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12/09/2026

FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA

Ela nasceu neta do último rei da Baviera e terminou seus dias no Brasil como a mulher que, em outra realidade política, poderia ter usado a coroa de imperatriz do Brasil. Em 9 de setembro de 1914, enquanto a Europa mergulhava na Primeira Guerra Mundial, nascia no Palácio de Nymphenburg, em Munique, a princesa Maria Elisabeth Franziska Josepha Therese da Baviera, uma Wittelsbach que décadas mais tarde uniria seu destino ao dos descendentes da princesa Isabel.

 Maria Elisabeth era filha do príncipe Franz da Baviera e da princesa Isabella Antonie de Croÿ e neta paterna de Ludwig III, o último rei da Baviera. Seu nascimento ocorreu, portanto, dentro de uma monarquia ainda viva: seu avô ocupava o trono bávaro desde 1913, mas a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e a revolução de 1918 encerrariam o reinado dos Wittelsbach. Quando Maria Elisabeth tinha apenas quatro anos, a coroa que parecera parte natural de sua infância havia desaparecido.

 Curiosamente, ela também possuía uma ligação de sangue com uma das mulheres mais célebres da história dos Wittelsbach: a imperatriz Elisabeth da Áustria, a lendária Sissi. O parentesco era distante, mas perfeitamente identificável. Ludovika da Baviera, mãe de Sissi, era meia-irmã do rei Ludwig I da Baviera. Ludwig I, por sua vez, foi pai do príncipe-regente Luitpold, bisavô de Maria Elisabeth. Assim, Sissi era prima-irmã de Luitpold; genealogicamente, Maria Elisabeth e a famosa imperatriz austríaca eram primas de primeiro grau separadas por três gerações.

 A conexão de Maria Elisabeth com o Brasil começou em 19 de agosto de 1937, quando, aos 22 anos, ela se casou na capela do Palácio de Nymphenburg com o príncipe Pedro Henrique de Orléans e Bragança. Ele era bisneto de D. Pedro II e neto da princesa Isabel através do príncipe Luís de Orléans e Bragança. Para os partidários do chamado ramo de Vassouras, Pedro Henrique era, desde a morte da princesa Isabel em 1921, o chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro dinástico do trono extinto.

 A partir daquele casamento, D. Maria Isabel da Baviera passou a ocupar uma posição singular dentro da tradição dinástica brasileira. Essa posição, contudo, não era consensual. A sucessão defendida pelo ramo de Vassouras baseava-se na renúncia feita em 1908 por Pedro de Alcântara, filho mais velho da princesa Isabel, antes de seu casamento com Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz. Décadas depois, seus descendentes do chamado ramo de Petrópolis contestariam a validade e o alcance dessa renúncia. Por isso, qualquer afirmação de que D. Maria Isabel teria sido necessariamente imperatriz deve ser acompanhada dessa ressalva: caso a monarquia brasileira tivesse sido restaurada sob a linha sucessória reconhecida pelo ramo de Vassouras, Pedro Henrique seria considerado imperador e D. Maria Isabel, sua imperatriz-consorte.

 O casamento produziu uma família extraordinariamente numerosa para os padrões das casas reais do século XX: foram doze filhos. Impedidos pela Segunda Guerra Mundial de se estabelecer imediatamente no Brasil, Pedro Henrique e D. Maria Isabel somente conseguiram transferir definitivamente a família para o país em 1945. Passaram inicialmente por Petrópolis e, mais tarde, pela Fazenda Santa Maria, em Jacarezinho, no Paraná, antes de se estabelecerem em Vassouras, cidade profundamente ligada à memória do Império brasileiro.

 Ali, D. Maria Isabel da Baviera construiu uma vida muito diferente daquela sugerida pelos palácios de sua infância. Nascida entre os Wittelsbach, neta de um rei e aparentada com Sissi, tornou-se a matriarca de uma extensa família brasileira, vivendo durante décadas num país que já não possuía trono, mas onde seus descendentes continuaram representando uma das interpretações da sucessão imperial.

 Pedro Henrique morreu em 5 de julho de 1981. D. Maria Isabel permaneceu viúva durante quase trinta anos e viu seu filho mais velho, Luiz, assumir a chefia do ramo de Vassouras. Ela faleceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 2011, aos 96 anos — justamente em uma data carregada de simbolismo para a família em que ingressara pelo casamento: o aniversário da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888. No dia seguinte, foi sepultada em Vassouras, ao lado da família que fizera do Brasil sua segunda pátria.

 D. Maria Isabel da Baviera jamais foi imperatriz, assim como seu marido jamais ocupou um trono. Ainda assim, sua trajetória reuniu duas monarquias desaparecidas: nasceu sob a sombra da coroa dos Wittelsbach na Baviera e tornou-se esposa do homem que uma importante corrente monarquista brasileira reconhecia como herdeiro da coroa dos Bragança. Entre Nymphenburg e Vassouras, sua vida atravessou guerras, quedas de dinastias, exílio e mudanças de continente — uma princesa europeia cuja história terminou profundamente ligada ao último capítulo ainda vivo da tradição imperial brasileira.

