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02/07/2026

FESTAS JUNINAS NO CURRÍCULO ESCOLAR (NOVA ESCOLA)

 

Muito além das bandeirinhas, das comidas típicas e da quadrilha, a Festa Junina é uma oportunidade para valorizar as tradições regionais e promover aprendizagens em diferentes componentes curriculares

 

Por isso, o time da Nova Escola reuniu conteúdos que podem ajudar você a enriquecer as atividades com a turma.

Acesso o guia da festa junina

🌽 A origem da Festa Junina
Você sabe de onde vem essa celebração? Descubra junto com seus alunos como a festa surgiu, quais influências culturais ajudaram a moldá-la e como ela se tornou uma das manifestações mais populares do Brasil.

🎶 Tradições e manifestações culturais
Quadrilha, forró, correio elegante, fogueira, comidas típicas... Cada elemento da Festa Junina carrega histórias, símbolos e saberes que podem render ótimas conversas em sala de aula.

📚 Atividades para diferentes etapas de ensino
Encontre propostas, inspirações e reflexões para trabalhar o tema de forma contextualizada, conectando cultura, história, geografia, linguagem e matemática.

Como é a festa na sua cidade?
As comemorações juninas acontecem de maneiras diferentes em cada região do país. Se você quiser explorar essas variações ou ter novas ideias, o WhatsApp da Nova Escola é a ferramenta perfeita para criar um plano de aula personalizado.

Monte seu Plano de Aula Junino no WhatsApp

O LEGADO DE JOÃO RODELLA

Maísa Neves

Durante muitos anos, eu lia sua coluna no jornal O Liberal como quem

abre uma janela para enxergar além da paisagem comum. Enquanto

muitos escreviam para agradar, João Rodella escrevia para despertar.

Suas palavras não faziam carinho; faziam perguntas. Não ofereciam conforto;

exigiam reflexão.

Toda semana, ao folhear o jornal, eu procurava sua coluna. Havia algo de

fascinante naquele homem que transformava os acontecimentos cotidianos

em retratos profundos da condição humana. Ele denunciava injustiças,

expunha contradições e revelava as pequenas mazelas escondidas sob o verniz

da normalidade. Sua escrita era firme, direta e, muitas vezes,

desconfortável. Talvez por isso fosse tão necessária.

Eu sonhava conhecê-lo um dia.

Em 2019, recebi um convite de Maria Lúcia, presidente do Espaço

Literário de Americana, para integrar o grupo. Aceitei com entusiasmo, sem

imaginar a surpresa que me aguardava.

No primeiro encontro, enquanto observava os participantes

conversando, vi um senhor de cabelos brancos, postura serena e olhar atento.

Não demorou para que alguém o apresentasse.

— Este é o João Rodella.

Por alguns segundos, fiquei sem reação. Ali estava o homem cujas

palavras eu havia acompanhado durante tantos anos. Não era mais apenas uma

assinatura no rodapé de uma coluna; era uma presença real, de carne e osso,

caminhando entre nós com a simplicidade dos verdadeiramente grandes.

Quando começou a falar, compreendi que sua literatura era apenas uma

extensão de sua própria personalidade. Havia lucidez em cada observação,

experiência em cada comentário e humanidade em cada silêncio. Aos 89 anos,

João carrega consigo algo peculiar: a capacidade rara de enxergar o

extraordinário escondido nas cenas mais comuns do cotidiano. Ele transforma

essas cenas em livro, em crônicas para o nosso deleite.

Desde então, passei a observá-lo com admiração ainda maior.

Costumo dizer que João Rodella é o Machado de Assis de Americana.

Não porque os tempos se parecem ou os estilos se assemelham, mas porque

ambos possuem o dom de revelar as engrenagens invisíveis da sociedade.

Enquanto muitos olham os fatos, eles observam as motivações. Enquanto

muitos descrevem acontecimentos, eles interpretam a alma humana.

A importância de João Rodella para os leitores vai muito além da

qualidade literária de seus textos. Sua obra nos ensina a pensar. Em uma

época marcada pela velocidade e pela superficialidade, ele nos convida a

parar, observar e questionar. Sua escrita é uma resistência silenciosa contra

a indiferença.

Para o país, autores como ele são indispensáveis. São vozes que

preservam a memória, estimulam a consciência crítica e recordam que a

literatura não serve apenas para entreter, mas também para iluminar os

cantos escuros da realidade.

