após dar à luz sua filha Mary — que anos depois escreveria Frankenstein — seu marido publicou uma biografia honesta sobre sua vida, incluindo seus romances e uma tentativa de suicídio.

Ele achou que estava homenageando Mary.

Mas a sociedade educada da época usou aquelas revelações para tentar enterrar suas ideias por quase cem anos.

Quando sua obra foi redescoberta por sufragistas e estudiosos no fim do século XIX, parecia uma profecia.

Mary havia entendido, dois séculos antes de muitos conseguirem nomear isso, que não se entrega dignidade em pedaços.

Não se pode dar educação a uma mulher e negar a ela propriedade.

Não se pode dar propriedade e negar o voto.

Não se pode dar o voto e negar autonomia sobre o próprio corpo.

Dignidade, ela entendeu, é indivisível.

E liberdade parcial é apenas uma coleira mais longa.

Sua exigência não era radical porque pedia demais.

Era radical porque se recusava a pedir menos.

E, desde então, toda vez que uma mulher é chamada de difícil, ingrata ou pouco feminina por desejar ser tratada como uma pessoa inteira, ela ouve o eco da mesma acusação feita contra uma escritora de 32 anos em 1792.

A crítica não melhorou com o tempo.

Mas a escritora estava certa.

O LATIM NÃO MORREU

 “O latim não morreu. Ele apenas deixou de ser falado para começar a ser eternamente lembrado.”


Cada expressão latina carrega séculos de filosofia, política, religião e civilização. A própria palavra latim vem de Latium, a região onde nasceu Roma — um idioma que moldou o Direito, a ciência, a teologia e o pensamento ocidental.

Carpe Diem não significa apenas “aproveite o dia”, mas literalmente “colha o dia”, como quem colhe um fruto raro antes que o tempo o leve.
Memento Mori é um lembrete estoico da finitude humana: “lembra-te de que morrerás”. Não para gerar medo, mas consciência.
Cogito, Ergo Sum, eternizada por René Descartes, transformou a dúvida em fundamento da existência: “Penso, logo existo.”
E Sic Transit Gloria Mundi relembra uma verdade inevitável: toda glória humana é passageira.
O latim não era apenas uma língua. Era uma arquitetura de pensamento. Uma forma de transformar ideias em eternidade.

📜 Qual dessas expressões mais representa sua visão de vida?

23/05/2026

GERAÇÃO Z E A MATURIDADE

 A Geração Z está tendo dificuldade em aceitar "ser adulto". E é normal que se sintam como crianças eternas - Minha Vida.

FILOSOFIA: IMMANUEL KANT E A RECOMPENSA, JEAN-JACQUES ROUSSEAU E O ILUMINISMO

 Immanuel Kant, famoso por suas ideias sobre dever e consciência, disse: “Se você castigar um menino por ser mau e o recompensar por ser bom, ele só fará a coisa certa pela recompensa” - Oeste Geral.

Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes pensadores do Iluminismo, declarou: “Quem sabe pouco costuma falar muito, enquanto quem sabe muito fala pouco.” - Oeste Geral.

CIÊNCIA: DERRETIMENTO DAS GELEIRAS, MICROORGANISMOS EM VULCÃO, PIRÂMIDE DE GIZÉ

 Pesquisadores descobrem que quanto mais gelo derrete na Antártida, mais a água quente consegue chegar à base das plataformas e derreter ainda mais, cientista diz que ponto de inflexão climático pode chegar mais cedo do que os modelos atuais preveem - CPG Click Petróleo e Gás.

Brasileiras identificam nova espécie de microrganismo em vulcão ativo na Antártida – Jornal da USP.

Entenda por que a Grande Pirâmide de Gizé é resistente a terremotos - Aventuras na História.

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