 Texto: Renato Drummond Tapioca Neto 

  

RACISMO NA ESCOLA

 Um episódio em uma turma do 9º ano terminou com o professor registrando um Boletim de Ocorrência durante a aula. Um grupo de alunos chamava uma colega negra de “Zé Gotinha da Petrobras”. Enquanto eles riam e insistiam nas provocações, a adolescente chorava.


O professor interrompeu a matéria, conectou o notebook ao datashow, acessou o serviço eletrônico da Polícia Civil e registrou, diante da turma, um B.O. relatando o ocorrido. Depois, projetou informações sobre racismo e suas possíveis consequências jurídicas.

O riso acabou. Alguns estudantes ficaram desesperados e mães procuraram a escola acusando o professor de constrangê-los e fazer “terrorismo psicológico” com adolescentes que, segundo elas, “não estavam fazendo nada demais”.

A pedido do professor, escola e rede de ensino não serão identificadas, seguindo orientação jurídica recebida junto ao sindicato da categoria.

O caso chama atenção para o preconceito recreativo presente nas escolas: racismo, gordofobia, homofobia e outras humilhações transformadas em apelidos, memes e “brincadeiras”.

Quando o B.O. apareceu no telão, o riso acabou. Os adolescentes perceberam que seus atos poderiam ter consequências concretas. Dependendo da apuração e da idade, podem existir medidas socioeducativas previstas em lei, como prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida, além de possíveis repercussões civis, inclusive reparação pelos danos causados à vítima.

Ser menor de idade não significa viver em um mundo sem consequências.

Estar ao lado de um filho quando ele erra não é transformar quem estabeleceu o limite em culpado. É ajudá-lo a compreender a gravidade do que fez e assumir as consequências.

Porque naquela sala havia adolescentes precisando aprender que racismo não vira brincadeira só porque alguém riu. E havia uma menina chorando, precisando que algum adulto finalmente dissesse: chega.

#educação #escola #pedagogia #professor #professora

IMIGRAÇÃO E PERDA DA HUMANIDADE

Como prometi ontem, vou falar sobre o post que fiz colhendo opiniões da Direita sobre a questão dos Imigrantes. 

Li todos os comentários, e outra vez agradeço a todos que foram de forma educada e responderam a questão. Gostaria que os colegas da esquerda também mantivessem a mesma postura, a conversa foi bastante civilizada no outro post, e o convite foi meu, eu queria entender o ponto deles. 

O que observei em todos os comentários foi a predominância da visão pontual. Parece muito simples: Nenhum país conseguiria suportar a miséria do mundo. Deixar entrar imigrantes é atrair pobres, desordem e violência. Porque obviamente não estávamos falando sobre os imigrantes legais como os EUA importam da China, Índia e demais países desde que sejam graduados e se destaquem nas suas áreas de atuação. Falávamos dos que chegam sem nada, fugindo de lugares sem esperança, muitas vezes com filhos pequenos e no máximo uma trouxa de roupas. E é mesmo um fato. Nenhum país do mundo tem estrutura para a livre imigração.

Já comentei num post sobre um livro que li mais ou menos aos 12 anos: "Uma casa na campina", que foi adaptado recentemente para a série (Netflix) "Uma casa na pradaria". Essa série mostra uma família branca e pobre imigrando para o interior dos EUA por volta de 1870. Eles imaginavam estar chegando em uma terra doada pelo governo, mas descobrem que essas terras eram complicadas, os índios expulsavam quem chegasse lá, porque (assim como nós atualmente) entendiam que aquelas terras eram deles. Eles é que nasceram lá, era o lugar onde seus antepassados foram enterrados, e não aceitavam o roubo de suas terras pelos  imigrantes. 

Parece que o problema não é novo. Os palestinos viveram o mesmo com a chegada dos judeus e deu no que deu. Devemos sim temer o nosso destino com tais imigrações. 

O que percebi como traço comum é que as posições da direita em momento algum tem a preocupação de quem são esses imigrantes, para onde eles irão se forem expulsos, qual a relação com a exploração econômica das grandes potências contra os países pobres, para onde eles vão fugir da miséria, dos bombardeios e da fome insuflada sobre os países pobres pelos ricos. 

Ninguém sai da sua terra e vai para outro país a esmo. A realidade da maioria dos imigrantes é uma fuga da fome e da miséria na tentativa de dar uma vida minimamente digna aos filhos. 

Atualmente, 24 países africanos estão em conflito armado, e as armas são americanas, conflitos insuflados pelos EUA que tem quase 800 bases aéreas espalhadas pelo mundo. 

Se alguém analisa uma foto, pode ter ideia errada do momento. Sem olhar o passado e contexto, questões complexas se tornam muito simples. Alguém lá chegou a dizer que quando eu perdesse o meu emprego eu entenderia. Ou seja... 

... É um olhar egoísta, isso ninguém pode negar. 

E a única verdade sobre isso é que não há resposta, não há solução, mas se todos enxergassem as causas, haveria uma revolta contra os exploradores, e não contra os imigrantes. 

O que mais surpreende é que não há tristeza em quase nenhum dos que se declaram defensores do fechamento de fronteiras e expulsão dos ilegais. 

É como se, depois de colocados para fora, ou impedidos de entrar, eles desaparecessem, ou não dissessem respeito a nós. 