Ao final daquele encontro, percebi que alguns sonhos não terminam

quando se realizam. Eles apenas se transformam.

O sonho de conhecer João Rodella tornou-se o privilégio de ouvi-lo,

aprender com ele e testemunhar a força de uma trajetória construída com

inteligência, coragem e compromisso com a verdade.

E, enquanto existirem leitores dispostos a refletir, suas palavras

continuarão cumprindo sua missão: provocar, inspirar e permanecer.

LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER

 Em 1952, disseram a uma jovem de 19 anos que o seu lugar não era nos laboratórios, nem nas universidades, muito menos nos projetos que levariam a humanidade ao espaço.

Disseram-lhe que meninas educadas deviam aprender etiqueta, servir chá e encontrar um bom marido.

O nome dela era Judith Love Cohen.

Ela ouviu tudo isso. E ignorou.

Num mundo onde a engenharia era considerada território exclusivamente masculino, Judith decidiu entrar justamente por essa porta. Nas salas de aula, era frequentemente a única mulher presente. Quando levantava a mão para responder às perguntas mais difíceis, os colegas riam-se dela.

Ela não baixava a cabeça.

Levantava a mão ainda mais alto.

Anos depois, conquistou os seus diplomas de engenharia e passou a trabalhar em projetos aeroespaciais de extrema importância. Entre eles, um dos mais críticos do programa Apollo: o desenvolvimento do sistema de orientação de emergência do módulo lunar.

Era o sistema destinado ao pior cenário imaginável.

O sistema que só seria usado quando tudo desse errado.

E, justamente por isso, não podia falhar.

Em agosto de 1969, Judith estava grávida de nove meses do seu quarto filho. Enquanto muitos lhe aconselhavam repouso, ela continuava a trabalhar nas equações que poderiam, um dia, significar a diferença entre a vida e a morte de astronautas.

Então chegaram as contrações.

Mas Judith não deixou o trabalho para trás.

Levou consigo pilhas de cálculos, diagramas e relatórios para o hospital. Entre uma contração e outra, continuou a resolver problemas matemáticos.

As enfermeiras ficaram espantadas.

Quando alguém lhe lembrou que estava em trabalho de parto, Judith respondeu com uma frase que se tornaria lendária:

"Estou a fazer matemática."

Foi ali, na cama do hospital, que encontrou a solução para uma falha crítica no sistema.

Horas depois, deu à luz o seu filho.

O menino recebeu o nome de Thomas Jacob Black.

Décadas mais tarde, o mundo inteiro o conheceria como Jack Black.

No dia seguinte, Judith telefonou ao seu chefe. Informou que o problema técnico estava resolvido.

Só depois mencionou que o bebé também tinha nascido.

Meses mais tarde, em abril de 1970, a missão Apollo 13 sofreu uma das maiores emergências da história da exploração espacial. Um tanque de oxigénio explodiu e três astronautas ficaram presos a centenas de milhares de quilómetros da Terra.

Quando os sistemas principais falharam, entrou em ação o sistema de emergência para o qual Judith tinha trabalhado.

Funcionou.

Perfeitamente.

Os cálculos estavam corretos.

Os astronautas regressaram vivos.

Ao longo da vida, Judith continuou a contribuir para programas espaciais, satélites e tecnologias que ajudaram a expandir o conhecimento humano. Mas talvez o seu maior legado tenha sido provar algo que nunca deveria ter precisado de ser provado:

O talento não tem género.

Por isso, da próxima vez que alguém disser a uma rapariga que determinado sonho não é para ela, lembre-se de Judith Love Cohen.

Porque uma jovem que foi aconselhada a aprender a servir chá ajudou, anos depois, a trazer astronautas de volta para casa.✍️

ESCRAVIDÃO E ESTUPRO

 CELIA, 19 ANOS, ENFORCADA POR TER SOBREVIVIDO.

14 anos. É a idade em que a inocência ainda deveria ser um refúgio. Para Celia, foi a idade em que começou o inferno.  
Reduzida à escravidão no Missouri, ela sofreu, dia após dia, o indizível. Uma violência repetida, gélida, um estupro institucionalizado que a lei da época se recusava a nomear.  

Em 1855, após anos de suplício, Celia fez o que qualquer ser humano, levado ao limite, faria: ela disse não. Ela reagiu para proteger o seu corpo, a sua alma, a sua dignidade. Ela matou o seu agressor.  
Mas para o sistema judicial da época, Celia não era uma mulher em legítima defesa. Ela era uma "propriedade". Um objeto que, ao se defender, havia cometido um crime contra a instituição da escravidão.

