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18/09/2026

PISA EM SP (APASE)

 

É preciso refletir sobre o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2025, o PISA

Só em São Paulo, o ensino decaiu no ranking recente do Ideb. Vemos que não é possível falar em avanços na educação paulista quando os dados provam o oposto..


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O FALSO PISA DE SP (UDEMO)

15 MINUTOS DE UDEMO ⏰

🚨 O FALSO PISA - EDUCAÇÃO DE SP ESTÁ CAINDO!

 

Assista em: https://youtu.be/_jQSRBygeCk

 

  

JEAN-JACQUES ROUSSEAU E O ENSINO PRECOCE

Jean-Jacques Rousseau, filósofo genebrino: “A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens”, a frase de 1762 que ainda divide defensores do ensino precoce e especialistas em infância - Olhar Digital.

RECIFES ARTIFICIAIS E VIDA MARINHA

 Lançados ao mar em 1978, pneus preenchidos com concreto transformaram-se em um próspero habitat para peixes, lagostas e diversas outras espécies marinhas | CNN Brasil.

SAÚDE: DOENÇA RARA, FRIO NOS PÉS, DORMÊNCIA E FORMIGAMENTO

 'Descobri que tinha uma doença rara depois de um match no Tinder' - BBC News Brasil.

Sentir muito frio nos pés é normal? Entenda a relação.

Quando se preocupar com dormência e formigamento: especialista explica neuropatia e outras causas | Saúde | extra.

EDUCAÇÃO: PROFESSORES IDOSOS, POBREZA E DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

 Apagão: nº de professores idosos mais do que dobra, e o de jovens cai | G1.

67% dos alunos mais pobres não atingem nível mínimo de leitura | G1.

COMPORTAMENTO: IMPORTÂNCIA DO SONO PARA ADOLESCENTES, CONDUTORES E EXCESSO DE VELOCIDADE

 Dormir bem pode ajudar no desempenho escolar de adolescentes | G1.

Pesquisa inédita mapeia comportamento de condutores e desmistifica ganho de tempo com excesso de velocidade – Jornal da USP.


HIGIENE NO PARTO

 Em 1847, o médico húngaro Ignaz Semmelweis trabalhava em uma maternidade de Viena.

Ele percebeu algo estranho.

Mulheres atendidas por médicos e estudantes de medicina morriam de febre puerperal em uma proporção muito maior do que aquelas atendidas por parteiras.

Semmelweis investigou a diferença.

Uma das pistas apareceu depois da morte de um colega, que havia se ferido durante uma autópsia e desenvolvido sintomas semelhantes aos das mulheres.

A hipótese de Semmelweis era simples: os próprios médicos poderiam estar levando algum agente contaminante das autópsias para as pacientes.

Ele então determinou que médicos e estudantes lavassem as mãos com uma solução de cloro antes de examinar as mulheres.

O resultado foi impressionante.

A mortalidade caiu drasticamente.

A evidência apontava para uma conclusão incômoda: a rotina dos próprios médicos estava contribuindo para as mortes.

E foi justamente aí que surgiu o problema.

A ideia enfrentou resistência.

Naquele momento, a teoria dos germes ainda não explicava adequadamente o mecanismo por trás da doença, e a conclusão de Semmelweis entrava em conflito com as crenças e práticas médicas da época.

Além disso, aceitar sua explicação significava reconhecer que profissionais respeitados poderiam estar causando danos sem perceber.

Essa história tem uma aplicação poderosa dentro das empresas.

Informação nova nem sempre é rejeitada porque é falsa.

Às vezes, ela ameaça uma decisão anterior, um processo estabelecido ou a reputação de quem tomou a decisão.

É muito mais fácil aceitar um dado quando ele confirma que estamos no caminho certo.

É mais difícil quando ele diz:

“Precisamos mudar.”

E mais difícil ainda quando diz:

“Precisamos mudar porque nossa decisão anterior estava errada.”

Por isso, uma organização saudável precisa separar duas perguntas:

“Quem estava certo?”

e

“O que os dados estão mostrando agora?”

Se a primeira pergunta dominar a segunda, a empresa pode defender uma decisão antiga mesmo quando as evidências já apontam em outra direção.