Essa coisa de pensar só no hoje e só em nós ou no nosso país... São humanos perambulando em busca de um lugar para se alimentar e viver, como meu bisavô português e minha bisavó holandesa, apenas não são mais os brancos que precisam migrar como os poloneses e inglêses que foram parar nos EUA, ou os europeus que vieram durante a segunda guerra mundial e no pós guerra. 

Nem sempre e nem tudo é apenas sobre nós. 

Eu também queria compartilhar com vocês esse meu ponto de vista com vocês. 

Podemos não ter solução, mas como não ter angústia e simplificar a solução, fechando fronteiras e ignorando o que se passa do lado de fora? 

Perder a humanidade em nós para preservar um país? Seria essa a resposta? Penso que não.

CIÊNCIA: ORGANISMO DA ERA DO GELO, COLÔNIA SOB O GELO DA ANTÁRTIDA, MOVIMENTAÇÃO DO POLO NORTE, IDOSA INDEPENDENTE DE 101 ANOS

 Organismo da Era do Gelo desperta após 24 mil anos no permafrost da Sibéria e se reproduz ao ser descongelado por cientistas.

Robô enviado sob o gelo da Antártida encontra uma colônia gigantesca com 60 milhões de ninhos de peixes distribuídos por uma área de 240 quilômetros quadrados - Super Rádio Tupi.

Movimentação do Polo Norte.

JoCleta Wilson, 101 anos, mantém independência, mora sozinha, dirige, trabalha, e desistiu da aposentadoria 3 vezes. Superidosa tem um conselho valioso: 'Sempre digo que você não precisa se preocupar com coisas pequenas. Não se preocupe. Não deixe tudo te deixar com raiva. A raiva tira muita energia e muitas coisas boas da vida'.



CANETAS EMAGRECEDORAS E PERDA MUSCULAR

 Cuidados ao usar as canetas emagrecedoras.

29/08/2026

PROVÉRBIO TUPI: ATENÇÃO AO PRESENTE

 Provérbio tupi que ainda circula no interior do Amazonas: "Quem caminha na mata sem olhar para o chão perde a cobra e o caminho", a lição sobre atenção ao presente que vale mais do que qualquer app de meditação.

CIÊNCIA: FÓSSEIS DE TUBARÕES NO DESERTO, AUTISMO E EVOLUÇÃO DO CÉREBRO HUMANO

 Tubarões no deserto: como fósseis de nadadores foram parar em locais áridos no norte da África | CNN Brasil.

Autismo pode ser um efeito colateral da evolução do cérebro humano; entenda | CNN Brasil.

OSCAR WILDE E O AMOR PRÓPRIO

 Frase de Oscar Wilde sobre amor-próprio: “Amar a si mesmo é o começo de um romance que durará a vida inteira.” Uma reflexão sobre aprender a conviver consigo mesmo - Super Rádio Tupi.

MONTESSORI E O SUCESSO DO PROFESSOR

 Maria Montessori, educadora italiana: “A maior indicação de sucesso de um professor é poder dizer: as crianças estão trabalhando como se eu não existisse” - Olhar Digital.

FILÓSOFOS: KANT E A CONSCIÊNCIA, SÓCRATES E A EDUCAÇÃO PARA A VIDA

 Immanuel Kant, filósofo reconhecido por ideias sobre dever e consciência: “Se você castigar um menino por ser mau e o recompensar por ser bom, ele só fará a coisa certa pela recompensa” - Oeste Geral.

Sócrates, filósofo grego, sobre educação: "Educar não é preparar para uma carreira ou para a vida, mas sim temperar a alma para as dificuldades da vida." - Olhar Digital.


23/08/2026

DIA DE FOLGA DAS MULHERES

 Em 24 de outubro de 1975, a Islândia descobriu o que aconteceria se as mulheres simplesmente parassem de trabalhar por um único dia.