Aos 19 anos, a sentença caiu. A justiça dos homens a condenou à forca. Ela subiu ao cadafalso, sozinha, trazendo em si a vida de uma criança que nunca levaria nos braços, quebrada por um sistema que preferiu proteger as suas correntes em vez da vida de uma mulher.  

Por mais de um século, quis-se que o seu nome caísse no esquecimento, que a sua dor fosse abafada pelo silêncio dos livros de história.  
Mas hoje, não permitiremos mais esse silêncio.  

Celia merece sair da sombra. Ela merece que choremos a sua tragédia, mas, sobretudo, ela merece que honremos a sua resistência. Porque por trás de cada data e de cada facto histórico, há uma vida, um grito, um coração que parou de bater injustamente.  

Ao honrar as maiores feridas do nosso passado que iluminamos o caminho da justiça.

Marius Vido.

AUSCHWITZ E O ASSASSINATO DE CRIANÇAS

 Elas entraram naquela fila sem saber que estavam diante de um dos momentos mais sombrios da história.

No dia 2 de junho de 1944, em Auschwitz II-Birkenau, durante uma seleção, as crianças foram separadas dos adultos e colocadas em uma fila à parte.

Muitas não entendiam o motivo.

Algumas seguravam as mãos umas das outras, como se aquele pequeno gesto pudesse proteger tudo ao redor. Outras olhavam desesperadas para a multidão, procurando pais, mães, irmãos ou qualquer rosto conhecido que, de repente, havia desaparecido.

Entre elas, uma criança mais velha tentava acalmar as menores. Falava baixo, pedia silêncio, dizia para não terem medo.

Mas a verdade é que nem ela sabia o que estava acontecendo.

Os guardas caminhavam depressa. Não explicavam nada. Apenas apontavam, gritavam ordens e faziam a fila avançar.

E aquelas crianças obedeciam.

Não porque estivessem tranquilas.

Mas porque ainda eram pequenas demais para compreender que, naquele lugar, até o medo tinha um significado que nenhuma criança deveria conhecer.

Auschwitz não foi apenas um campo de concentração.

Foi o cenário onde milhares de infâncias foram interrompidas antes mesmo de entenderem o que era a vida.

Como a humanidade permitiu que algo assim acontecesse?

PRÊMIO NOBEL DE MEDICINA

 Em 1937, uma jovem de 19 anos chamada Gertrude B. Elion se formou com as mais altas honras em química. Era o tipo de excelência acadêmica que normalmente abriria portas imediatamente, mas o mundo ao seu redor não funcionava assim. Ela tentou seguir adiante nos estudos, buscou bolsas, tentou ingressar em programas de pós-graduação em diversas universidades — e encontrou a mesma resposta repetida de formas diferentes: não havia espaço.


Quando procurou emprego em laboratórios de pesquisa, a rejeição também foi constante. Algumas instituições diziam abertamente que não contratavam mulheres para ciência. Outras eram mais sutis, mas igualmente claras: mulheres no laboratório seriam vistas como distração, não como cientistas. Aos poucos, aquela promessa de carreira brilhante foi sendo substituída por uma rotina de sobrevivência.

Para continuar próxima da ciência, ela aceitou trabalhos muito abaixo de sua formação. Trabalhou como supervisora de qualidade em alimentos, como recepcionista em consultório médico e como professora substituta no ensino médio. Em certos períodos, chegou a trabalhar sem salário em laboratórios apenas para não perder contato com a pesquisa, enquanto juntava dinheiro para estudar à noite. O caminho para um doutorado parecia cada vez mais distante — e, de fato, nunca viria.

Mas o que parecia uma história de bloqueio se transformaria, décadas depois, em uma das trajetórias mais influentes da medicina moderna.

Nascida em Nova York em 1918, filha de imigrantes, Elion cresceu com um talento acadêmico evidente desde cedo. Pulou séries na escola e terminou o ensino médio aos 15 anos. Foi também nessa idade que uma perda pessoal profunda marcou sua vida: a morte do avô, vítima de câncer gástrico. A incapacidade da medicina em salvá-lo deixou nela uma impressão duradoura — não apenas de dor, mas de propósito. A partir daquele momento, decidiu que sua vida seria dedicada a entender e combater doenças.