A maior barreira para uma mudança nem sempre é a falta de evidência.

Pode ser o custo de admitir o que essa evidência significa.


12/09/2026

FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA

Ela nasceu neta do último rei da Baviera e terminou seus dias no Brasil como a mulher que, em outra realidade política, poderia ter usado a coroa de imperatriz do Brasil. Em 9 de setembro de 1914, enquanto a Europa mergulhava na Primeira Guerra Mundial, nascia no Palácio de Nymphenburg, em Munique, a princesa Maria Elisabeth Franziska Josepha Therese da Baviera, uma Wittelsbach que décadas mais tarde uniria seu destino ao dos descendentes da princesa Isabel.

 Maria Elisabeth era filha do príncipe Franz da Baviera e da princesa Isabella Antonie de Croÿ e neta paterna de Ludwig III, o último rei da Baviera. Seu nascimento ocorreu, portanto, dentro de uma monarquia ainda viva: seu avô ocupava o trono bávaro desde 1913, mas a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e a revolução de 1918 encerrariam o reinado dos Wittelsbach. Quando Maria Elisabeth tinha apenas quatro anos, a coroa que parecera parte natural de sua infância havia desaparecido.

 Curiosamente, ela também possuía uma ligação de sangue com uma das mulheres mais célebres da história dos Wittelsbach: a imperatriz Elisabeth da Áustria, a lendária Sissi. O parentesco era distante, mas perfeitamente identificável. Ludovika da Baviera, mãe de Sissi, era meia-irmã do rei Ludwig I da Baviera. Ludwig I, por sua vez, foi pai do príncipe-regente Luitpold, bisavô de Maria Elisabeth. Assim, Sissi era prima-irmã de Luitpold; genealogicamente, Maria Elisabeth e a famosa imperatriz austríaca eram primas de primeiro grau separadas por três gerações.

 A conexão de Maria Elisabeth com o Brasil começou em 19 de agosto de 1937, quando, aos 22 anos, ela se casou na capela do Palácio de Nymphenburg com o príncipe Pedro Henrique de Orléans e Bragança. Ele era bisneto de D. Pedro II e neto da princesa Isabel através do príncipe Luís de Orléans e Bragança. Para os partidários do chamado ramo de Vassouras, Pedro Henrique era, desde a morte da princesa Isabel em 1921, o chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro dinástico do trono extinto.

 A partir daquele casamento, D. Maria Isabel da Baviera passou a ocupar uma posição singular dentro da tradição dinástica brasileira. Essa posição, contudo, não era consensual. A sucessão defendida pelo ramo de Vassouras baseava-se na renúncia feita em 1908 por Pedro de Alcântara, filho mais velho da princesa Isabel, antes de seu casamento com Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz. Décadas depois, seus descendentes do chamado ramo de Petrópolis contestariam a validade e o alcance dessa renúncia. Por isso, qualquer afirmação de que D. Maria Isabel teria sido necessariamente imperatriz deve ser acompanhada dessa ressalva: caso a monarquia brasileira tivesse sido restaurada sob a linha sucessória reconhecida pelo ramo de Vassouras, Pedro Henrique seria considerado imperador e D. Maria Isabel, sua imperatriz-consorte.

 O casamento produziu uma família extraordinariamente numerosa para os padrões das casas reais do século XX: foram doze filhos. Impedidos pela Segunda Guerra Mundial de se estabelecer imediatamente no Brasil, Pedro Henrique e D. Maria Isabel somente conseguiram transferir definitivamente a família para o país em 1945. Passaram inicialmente por Petrópolis e, mais tarde, pela Fazenda Santa Maria, em Jacarezinho, no Paraná, antes de se estabelecerem em Vassouras, cidade profundamente ligada à memória do Império brasileiro.

 Ali, D. Maria Isabel da Baviera construiu uma vida muito diferente daquela sugerida pelos palácios de sua infância. Nascida entre os Wittelsbach, neta de um rei e aparentada com Sissi, tornou-se a matriarca de uma extensa família brasileira, vivendo durante décadas num país que já não possuía trono, mas onde seus descendentes continuaram representando uma das interpretações da sucessão imperial.