O país praticamente parou.
Naquela sexta-feira, as mulheres não apenas deixaram escritórios, fábricas, lojas e escolas.
Também pararam de cozinhar, limpar e cuidar das crianças em casa.
As organizadoras estimaram que cerca de 90% das mulheres islandesas participaram.
O movimento ficou conhecido como **Kvennafrídagurinn**, o **Dia de Folga das Mulheres**.
A escolha da palavra “folga” não foi por acaso.
A ideia de uma greve feminina poderia parecer radical demais para algumas trabalhadoras e até colocar seus empregos em risco.
Mas tirar um dia de folga era diferente.
E funcionou.
Em Reykjavík, cerca de 25 mil pessoas se reuniram no centro da cidade.
A Islândia tinha, naquela época, uma população de aproximadamente 220 mil habitantes.
Era uma multidão gigantesca para um país tão pequeno.
Enquanto as mulheres ouviam discursos, cantavam e exigiam maior igualdade, as consequências de sua ausência começavam a ser sentidas em todo o país.
Creches fecharam.
Escolas deixaram de funcionar.
Grandes lojas tiveram que fechar as portas.
Fábricas de processamento de pescado precisaram interromper suas atividades, já que uma parcela significativa de seus funcionários era formada por mulheres.
Muitos pais apareceram no trabalho acompanhados dos próprios filhos, porque as mães também não assumiriam os cuidados das crianças naquele dia.
De repente, tarefas que normalmente aconteciam silenciosamente se tornaram impossíveis de ignorar.
E era exatamente isso que as organizadoras queriam demonstrar.
O trabalho das mulheres não terminava quando elas saíam de uma fábrica ou de um escritório.
Ele continuava dentro de casa.
E quando todo esse trabalho desaparecia ao mesmo tempo, mesmo que por algumas horas, a rotina de um país inteiro começava a parar.
O dia terminou.
As mulheres voltaram aos seus empregos e às suas casas.
Mas a Islândia havia testemunhado algo que não poderia mais deixar de enxergar.
Um ano depois, em 1976, entrou em vigor a primeira legislação islandesa que estabelecia claramente a igualdade de direitos entre mulheres e homens e criava mecanismos institucionais para promovê-la.
E cinco anos depois aconteceu outro momento histórico.
Em 29 de junho de 1980, os islandeses elegeram Vigdís Finnbogadóttir como presidente.
Ela se tornou a primeira mulher do mundo eleita democraticamente como chefe de Estado.
O Dia de Folga de 1975 não resolveu imediatamente todas as desigualdades existentes na Islândia.
Mas conseguiu algo extraordinariamente difícil:
**tornar visível, em apenas algumas horas, o quanto uma sociedade inteira dependia de um trabalho que muitas vezes era tratado como se fosse invisível.**
Naquele dia, as mulheres islandesas não desapareceram.
**Elas simplesmente pararam.
E, quando pararam, um país inteiro percebeu o quanto precisava delas.**
**Texto por Estudos Históricos**

O PROGRESSO TECNOLÓGICO E A ESTUPIDIFICAÇÃO DA ESPÉCIE

 Artigo da jornalista portuguesa Mafalda Anjos na 'Folha de S. Paulo' de 19 de agosto, p. A8.


A ESTUPIDIFICAÇÃO DA ESPÉCIE
O progresso tecnológico avança enquanto o homem embrutece. 

Deparei-me, há dias, com um vídeo surreal na Casa Branca que parecia uma cena de um filme de David Lynch. Enquanto Donald Trump, sentado na escrivaninha onde grandes presidentes fizeram História, dormia de cabeça inclinada, o negacionista responsável pela pasta da saúde, Robert F. Kennedy Jr., anunciava, tremendo descontroladamente, o fim do calendário de vacinação aperfeiçoado e estudado há décadas pela melhor ciência.

Ao lado, remexia-se e afagava a barriga grávida a ativista Jayme Franklin, fundadora da marca The Conservateur, que pretende formar jovens mulheres conservadoras cristãs para cumprirem o papel pleno de mães, adotarem a modéstia sexual e rejeitarem o feminismo. Veio à minha memória o absurdo pronunciamento de março de 2020, quando Bolsonaro se referiu à Covid-19 como uma "gripezinha" e atacou as medidas de emergência sanitária, conduzindo o país a mais de 716 mil mortes oficiais.

Não sabia se ria ou se chorava, enquanto me perguntava: como chegamos aqui? Como tanta gente escolhe andar para trás —para a ignorância, para a boçalidade, para a doença, para a desumanização, para a menorização das mulheres… para a imbecilidade?

Fui em busca de respostas, estudar o que dizem antropólogos e geneticistas sobre a evolução da espécie humana, com a famosa ilustração na cabeça "A Marcha do Progresso", que mostra os estágios do primata até ao Homo sapiens sapiens, à qual eu acrescentaria, o novo homem estúpido do século 21, de celular na mão.

Não fui longe: os cientistas garantem que, em termos genéticos, a evolução da espécie não tem uma direção e não segue necessariamente "para a frente". Volto-me para os historiadores e sociólogos que estudaram momentos de colapsos e retrocessos civilizacionais e culturais. Veja-se o que aconteceu com o fim da Idade do Bronze; o desmoronar do mundo maia clássico no continente americano; a idade das trevas na Idade Média, depois das sofisticadas civilizações gregas e romanas antigas na Europa; ou a desumanização absoluta, no século 20, com o Holocausto nazista, o stalinismo na URSS ou o Khmer Vermelho no Camboja.

Não me restam muitas dúvidas: hoje, enquanto o progresso tecnológico avança a uma velocidade vertiginosa, com o digital e a inteligência artificial a trilharem um caminho desenfreado em direção sabe-se lá para onde, o homem embrutece e estupidifica, desprotegendo-se e atentando permanentemente contra os próprios interesses. Parece que à medida que nos afastamos da natureza, perdemos o instinto de autopreservação. Afinal, que outra espécie animal escolheria como líderes os elementos mais impreparados, egoístas e ignorantes?

Dou por mim a pensar nos meus quatro filhos entre os 12 e os 23 anos e o que os espera nos próximos tempos. (Sim, sou uma mulher progressista que leva muito a sério o seu papel de mãe. Não, isso não tem nada de contraditório.) Quando tinha a idade deles, o mundo parecia avançar, sem recuo, para o progresso e o bem comum: paz, democracia, conhecimento, desenvolvimento econômico. Hoje, o sentimento é agridoce. É preciso mesmo ser um atrevido otimista para continuar a ter esperança de que vai correr tudo bem.