Conseguiu ingressar no Hunter College durante a Grande Depressão, em um contexto em que o acesso ao ensino superior era restrito e competitivo. A instituição, por ser pública e voltada à formação de mulheres qualificadas, acabou sendo uma das poucas portas abertas para seu talento. Ainda assim, o ambiente profissional à sua volta continuava profundamente desigual.

A virada decisiva aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Com muitos cientistas homens recrutados para o conflito, laboratórios e empresas farmacêuticas começaram a abrir espaço para pesquisadores que antes eram ignorados. Foi assim que Elion entrou na indústria farmacêutica, na Burroughs Wellcome, onde conheceu George Hitchings. Essa parceria mudaria não apenas sua vida, mas a forma como a medicina moderna seria desenvolvida.

Juntos, eles rejeitaram a abordagem tradicional de tentativa e erro na criação de medicamentos. Em vez disso, passaram a trabalhar com uma ideia inovadora para a época: entender as diferenças químicas entre células saudáveis e células doentes e, a partir disso, desenhar medicamentos capazes de agir de forma seletiva. Era o início de uma nova lógica na farmacologia — mais precisa, mais racional e mais eficaz.

Esse método levou a descobertas decisivas. Um dos primeiros grandes resultados foi a 6-mercaptopurina, que revolucionou o tratamento da leucemia infantil em um período em que o diagnóstico da doença era frequentemente uma sentença de morte. Depois vieram a azatioprina, fundamental para transplantes de órgãos ao reduzir a rejeição, e contribuições importantes para antivirais usados no tratamento do herpes e que abriram caminho para terapias posteriores contra doenças como a AIDS.

Em 1988, Gertrude Elion recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em Estocolmo. Tinha 70 anos. Nunca havia concluído um doutorado. Mas tinha ajudado a transformar profundamente a medicina e contribuído para salvar milhões de vidas ao redor do mundo.


Fontes.

1. Nobel Prize — Gertrude B. Elion Biography

2. National Institutes of Health (NIH) — Profiles in Science: Gertrude Elion

3. American Chemical Society (ACS) — Historical Profiles of Women in Chemistry

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

 Um caso de intolerância religiosa se tornou um dos assuntos mais falados da semana.

Um cristonto soube que a filha estava tendo aulas sobre a cultura africana e surtou por causa de um desenho de orixá. Foi para a escola, afrontou a professora e tomou o desenho da criança. 
Piora, o XY fez a polícia militar comparecer à escola, mas ele tirou o corpo fora. 
A diretora viu um bando de macho armado chegando, questionou o que eles estavam fazendo ali, assim que soube quem mandou, relatou a conduta do pai cristonto. Afirmou que os trabalhos não são tirados da cabeça dela, falou a respeito da lei que obriga o ensino da história afro-brasileira e indígena nas escolas. 
O policial começou a latir, que a diretora foi arrogante e queria impor sua "ideologia" em sala de aula. Eles saíram com a cara arrastando no chão porque foram destruídos pela argumentação feroz da profissional. 
Meses depois, o pai cristonto foi indiciado por intolerância religiosa. Agora, o policial disse que não tomou partido do pai. Tá gravado ele usando da autoridade pra tentar intimidar mulheres trabalhadoras desarmadas e fazendo discurso da direita, usando termos como ideologia.
A igreja evangélica introduziu na mente do povo que a classe das professoras é inimiga da nação.
O país pagará um preço altíssimo por causa da propagação das idiotices da direita. Elas estão formando o futuro do povo. Faz pelo menos 15 anos que essa perseguição começou. A educação está sucateada, desmontada, se tornou um produto. Os investimentos do Estado são insuficientes, salários baixos, e ainda têm que enfrentar uma corja de mães e pais ordinários que não têm o que fazer, e vão pra porta da escola escandalizar e cometer crimes.
Deveria ser obrigatório ensinar autodefesa para essa classe para que elas estejam dignamente preparadas pra enfrentar esses bandidos. Pois quem faz ameaça contra professoras em frente a outras crianças, é bandido!
Se é pra falar de imposição de ideologia, essa conduta deve ser atribuída à igreja, que sempre se infiltra na política pra piorar a vida do povo.