 Pedro Henrique morreu em 5 de julho de 1981. D. Maria Isabel permaneceu viúva durante quase trinta anos e viu seu filho mais velho, Luiz, assumir a chefia do ramo de Vassouras. Ela faleceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 2011, aos 96 anos — justamente em uma data carregada de simbolismo para a família em que ingressara pelo casamento: o aniversário da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888. No dia seguinte, foi sepultada em Vassouras, ao lado da família que fizera do Brasil sua segunda pátria.

 D. Maria Isabel da Baviera jamais foi imperatriz, assim como seu marido jamais ocupou um trono. Ainda assim, sua trajetória reuniu duas monarquias desaparecidas: nasceu sob a sombra da coroa dos Wittelsbach na Baviera e tornou-se esposa do homem que uma importante corrente monarquista brasileira reconhecia como herdeiro da coroa dos Bragança. Entre Nymphenburg e Vassouras, sua vida atravessou guerras, quedas de dinastias, exílio e mudanças de continente — uma princesa europeia cuja história terminou profundamente ligada ao último capítulo ainda vivo da tradição imperial brasileira.

 Texto: Renato Drummond Tapioca Neto 

  

RACISMO NA ESCOLA

 Um episódio em uma turma do 9º ano terminou com o professor registrando um Boletim de Ocorrência durante a aula. Um grupo de alunos chamava uma colega negra de “Zé Gotinha da Petrobras”. Enquanto eles riam e insistiam nas provocações, a adolescente chorava.


O professor interrompeu a matéria, conectou o notebook ao datashow, acessou o serviço eletrônico da Polícia Civil e registrou, diante da turma, um B.O. relatando o ocorrido. Depois, projetou informações sobre racismo e suas possíveis consequências jurídicas.

O riso acabou. Alguns estudantes ficaram desesperados e mães procuraram a escola acusando o professor de constrangê-los e fazer “terrorismo psicológico” com adolescentes que, segundo elas, “não estavam fazendo nada demais”.

A pedido do professor, escola e rede de ensino não serão identificadas, seguindo orientação jurídica recebida junto ao sindicato da categoria.

O caso chama atenção para o preconceito recreativo presente nas escolas: racismo, gordofobia, homofobia e outras humilhações transformadas em apelidos, memes e “brincadeiras”.

Quando o B.O. apareceu no telão, o riso acabou. Os adolescentes perceberam que seus atos poderiam ter consequências concretas. Dependendo da apuração e da idade, podem existir medidas socioeducativas previstas em lei, como prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida, além de possíveis repercussões civis, inclusive reparação pelos danos causados à vítima.

Ser menor de idade não significa viver em um mundo sem consequências.

Estar ao lado de um filho quando ele erra não é transformar quem estabeleceu o limite em culpado. É ajudá-lo a compreender a gravidade do que fez e assumir as consequências.

Porque naquela sala havia adolescentes precisando aprender que racismo não vira brincadeira só porque alguém riu. E havia uma menina chorando, precisando que algum adulto finalmente dissesse: chega.

#educação #escola #pedagogia #professor #professora

IMIGRAÇÃO E PERDA DA HUMANIDADE

Como prometi ontem, vou falar sobre o post que fiz colhendo opiniões da Direita sobre a questão dos Imigrantes. 

Li todos os comentários, e outra vez agradeço a todos que foram de forma educada e responderam a questão. Gostaria que os colegas da esquerda também mantivessem a mesma postura, a conversa foi bastante civilizada no outro post, e o convite foi meu, eu queria entender o ponto deles. 

O que observei em todos os comentários foi a predominância da visão pontual. Parece muito simples: Nenhum país conseguiria suportar a miséria do mundo. Deixar entrar imigrantes é atrair pobres, desordem e violência. Porque obviamente não estávamos falando sobre os imigrantes legais como os EUA importam da China, Índia e demais países desde que sejam graduados e se destaquem nas suas áreas de atuação. Falávamos dos que chegam sem nada, fugindo de lugares sem esperança, muitas vezes com filhos pequenos e no máximo uma trouxa de roupas. E é mesmo um fato. Nenhum país do mundo tem estrutura para a livre imigração.