CUIDADOS COM SUPERDOTADOS

 Criança com QI de 132: especialistas alertam para cuidados com superdotados | CNN Brasil.


SOCIOLOGIA E COMPORTAMENTO: DINHEIRO E FELICIDADE, DISTÂNCIA E SOLIDÃO, PLANOS DE LONGO PRAZO, ESCOLAS DE EXCELÊNCIA, VIRGINIA WOOLF E A LIBERDADE DA MENTE

 Daniel Kahneman, psicólogo e ganhador do Prêmio Nobel de Economia: 'O dinheiro não compra a felicidade, mas a falta de dinheiro sim, compra a miséria' - Purepeople.

Frase de Henry David Thoreau, sobre a solidão emocional: 'A solidão não se mede pelos quilômetros de distância entre um homem e outro' - Purepeople.

Provérbio chinês do dia: "Se seus planos são para um ano, plante arroz; se são para dez anos, plante árvores; se são para cem anos, eduque as crianças" — um ditado que ensina sobre visão de longo prazo e como devemos escolher o que plantar conforme o tempo que queremos colher - Super Rádio Tupi.

“20 anos atrás, eu teria matriculado minha filha nas melhores escolas; hoje, acho que isso não importa mais”, diz Ben Mann, cofundador da Anthropic.

Virginia Woolf, escritora britânica, sobre liberdade: “Não existe barreira, fechadura ou ferrolho capaz de aprisionar a liberdade da minha mente” - Oeste Geral.


DITADURA MILITAR

 A estudante Sylvia Montarroyos tinha apenas 17 anos quando foi presa pelo regime militar por distribuir um jornal com conteúdo “subversivo” e alfabetizar lavradores. Desacordada, recebia soro na ala feminina do Manicômio da Tamarineira, no Recife. Os “olhos diabolicamente ingênuos”, como descreveu o delegado que a prendera, estavam fechados. 


Media 1,55 m e pesava menos de 30 kg. Os cabelos longos tinham sido raspados em um quartel do Exército. No braço esquerdo, uma das queimaduras de cigarro que marcavam sua pele tinha infeccionado e cheirava a carne podre.

Sylvia de Montarroyos escreveu o livro de memórias ‘Réquiem por Tatiana’. O drama vivido pela ativista é relatado nas mais de 400 páginas do livro. Segundo Sylvia, a obra relata suas memórias desde 2 de novembro de 1964, quando foi presa, até o momento em que saiu do Brasil, quase dois anos depois.

“Durante este tempo, fui brutalmente torturada em vários quartéis de Pernambuco e cheguei a ser internada no Hospital Psiquiátrico Ulysses Pernambucano, que na época era Hospital da Tamarineira, onde fiquei por cerca de 10 meses. Cheguei lá pesando 23 quilos. O tratamento da época era à base de choques elétricos e drogas, mas mesmo assim consegui me recuperar um pouco. Então fui para a casa dos meus pais, mas fiquei só uma semana lá, pois os militares expediram mais um mandato de prisão. Fugi do Recife, passei um tempo no Rio de Janeiro e em São Paulo e, depois, fui para o Uruguai”, relatou Sylvia de Montarroyos.

A Ditadura Militar no Brasil teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente democraticamente eleito no país, e durou entre os anos de 1964 e 1985.

15/08/2026

MARIGHELA

 

CARLOS MARIGHELLA: O HOMEM QUE PASSOU DA POLÍTICA À LUTA ARMADA E SE TORNOU O INIMIGO Nº 1 DA DITADURA

 📜 Carlos Marighella (1911–1969) é uma das figuras mais controversas e importantes para compreender a história política brasileira do século XX. Para alguns, foi um símbolo da resistência à ditadura; para outros, um dirigente revolucionário que optou pela luta armada e pela violência política. A documentação histórica permite compreender sua trajetória sem transformar o personagem em mito — nem apagar seus atos.

🔎 Quem foi Carlos Marighella?

Carlos Marighella nasceu em 5 de dezembro de 1911, em Salvador, Bahia, filho de Augusto Marighella e Maria Rita do Nascimento Marighella. Era descendente de italiano pelo lado paterno e de uma mulher negra descendente de africanos escravizados pelo lado materno.

Desde jovem demonstrou interesse por política, literatura e poesia. Estudou Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia, mas não concluiu o curso. Ainda muito jovem, aproximou-se do movimento comunista e passou a atuar politicamente.

Sua primeira prisão ocorreu em 1932, quando tinha apenas 20 anos. Durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, voltou a ser perseguido e preso. Segundo os registros históricos, passou anos encarcerado e sofreu violência e tortura durante suas detenções.

 ⚒️ O militante comunista

Marighella ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e tornou-se um de seus principais dirigentes.

Após a redemocratização de 1945, foi eleito deputado federal constituinte pela Bahia pelo PCB. Entretanto, a legalidade do partido duraria pouco. Em 1947, o registro do PCB foi cancelado e, em 1948, os mandatos dos parlamentares comunistas foram cassados.

Marighella voltou então à clandestinidade.