O RACISMO E O PÓ DE ARROZ

 O PRIMEIRO REI DA SELEÇÃO BRASILEIRA: ELE ERA OBRIGADO A ALISAR O CABELO E USAR PÓ DE ARROZ NA PELE, ALÉM DE TER SIDO HUMILHADO PELO PRESIDENTE E AGREDIDO NA ARGENTINA!


Arthur Friedenreich nasceu em São Paulo, no dia 18 de julho de 1892. Seu pai, Oscar Friedenreich, era um engenheiro e imigrante alemão pertencente à classe média ascendente. Sua mãe, Mathilde, era uma mulher preta brasileira, lavadeira e filha de africanos escravizados. 

Essa mistura deu a ele uma condição ambígua em uma sociedade estruturalmente racista: Arthur herdou os olhos verdes e o sobrenome forte do pai, mas também a pele retinta e os cabelos crespos da mãe.

No início do século XX, o futebol no Brasil era um esporte estritamente amador, aristocrático e elitista. Trazido da Inglaterra por Charles Miller, era praticado apenas pela alta sociedade branca, e os negros e pobres eram expressamente proibidos de frequentar os clubes.

A "chave" para Friedenreich romper esse universo fechado foi a ascendência de seu pai. Graças à origem alemã de Oscar, o jovem Arthur, aos 17 anos, conseguiu ser aceito no Sport Club Germânia (atual Esporte Clube Pinheiros) em 1909.

Diferente dos jovens ricos que praticavam um jogo duro, formal e engessado, "Fried" — como era chamado — aprendeu a jogar bola nas várzeas e ruas de São Paulo. 

Como os jogadores brancos costumavam dar trancos violentos e cargas corporais nele por ser preto, Fried desenvolveu uma técnica de drible curto e desvios rápidos para proteger o próprio corpo. Sem saber, com aquela ginga de sobrevivência, ele estava inventando o "futebol-arte" e o clássico drible brasileiro.

Friedenreich rodou por vários clubes de destaque, incluindo o Mackenzie College, o Ypiranga, o Club Athletico Paulistano e o Palestra Itália (atual Palmeiras). Rapidamente, tornou-se uma máquina de fazer gols e o centro das atenções do esporte. 

Friedenreich esteve presente, inclusive, em um momento fundacional: o primeiro jogo da história da Seleção Brasileira, em 1914, contra o Exeter City da Inglaterra.

Contudo, o momento em que ele se transformou em um mito indiscutível aconteceu no Campeonato Sul-Americano de 1919 (atual Copa América), sediado no Rio de Janeiro. Na finalíssima contra o Uruguai, a partida estava empatada e extenuante. Na prorrogação, Fried marcou o gol do título, garantindo a primeira grande conquista do futebol nacional. 

Chocados com a garra, a valentia e a velocidade do brasileiro, os torcedores uruguaios o apelidou de "El Tigre". E após uma excursão brilhante com o Paulistano pela Europa, a imprensa francesa o coroou em definitivo como o "Rei do Futebol".

Apesar de ser o herói da pátria nas páginas dos jornais, Friedenreich nunca foi plenamente aceito pela elite que comandava o esporte. Por ser um homem preto em um ambiente que rejeitava a sua cor, ele viveu episódios humilhantes de racismo.

Nos primeiros anos da sua carreira, para poder entrar em campo sem chocar os diretores e torcedores aristocratas, Fried passava por um doloroso processo estético antes de cada partida. 

Ele aplicava pó de arroz no rosto para clarear a pele e gastava muito tempo alisando os cabelos crespos com produtos químicos, prendendo-os firmemente com uma faixa ou redinha. 

Muitas vezes, ele atrasava a entrada do time em campo porque o cabelo ainda não havia atingido o padrão "perfeito" exigido pela branquitude da época.

O ápice do racismo oficial ocorreu em 1921. Às vésperas do Campeonato Sul-Americano na Argentina, o então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, emitiu uma recomendação explícita à confederação de futebol: para preservar a "imagem diplomática" do Brasil no exterior, a seleção só deveria enviar jogadores brancos. 

Friedenreich, o melhor jogador do país, foi barrado e proibido de viajar por causa de sua cor. Sem o seu craque, o Brasil fracassou retumbantemente no torneio.

Em um jogo posterior na Argentina, em 1925, as tensões raciais transbordaram dentro de campo. Fried sofreu uma falta violentíssima, sendo chutado nas costas por um zagueiro argentino quando estava prestes a marcar um gol. 