Já comentei num post sobre um livro que li mais ou menos aos 12 anos: "Uma casa na campina", que foi adaptado recentemente para a série (Netflix) "Uma casa na pradaria". Essa série mostra uma família branca e pobre imigrando para o interior dos EUA por volta de 1870. Eles imaginavam estar chegando em uma terra doada pelo governo, mas descobrem que essas terras eram complicadas, os índios expulsavam quem chegasse lá, porque (assim como nós atualmente) entendiam que aquelas terras eram deles. Eles é que nasceram lá, era o lugar onde seus antepassados foram enterrados, e não aceitavam o roubo de suas terras pelos  imigrantes. 

Parece que o problema não é novo. Os palestinos viveram o mesmo com a chegada dos judeus e deu no que deu. Devemos sim temer o nosso destino com tais imigrações. 

O que percebi como traço comum é que as posições da direita em momento algum tem a preocupação de quem são esses imigrantes, para onde eles irão se forem expulsos, qual a relação com a exploração econômica das grandes potências contra os países pobres, para onde eles vão fugir da miséria, dos bombardeios e da fome insuflada sobre os países pobres pelos ricos. 

Ninguém sai da sua terra e vai para outro país a esmo. A realidade da maioria dos imigrantes é uma fuga da fome e da miséria na tentativa de dar uma vida minimamente digna aos filhos. 

Atualmente, 24 países africanos estão em conflito armado, e as armas são americanas, conflitos insuflados pelos EUA que tem quase 800 bases aéreas espalhadas pelo mundo. 

Se alguém analisa uma foto, pode ter ideia errada do momento. Sem olhar o passado e contexto, questões complexas se tornam muito simples. Alguém lá chegou a dizer que quando eu perdesse o meu emprego eu entenderia. Ou seja... 

... É um olhar egoísta, isso ninguém pode negar. 

E a única verdade sobre isso é que não há resposta, não há solução, mas se todos enxergassem as causas, haveria uma revolta contra os exploradores, e não contra os imigrantes. 

O que mais surpreende é que não há tristeza em quase nenhum dos que se declaram defensores do fechamento de fronteiras e expulsão dos ilegais. 

É como se, depois de colocados para fora, ou impedidos de entrar, eles desaparecessem, ou não dissessem respeito a nós. 

Essa coisa de pensar só no hoje e só em nós ou no nosso país... São humanos perambulando em busca de um lugar para se alimentar e viver, como meu bisavô português e minha bisavó holandesa, apenas não são mais os brancos que precisam migrar como os poloneses e inglêses que foram parar nos EUA, ou os europeus que vieram durante a segunda guerra mundial e no pós guerra. 

Nem sempre e nem tudo é apenas sobre nós. 

Eu também queria compartilhar com vocês esse meu ponto de vista com vocês. 

Podemos não ter solução, mas como não ter angústia e simplificar a solução, fechando fronteiras e ignorando o que se passa do lado de fora? 

Perder a humanidade em nós para preservar um país? Seria essa a resposta? Penso que não.

CIÊNCIA: ORGANISMO DA ERA DO GELO, COLÔNIA SOB O GELO DA ANTÁRTIDA, MOVIMENTAÇÃO DO POLO NORTE, IDOSA INDEPENDENTE DE 101 ANOS

 Organismo da Era do Gelo desperta após 24 mil anos no permafrost da Sibéria e se reproduz ao ser descongelado por cientistas.

Robô enviado sob o gelo da Antártida encontra uma colônia gigantesca com 60 milhões de ninhos de peixes distribuídos por uma área de 240 quilômetros quadrados - Super Rádio Tupi.

Movimentação do Polo Norte.

JoCleta Wilson, 101 anos, mantém independência, mora sozinha, dirige, trabalha, e desistiu da aposentadoria 3 vezes. Superidosa tem um conselho valioso: 'Sempre digo que você não precisa se preocupar com coisas pequenas. Não se preocupe. Não deixe tudo te deixar com raiva. A raiva tira muita energia e muitas coisas boas da vida'.



CANETAS EMAGRECEDORAS E PERDA MUSCULAR

 Cuidados ao usar as canetas emagrecedoras.

29/08/2026

PROVÉRBIO TUPI: ATENÇÃO AO PRESENTE

 Provérbio tupi que ainda circula no interior do Amazonas: "Quem caminha na mata sem olhar para o chão perde a cobra e o caminho", a lição sobre atenção ao presente que vale mais do que qualquer app de meditação.