Durante as décadas seguintes, manteve intensa atividade política. Em 1953 e 1954, esteve na China a convite do PCB, em uma viagem destinada a conhecer a experiência da Revolução Chinesa.

🇧🇷 1964: o golpe militar muda definitivamente sua trajetória

O golpe de 31 de março/1º de abril de 1964 marcou uma nova fase.

Em maio daquele ano, Marighella foi localizado por agentes do DOPS dentro de um cinema no Rio de Janeiro. Foi baleado e preso.

Libertado posteriormente por decisão judicial, passou a defender uma oposição cada vez mais radical ao regime.

As divergências com a direção do PCB se aprofundaram. Marighella defendia uma estratégia de enfrentamento que a direção partidária não aceitava.

Em 1967, foi expulso do PCB.

No ano seguinte, ajudou a organizar a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma das principais organizações da luta armada contra a ditadura brasileira.

 🔴 A ALN e a luta armada

A partir de 1968, a trajetória de Marighella entrou definitivamente no terreno da guerrilha urbana.

A ALN realizou ações para obtenção de recursos, incluindo assaltos a bancos e outras operações armadas. O grupo também participou de ações de grande repercussão internacional.

Uma das mais conhecidas aconteceu em setembro de 1969, quando integrantes da ALN, em conjunto com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sequestraram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick.

O objetivo era pressionar o governo pela libertação de presos políticos. Ao final da operação, 15 presos políticos foram libertados e enviados para o México.

📕 O "Minimanual do Guerrilheiro Urbano"

Marighella também se tornou conhecido internacionalmente por seus escritos sobre guerrilha.

Seu "Minimanual do Guerrilheiro Urbano", produzido em 1969, circulou clandestinamente e acabou traduzido para diferentes idiomas. O texto apresentava princípios e métodos de atuação da guerrilha urbana.

A obra tornou Marighella uma referência internacional para movimentos revolucionários, mas também fez dele um dos principais alvos dos órgãos de segurança brasileiros.

 ⚠️ As cápsulas de cianureto

É aqui que surge uma das histórias mais conhecidas sobre seus últimos meses.

Documentos do Centro de Informações do Exército (CIE) registraram que Marighella carregava consigo duas cápsulas de uma substância posteriormente identificada como cianureto. O próprio acervo do Ministério Público Federal reproduz essa informação a partir do Relatório Especial de Informações nº 9/69.

A explicação histórica mais aceita é que Marighella carregava o veneno como recurso extremo para evitar ser capturado vivo e submetido novamente à prisão e à tortura.

Isso fazia sentido dentro da experiência que havia acumulado em décadas de perseguição política e encarceramento.

Mas há uma distinção importante: os documentos comprovam a existência das cápsulas; a intenção específica de utilizá-las naquela noite é reconstruída a partir de depoimentos, documentos e pesquisas posteriores.

💥 4 DE NOVEMBRO DE 1969: A EMBOSCADA

Na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella dirigiu-se à Alameda Casa Branca, em São Paulo.

Os órgãos de repressão haviam preparado uma operação para capturá-lo.

Informações obtidas durante a repressão aos seus colaboradores permitiram localizar o ponto de encontro.

Marighella entrou em um Fusca onde estavam os frades dominicanos Ivo e Fernando.

A operação policial começou imediatamente.

Marighella foi atingido por vários disparos e morreu aos 57 anos.

Durante muito tempo, a versão oficial sustentou que ele havia morrido em um tiroteio com agentes do DOPS.

Mas essa versão passou a ser contestada por documentos, perícias e investigações posteriores.

 📂 A documentação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos registrou que Marighella foi atingido por um disparo na aorta à queima-roupa e apontou inconsistências na versão oficial apresentada pelos órgãos de segurança.

O Arquivo Nacional, ao disponibilizar documentos do período, também registra a conclusão de que Marighella foi morto depois de ser dominado, e que seu corpo teria sido colocado dentro do veículo para sustentar a versão de que havia sido abatido durante uma reação armada.

A documentação posteriormente analisada também indicou que Marighella estava desarmado no momento em que foi morto, embora um revólver tenha sido posteriormente associado aos seus pertences. O conjunto documental sobre o episódio permanece fundamental para compreender as circunstâncias de sua morte.

⚖️ O Estado brasileiro reconheceu a perseguição política

A morte de Marighella não encerrou sua história.

Décadas depois, documentos oficiais e trabalhos da Comissão de Mortos e Desaparecidos contribuíram para revisar a narrativa construída pelos órgãos de repressão durante a ditadura.

Em 1996, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a responsabilidade pela morte de Marighella.

Em 2012, ele recebeu anistia política post mortem.

 📚 UM PERSONAGEM QUE NÃO CABE EM UMA FRASE

Carlos Marighella foi, ao longo de sua vida:

➡️ militante comunista;

➡️ deputado federal constituinte;

➡️ escritor e poeta;

➡️ preso político durante o Estado Novo;

➡️ opositor da ditadura militar;

➡️ dirigente da luta armada;

➡️ fundador e principal líder da ALN;

➡️ autor de textos sobre guerrilha urbana;

➡️ personagem central de um dos episódios mais emblemáticos da repressão política brasileira.