Ao reclamar da agressão, torcedores locais invadiram o gramado disparando insultos racistas pesados contra ele e toda a delegação brasileira, em um cenário de hostilidade generalizada na imprensa e nas arquibancadas locais.

Uma das maiores frustrações na carreira de "El Tigre" foi nunca ter disputado uma Copa do Mundo. Em 1930, na histórica primeira edição do torneio, Friedenreich estava em plena atividade, mas um racha institucional entre as ligas do Rio de Janeiro e de São Paulo culminou em um boicote que impediu a convocação de atletas de clubes paulistas. 

Sem Friedenreich em campo para liderar o ataque, a Seleção Brasileira viajou incompleta para o Uruguai e acabou eliminada precocemente, deixando uma lacuna eterna na biografia do primeiro Rei do Futebol.

Friedenreich continuou jogando em alto nível até os 43 anos, se aposentando em 1935 vestindo a camisa do Flamengo. Após pendurar as chuteiras, trabalhou como funcionário de uma companhia de cerveja e viveu de forma modesta. Enfrentou a velhice sofrendo com o Mal de Parkinson e com lapsos de memória, vindo a falecer em 6 de setembro de 1969, aos 77 anos.

Existe uma célebre e histórica polêmica sobre as estatísticas de Fried. Algumas contabilidades da época afirmavam que ele teria marcado 1.329 gols ao longo da carreira, número que o colocaria acima de Pelé como o maior artilheiro de todos os tempos.

Embora registros modernos de historiadores apontem um número menor — por volta de 550 gols, devido à escassez de súmulas oficiais na era amadora —, o mito do "milésimo gol antes de Pelé" permanece vivo.

O verdadeiro legado de Arthur Friedenreich, contudo, não está nos números, mas no fato de ele ter aberto as portas do futebol para os pretos e os pobres no Brasil. Sem o pioneirismo, a resiliência e o sofrimento silencioso de "El Tigre", o Brasil jamais teria conhecido Leônidas da Silva, Garrincha ou Pelé.

O NARCISISMO E O PENSAMENTO MÁGICO

 “O pensamento mágico faz parte da infância, perfaz uma etapa normal de seu desenvolvimento, e reside na crença de que os próprios pensamentos e ações exercem influência sobre o mundo exterior, independentemente da relação entre causa e efeito. A criança cria suas próprias explicações para os fenômenos ao seu redor, para se proteger emocionalmente. Tal pensamento mágico, no entanto, deve diminuir gradualmente e, a partir dos sete anos de idade, o pensamento lógico se desenvolve".


      O que se percebe, no entanto, no atual desenvolvimento da sociedade, é uma grande massa embalada pelo pensamento mágico, totalmente destituída de lógica ou racionalidade. O que se pode concluir? Que a humanidade está tão temerosa e tão pouco preparada mentalmente para enfrentar a velocidade de um mundo em desenvolvimento, que passou a se refugiar em pensamentos que pensávamos já terem sido resolvidos e ultrapassados pela atual conjuntura social. Agora, percebemos que não estavam.

Numa sociedade que tornou a felicidade obrigatória, que exibe seus sorrisos e aventuras em fotos e vídeos editados, acessíveis a todos, eis que a humanidade se entregou totalmente ao pensamento mágico, dentro do qual navega, xinga, repete bordões, desmerece séculos de ciência, despreza o conhecimento, nega-se a raciocinar, ignora a história, refestela-se em ideações mágicas e soluções milagrosas sem qualquer respaldo lógico, apenas para sentir o ‘prazer de parecer’, pois que o ‘parecer’ se tornou superior ao ‘ser’.

Observe os heróis que a atual sociedade elege para governar e deliberar as leis que regerão sua vida: cantores, esportistas, comediantes, políticos vazios de projetos e cheios de discursos, milionários que nem imaginam o que é passar fome ou sentir qualquer necessidade, narcisistas que se acham acima da lógica e da sabedoria; mas, está tudo bem se eles prometerem o paraíso. Como farão esse paraíso chegar até a população? Ninguém sabe dizer, pois que o discurso, mesmo vazio, tornou-se mais importante do que a ação.