CIÊNCIA: FÓSSEIS DE TUBARÕES NO DESERTO, AUTISMO E EVOLUÇÃO DO CÉREBRO HUMANO

 Tubarões no deserto: como fósseis de nadadores foram parar em locais áridos no norte da África | CNN Brasil.

Autismo pode ser um efeito colateral da evolução do cérebro humano; entenda | CNN Brasil.

OSCAR WILDE E O AMOR PRÓPRIO

 Frase de Oscar Wilde sobre amor-próprio: “Amar a si mesmo é o começo de um romance que durará a vida inteira.” Uma reflexão sobre aprender a conviver consigo mesmo - Super Rádio Tupi.

MONTESSORI E O SUCESSO DO PROFESSOR

 Maria Montessori, educadora italiana: “A maior indicação de sucesso de um professor é poder dizer: as crianças estão trabalhando como se eu não existisse” - Olhar Digital.

FILÓSOFOS: KANT E A CONSCIÊNCIA, SÓCRATES E A EDUCAÇÃO PARA A VIDA

 Immanuel Kant, filósofo reconhecido por ideias sobre dever e consciência: “Se você castigar um menino por ser mau e o recompensar por ser bom, ele só fará a coisa certa pela recompensa” - Oeste Geral.

Sócrates, filósofo grego, sobre educação: "Educar não é preparar para uma carreira ou para a vida, mas sim temperar a alma para as dificuldades da vida." - Olhar Digital.


23/08/2026

DIA DE FOLGA DAS MULHERES

 Em 24 de outubro de 1975, a Islândia descobriu o que aconteceria se as mulheres simplesmente parassem de trabalhar por um único dia.

O país praticamente parou.
Naquela sexta-feira, as mulheres não apenas deixaram escritórios, fábricas, lojas e escolas.
Também pararam de cozinhar, limpar e cuidar das crianças em casa.
As organizadoras estimaram que cerca de 90% das mulheres islandesas participaram.
O movimento ficou conhecido como **Kvennafrídagurinn**, o **Dia de Folga das Mulheres**.
A escolha da palavra “folga” não foi por acaso.
A ideia de uma greve feminina poderia parecer radical demais para algumas trabalhadoras e até colocar seus empregos em risco.
Mas tirar um dia de folga era diferente.
E funcionou.
Em Reykjavík, cerca de 25 mil pessoas se reuniram no centro da cidade.
A Islândia tinha, naquela época, uma população de aproximadamente 220 mil habitantes.
Era uma multidão gigantesca para um país tão pequeno.
Enquanto as mulheres ouviam discursos, cantavam e exigiam maior igualdade, as consequências de sua ausência começavam a ser sentidas em todo o país.
Creches fecharam.
Escolas deixaram de funcionar.
Grandes lojas tiveram que fechar as portas.
Fábricas de processamento de pescado precisaram interromper suas atividades, já que uma parcela significativa de seus funcionários era formada por mulheres.
Muitos pais apareceram no trabalho acompanhados dos próprios filhos, porque as mães também não assumiriam os cuidados das crianças naquele dia.
De repente, tarefas que normalmente aconteciam silenciosamente se tornaram impossíveis de ignorar.
E era exatamente isso que as organizadoras queriam demonstrar.
O trabalho das mulheres não terminava quando elas saíam de uma fábrica ou de um escritório.
Ele continuava dentro de casa.
E quando todo esse trabalho desaparecia ao mesmo tempo, mesmo que por algumas horas, a rotina de um país inteiro começava a parar.
O dia terminou.
As mulheres voltaram aos seus empregos e às suas casas.
Mas a Islândia havia testemunhado algo que não poderia mais deixar de enxergar.
Um ano depois, em 1976, entrou em vigor a primeira legislação islandesa que estabelecia claramente a igualdade de direitos entre mulheres e homens e criava mecanismos institucionais para promovê-la.
E cinco anos depois aconteceu outro momento histórico.
Em 29 de junho de 1980, os islandeses elegeram Vigdís Finnbogadóttir como presidente.
Ela se tornou a primeira mulher do mundo eleita democraticamente como chefe de Estado.
O Dia de Folga de 1975 não resolveu imediatamente todas as desigualdades existentes na Islândia.
Mas conseguiu algo extraordinariamente difícil:
**tornar visível, em apenas algumas horas, o quanto uma sociedade inteira dependia de um trabalho que muitas vezes era tratado como se fosse invisível.**
Naquele dia, as mulheres islandesas não desapareceram.
**Elas simplesmente pararam.
E, quando pararam, um país inteiro percebeu o quanto precisava delas.**
**Texto por Estudos Históricos**