Sua história também revela as profundas divisões existentes dentro da própria esquerda brasileira durante a ditadura: enquanto setores do PCB defendiam a atuação política sem recorrer à luta armada, Marighella concluiu que a resistência deveria assumir uma dimensão militar.

Essa escolha teve consequências graves e levou a ALN a praticar ações armadas, incluindo assaltos e sequestros políticos.

Por isso, estudar Marighella exige mais do que transformá-lo em herói ou vilão.

É necessário compreender o homem, o militante, o deputado, o escritor, o guerrilheiro e o contexto histórico que o levou de uma juventude comunista na Bahia à clandestinidade e à luta armada contra uma ditadura.

 🕯️ Carlos Marighella morreu em 4 de novembro de 1969. Mas o debate sobre sua vida permanece.

Sua trajetória continua provocando uma pergunta fundamental para quem estuda a história do Brasil:

O que acontece com uma sociedade quando a disputa política deixa de ser resolvida pelas instituições e passa a ser travada pela força?

 

 

JESUS HISTÓRICO

 

JESUS: O PRESO POLÍTICO QUE MUITOS CRISTÃOS SEGUEM SEM CONHECER A HISTÓRIA

Você já percebeu uma das maiores contradições da história do cristianismo?

Milhões de pessoas dizem ser cristãs. Dizem seguir Jesus Cristo, defendem seus ensinamentos, carregam sua imagem, colocam sua cruz dentro de suas casas e até usam o nome de Jesus para defender posições políticas.

Mas será que essas pessoas realmente estudaram quem foi Jesus dentro do contexto histórico em que ele viveu?

Porque existe uma realidade que deveria fazer qualquer cristão parar por alguns minutos e pensar:

Jesus foi preso, torturado, julgado e executado pelo poder de seu tempo.

E quando digo que Jesus pode ser compreendido como um preso político, não estou dizendo que ele era político no sentido moderno, como um candidato, deputado ou militante partidário.

Estou falando de outra coisa.

Estou falando de um homem cuja mensagem entrou em choque com estruturas religiosas, sociais e políticas extremamente poderosas.

Jesus nasceu e viveu em uma região submetida ao domínio do Império Romano. A Judeia não era um país independente como conhecemos hoje. Roma exercia o poder imperial, controlava a ordem pública e possuía autoridade para aplicar determinadas formas de punição, inclusive a crucificação.

Ao mesmo tempo, existiam autoridades e instituições judaicas com enorme influência religiosa e social.

Era um mundo em que religião e poder não estavam separados como muitas pessoas imaginam atualmente.

E foi justamente nesse ambiente que apareceu Jesus anunciando algo extremamente provocador:

o Reino de Deus.

Agora pare para pensar.

Naquele mundo existia o poder de César.

Existia o Império Romano.

Existiam reis, governadores, soldados, autoridades religiosas, elites econômicas e estruturas de dominação.

E, no meio disso tudo, aparece um homem dizendo que existe um Reino que não pertence a César.

Um Reino de Deus.

Isso não significa que Jesus tenha organizado uma revolução armada contra Roma.

Não significa que tenha criado um partido político.

Não significa que pretendesse disputar o poder imperial.

Mas significa que sua mensagem colocava uma autoridade acima das autoridades humanas.

E isso, naquele contexto, não era uma mensagem politicamente neutra.

Jesus não pregava simplesmente uma religião para ser praticada dentro de quatro paredes.

Ele falava sobre pobres.

Falava sobre riqueza.

Falava sobre justiça.

Falava sobre poder.

Falava sobre hipocrisia.

Falava sobre aqueles que exploravam os outros.

Falava sobre o próximo.

Falava sobre misericórdia.

Falava sobre os marginalizados.

E, principalmente, apresentava uma maneira diferente de compreender autoridade.

Enquanto o mundo dizia que grande era aquele que dominava, Jesus ensinava que grande era aquele que servia.

Enquanto os poderosos acumulavam privilégios, Jesus colocava os pobres e excluídos no centro de sua mensagem.

Enquanto determinadas estruturas religiosas separavam pessoas entre puras e impuras, dignas e indignas como fazem os bolsonaristas, Jesus atravessava essas fronteiras e se aproximava justamente daqueles que eram rejeitados.

Isso é profundamente desafiador.

E talvez seja exatamente por isso que tanta gente hoje tenha dificuldade para compreender o Jesus histórico.

Porque é muito mais confortável transformar Jesus em um símbolo decorativo do que estudar o homem que enfrentou as estruturas de seu tempo.

Jesus não terminou sua vida em uma cama.

Terminou pregado numa cruz.

E aqui precisamos compreender o significado daquela execução.

A crucificação era uma punição romana brutal e pública. Era também uma forma de demonstração de força.

O condenado não era simplesmente morto.

Seu corpo era exposto.

A mensagem era clara:

Roma tinha poder para destruir quem fosse considerado uma ameaça à ordem estabelecida.

Jesus foi acusado, interrogado e levado diante das autoridades. O processo envolveu autoridades judaicas e romanas em um contexto de tensão política e religiosa.

E, no final, a decisão que levou à crucificação passou pelo poder romano.

Pôncio Pilatos, representante de Roma na Judeia, autorizou sua execução.