As entrevistas mostram pessoas aparvalhadas, ignorantes, narcisistas fantasiados sacudindo bandeiras e falando frases desconexas e sem lógica, embaladas pela idolatria, sob o pensamento mágico da primeira infância, estampando no rosto o sorriso vazio da alienação. Deixaram de pensar, de questionar, de ouvir com atenção, de pensar no futuro através de projetos reais, pois ‘repetir frases’ se tornou mais importante do que qualquer lei que lhes possa beneficiar. Mal sabem diferenciar o bem e o mal em uma sociedade; pedem para serem invadidas, para seus filhos serem mortos por líderes estrangeiros, para os filhos de seus vizinhos serem torturados, para serem pisadas pela ditadura, simplesmente porque não conseguem mais ‘alcançar’ o significado de ‘questionar’.

Ibsen, em sua obra ‘O Pato Selvagem’, questiona a importância da mentira vital ao homem comum, e defende que, se tirarmos a mentira vital ao homem comum, tiramos-lhe ao mesmo tempo a felicidade. A busca da felicidade tem encontrado seu elemento não na lógica ou realidade palpável, mas sim na mentira que alimenta o narcisismo e faz um homem comum e inculto ‘parecer’ conhecedor, ‘parecer’ um mestre do universo. Assim, para a grande maioria, a solução mágica, o simulacro, o ‘parecer’, o ‘faz de conta’, a vida após a morte, o sonho grandioso do salvador da Pátria, a palavra gritada aos quatro ventos, a bandeira enrolada no corpo, as citações da Bíblia, ‘os velhos tempos antigos’ são, todos eles, elementos que compõem a falange que redimirá todos os pecados e transformará a sociedade, num passe de mágica, no ‘Reino da Felicidade’. E não há lógica alguma que possa ressuscitar essas pessoas que estão socialmente mortas, pois que a felicidade elas já alcançaram. Mesmo que tal felicidade tenha a fragilidade da primeira infância e morra na primeira enxurrada do destino.” (Sônia Wendt Nabarro) #SoniaWendtNabarro

25/06/2026

INVERNO EM SALA DE AULA (NOVA ESCOLA)

 O que muda no inverno? Perguntas que rendem ótimas discussões em sala

Que tal explorar esses e outros temas com seus alunos por meio de perguntas e poesia?

🔗 Por que sentimos mais fome no inverno?

Quando as temperaturas caem, muita gente sente vontade de comer mais. Nesta matéria, especialistas explicam os fatores biológicos e culturais por trás desse comportamento. Uma ótima oportunidade para discutir hábitos alimentares, saúde e funcionamento do corpo humano.

🔗 Por que no inverno chove no Norte e o Sudeste fica seco?

Como as massas de ar e outros fenômenos climáticos influenciam o regime de chuvas do país? A matéria ajuda os estudantes a compreenderem melhor as diferenças climáticas entre as regiões brasileiras e ampliarem seu olhar sobre o território nacional.

🔗 Hora da Poesia: Patativa do Assaré e “A seca e o inverno”

Convide a turma a conhecer um dos maiores nomes da literatura de cordel. O poema retrata, com sensibilidade, os desafios da seca e a chegada das chuvas no sertão nordestino, aproximando os estudantes da cultura popular brasileira.


Esses conteúdos são apenas alguns exemplos de como o inverno pode inspirar aulas significativas e conectadas ao cotidiano dos alunos. E, se você quiser ir além, pode criar gratuitamente um Plano de Aula personalizado no WhatsApp da Nova Escola.

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RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA ESCOLA - LEI 10.639/2003

 VOCÊ SABE O QUE É A LEI 10.639? E POR QUE ELA É TÃO IMPORTANTE? 📚✊🏿

 Muita gente já ouviu falar da Lei 10.639, mas poucos conhecem seu verdadeiro impacto na educação brasileira.

 Sancionada em 2003, a legislação tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do país. A proposta é valorizar a contribuição dos povos africanos e da população negra na formação do Brasil, abordando temas como a História da África, a luta dos negros no Brasil, a cultura afro-brasileira e sua influência na sociedade.  

 Além disso, a lei incluiu no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que homenageia a resistência e a trajetória do povo negro no Brasil.  

 Considerada um marco no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial, a Lei 10.639 surgiu após décadas de reivindicações do movimento negro e continua sendo apontada como uma ferramenta fundamental para a construção de uma educação mais inclusiva e representativa.  

 Mas, mais de 20 anos após sua criação, especialistas e educadores ainda discutem os desafios para sua aplicação efetiva em todas as escolas do país.  

 E você, na sua época de escola, aprendeu sobre a História da África e a contribuição dos povos africanos para a formação do Brasil?

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