O PROGRESSO TECNOLÓGICO E A ESTUPIDIFICAÇÃO DA ESPÉCIE

 Artigo da jornalista portuguesa Mafalda Anjos na 'Folha de S. Paulo' de 19 de agosto, p. A8.


A ESTUPIDIFICAÇÃO DA ESPÉCIE
O progresso tecnológico avança enquanto o homem embrutece. 

Deparei-me, há dias, com um vídeo surreal na Casa Branca que parecia uma cena de um filme de David Lynch. Enquanto Donald Trump, sentado na escrivaninha onde grandes presidentes fizeram História, dormia de cabeça inclinada, o negacionista responsável pela pasta da saúde, Robert F. Kennedy Jr., anunciava, tremendo descontroladamente, o fim do calendário de vacinação aperfeiçoado e estudado há décadas pela melhor ciência.

Ao lado, remexia-se e afagava a barriga grávida a ativista Jayme Franklin, fundadora da marca The Conservateur, que pretende formar jovens mulheres conservadoras cristãs para cumprirem o papel pleno de mães, adotarem a modéstia sexual e rejeitarem o feminismo. Veio à minha memória o absurdo pronunciamento de março de 2020, quando Bolsonaro se referiu à Covid-19 como uma "gripezinha" e atacou as medidas de emergência sanitária, conduzindo o país a mais de 716 mil mortes oficiais.

Não sabia se ria ou se chorava, enquanto me perguntava: como chegamos aqui? Como tanta gente escolhe andar para trás —para a ignorância, para a boçalidade, para a doença, para a desumanização, para a menorização das mulheres… para a imbecilidade?

Fui em busca de respostas, estudar o que dizem antropólogos e geneticistas sobre a evolução da espécie humana, com a famosa ilustração na cabeça "A Marcha do Progresso", que mostra os estágios do primata até ao Homo sapiens sapiens, à qual eu acrescentaria, o novo homem estúpido do século 21, de celular na mão.

Não fui longe: os cientistas garantem que, em termos genéticos, a evolução da espécie não tem uma direção e não segue necessariamente "para a frente". Volto-me para os historiadores e sociólogos que estudaram momentos de colapsos e retrocessos civilizacionais e culturais. Veja-se o que aconteceu com o fim da Idade do Bronze; o desmoronar do mundo maia clássico no continente americano; a idade das trevas na Idade Média, depois das sofisticadas civilizações gregas e romanas antigas na Europa; ou a desumanização absoluta, no século 20, com o Holocausto nazista, o stalinismo na URSS ou o Khmer Vermelho no Camboja.

Não me restam muitas dúvidas: hoje, enquanto o progresso tecnológico avança a uma velocidade vertiginosa, com o digital e a inteligência artificial a trilharem um caminho desenfreado em direção sabe-se lá para onde, o homem embrutece e estupidifica, desprotegendo-se e atentando permanentemente contra os próprios interesses. Parece que à medida que nos afastamos da natureza, perdemos o instinto de autopreservação. Afinal, que outra espécie animal escolheria como líderes os elementos mais impreparados, egoístas e ignorantes?

Dou por mim a pensar nos meus quatro filhos entre os 12 e os 23 anos e o que os espera nos próximos tempos. (Sim, sou uma mulher progressista que leva muito a sério o seu papel de mãe. Não, isso não tem nada de contraditório.) Quando tinha a idade deles, o mundo parecia avançar, sem recuo, para o progresso e o bem comum: paz, democracia, conhecimento, desenvolvimento econômico. Hoje, o sentimento é agridoce. É preciso mesmo ser um atrevido otimista para continuar a ter esperança de que vai correr tudo bem.

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