E existe um detalhe que merece atenção:

Na cruz foi colocada a identificação de Jesus como “Rei dos Judeus”.

Rei.

Essa palavra, naquele contexto, carregava um peso político que não podemos simplesmente ignorar.

Roma possuía um imperador.

Roma controlava a região.

Roma não tolerava facilmente reivindicações de soberania concorrentes.

E Jesus aparece sendo apresentado como rei.

Por isso, quando eu digo que Jesus foi um preso político, estou chamando atenção para essa dimensão histórica: um homem cuja mensagem e cuja presença foram consideradas perigosas dentro de uma ordem dominada pelo poder imperial.

Ele não precisava empunhar uma espada para ser desafiador.

Às vezes, uma ideia é mais perigosa para um sistema do que uma arma.

E Jesus tinha uma ideia extremamente poderosa:

o poder humano não era absoluto.

César não era Deus.

O Império não era eterno.

A riqueza não era medida de valor humano.

O pobre não era inferior.

O doente não era descartável.

O excluído não deveria ser abandonado.

E o próximo deveria ser amado.

Isso era uma maneira completamente diferente de olhar para o mundo.

Agora vem a parte que mais me faz refletir.

Hoje existem cristãos que defendem políticos tipo Bolsonaro como se estivessem defendendo o próprio Jesus.

Alguns transformam Jesus em símbolo de partido como muitos pastores fizeram com Bolsonaro.

Outros usam Jesus para justificar riqueza os falsos profetas.

Outros usam Jesus para justificar intolerância como fazia Bolsonaro.

Outros falam de Deus enquanto desprezam justamente aqueles que os Evangelhos apresentam como merecedores de cuidado os pobres.

E eu fico pensando:

Será que essas pessoas estudaram o homem que dizem seguir?

Porque seguir Jesus não deveria significar simplesmente repetir seu nome.

Seguir Jesus deveria significar tentar compreender seus ensinamentos.

E compreender seus ensinamentos exige conhecer o mundo em que ele viveu.

Jesus não nasceu dentro de uma democracia moderna.

Não existia Estado democrático de direito como conhecemos.

Não existiam redes sociais.

Não existiam partidos políticos modernos.

Não existia liberdade religiosa nos moldes atuais.

Existia um império.

Existiam soldados.

Existiam impostos.

Existiam desigualdades profundas.

Existiam elites.

Existiam conflitos religiosos.

Existiam pobres.

Existiam pessoas excluídas.

E foi nesse mundo que Jesus começou a anunciar:

“O Reino de Deus chegou.”

Isso é muito maior do que simplesmente dizer “acredite em Deus”.

Era apresentar uma nova maneira de enxergar a existência.

E talvez seja justamente por isso que Jesus continua sendo tão incômodo dois mil anos depois.

Porque o Jesus histórico não cabe perfeitamente na direita.

Não cabe perfeitamente na esquerda.

Não cabe em partido político.

Não pertence a presidente.

Não pertence a pastor.

Não pertence a padre.

Não pertence a empresário.

Não pertence a milionário.

Não pertence a pobre.

Jesus pertence à história.

E cada pessoa que afirma segui-lo deveria ter coragem de estudar essa história antes de usar seu nome para defender aquilo que pensa.

Porque existe uma ironia gigantesca na trajetória do cristianismo:

o homem perseguido pelo poder acabou sendo utilizado posteriormente por diferentes poderes para legitimar suas próprias autoridades.

O homem que foi humilhado na cruz acabou sendo colocado em palácios.

O homem que caminhou entre pobres acabou sendo utilizado para justificar riquezas.

O homem que falou contra a hipocrisia acabou sendo transformado em instrumento de discursos hipócritas.

O homem que foi executado pelo poder imperial acabou sendo apresentado, séculos depois, ao lado de governantes e autoridades.

E talvez seja por isso que estudar Jesus seja tão importante.

Porque acreditar sem estudar pode transformar a fé em repetição.

Mas estudar permite compreender.

E compreender pode transformar a fé em consciência.

Eu não estou dizendo que todo cristão precisa enxergar Jesus exatamente da mesma maneira que eu enxergo.

Estou dizendo que quem afirma seguir Jesus deveria, pelo menos, conhecer o contexto histórico daquele homem.

Porque antes de existir o cristianismo institucional existiu um judeu da Galileia.

Antes das catedrais existiu um homem caminhando pelas estradas.

Antes dos símbolos religiosos existiu uma mensagem.

Antes dos palácios existiu uma cruz.

E antes de ser transformado em símbolo político por diferentes grupos, Jesus foi um homem que desafiou a lógica de seu tempo anunciando que havia uma autoridade maior do que os poderes humanos:

o Reino de Deus.

Talvez essa seja a pergunta que todo cristão deveria fazer antes de dizer que é seguidor de Cristo:

“Eu realmente conheço o homem que estou dizendo que sigo?”

Porque carregar uma cruz no pescoço é fácil.

Difícil é compreender por que aquele homem terminou pregado nela.

E talvez compreender isso seja o primeiro passo para entender o verdadeiro tamanho do desafio que Jesus representou para o mundo em que viveu.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André Negrão.

 

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