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02/05/2019

BRASIL ESTÁ NA ÚLTIMA POSIÇÃO EM RANKING SOBRE PRESTÍGIO DO PROFESSOR

Brasil cai para última posição em ranking sobre prestígio do professor

Estudo feito em 35 países revela como a população enxerga a carreira. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam os docentes e só 1 em cada 5 pais aconselharia profissão aos filhos. Defasagem salarial é outro problema apontado.
Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Percepção de falta de respeito dos alunos, salários insuficientes e uma carreira pouco segura para os jovens. É assim que a maioria da população brasileira enxerga a profissão docente e coloca o País como o que dá menos prestígio aos professores. Esse cenário foi revelado pelo Índice Global de Status de Professores de 2018, divulgado na noite desta quarta-feira, 7, pela Varkey Foundation, organização voltada para a educação. O levantamento avalia como a população de 35 países enxerga a profissão.

Enquanto há uma tendência global de crescimento no prestígio dado aos professores, o Brasil regrediu nos últimos cinco anos. Em 2013, quando o estudo foi feita pela primeira vez e avaliou 21 nações, o País aparecia na penúltima colocação. Na edição deste ano, com a piora na percepção sobre o respeito dos alunos e com menos pais dispostos a incentivar seus filhos a seguir a profissão, o índice nacional piorou e colocou o País como lanterna do ranking.

Prestígio


Para chegar ao indicador, foram entrevistadas mil pessoas, de 16 a 64 anos, em cada país e mais de 5,5 mil docentes. No Brasil, apenas 9% acreditam que os alunos respeitam seus professores – na China, o líder, 81% veem esse respeito. O dado aparece em consonância com o fato de que só 20% dos pais brasileiros afirmam que encorajariam seus filhos a seguir a carreira – ante 55% dos pais chineses.

O estudo também indica que o brasileiro subestima a jornada de trabalho da profissão. A sociedade estima uma carga horária semanal média de 39 horas, ante o relato dos professores de uma média de 48 horas. Segundo a pesquisa, essa percepção é forte nos países latino-americanos e se diferencia de países como Finlândia, Canadá e Japão, onde os docentes trabalham menos horas do que a percepção de suas comunidades.

A mesma tendência é observada em relação aos salários. Enquanto brasileiros consideram que um salário justo para os professores seria de U$ 25 mil (cerca de R$ 93 mil) ao ano, a remuneração real média relatada pelos profissionais é de U$ 15 mil (cerca de R$ 56 mil).

Professor de Geografia, Heleno de Oliveira, de 52 anos, diz ter sentido a desvalorização da profissão nos 35 anos em que atua em sala de aula. “Cada vez são mais comuns os relatos de colegas que foram agredidos ou xingados por alunos, que precisam ter mais de um emprego para se sustentar ou que adoecem por causa da pressão”, diz o docente, que dá aula em escolas da rede pública de São Paulo.

Ele diz ter descoberto a vocação aos 17 anos, como estagiário. Ver os alunos aprendendo e interessados p é o que motiva Oliveira a continuar em sala. “Já pensei algumas vezes em desistir porque saio às 22 horas da escola, preparo minhas aulas até as 2 horas da manhã. E o salário é muito pequeno diante de tanto esforço. O que me segura é a relação com alguns alunos, perceber que posso fazer a diferença na vida de alguns”, diz.

Luiz Antonio, professor de Língua Portuguesa em duas escolas privadas do centro de São Paulo, diz que sente desrespeito maior dos pais do que dos jovens. “Tem uma interferência muito grande da família, que tira a nossa autonomia. Não gostam quando chamamos atenção do filho, questionam o conteúdo. Não entendem que estudamos e temos formação para ensinar não só a disciplina, mas como conviver dentro da escola”, diz ele, de 44 anos – 20 em sala de aula.

Para especialistas, a repercussão de projetos como o Escola sem Partido, que defende vetar a “doutrinação ideológica” em classe, pode agravar ainda mais tensão no ambiente escolar.

Desempenho

O estudo também identificou que a valorização docente está ligada ao desempenho dos alunos. Países com melhores notas no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), maior avaliação de estudantes do mundo.

“Mais respeito aos professores significa que estudantes com melhor desempenho serão atraídos para a profissão, que melhores docentes irão permanecer na carreira. São fatores muito importantes para melhorar os resultados educacionais dos países”, explicou ao Estado Vikas Pota, presidente da Varkey Foundation.

Para ele, o poder público precisa investir em ações para apoiar os professores, tanto financeiramente como na melhora de condições de trabalho, para que os índices educacionais do país progridam. Na última edição do Pisa, em 2016, o Brasil apareceu entre os dez últimos do ranking. De 70 nações avaliadas, o País ficou na posição 63.ª em Ciências, 65.ª em Matemática e 59.ª em Leitura.

3 Perguntas para Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)

A baixa remuneração é um dos principais fatores para a desvalorização da carreira docente?
Os baixos salários são, ao mesmo tempo, causa e consequência. As pessoas desvalorizam o professor porque ele ganha pouco e ele ganha pouco porque não é valorizado nas políticas públicas. Além disso, os políticos sempre falam genericamente sobre a valorização do docente. Nunca se desenvolve a ideia de que é preciso melhorar a questão salarial, a evolução da carreira, as condições de trabalho e o apoio que ele deve receber da equipe escolar e das famílias.

Os pais também desvalorizam o professor?
Na maioria dos casos, o professor não conta com o apoio da família porque muitas não querem se envolver com o que acontece na escola. Então, não querem saber do mal comportamento ou do baixo desempenho do filho. Preferem culpar o professor por essas situações. Propostas que estão sendo colocadas nesse momento, como o Escola Sem Partido (em tramitação no Congresso Nacional e defendido pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, do PSL), tendem a acirrar essa relação por colocar pais e professores em lados opostos, por incentivar que o docente seja vigiado, controlado, perca a autonomia sobre o quê e como ensinar.

O País está perdendo bons professores pela forma como os trata?
Sim. Os jovens com melhor desempenho vão para as profissões mais valorizadas, com melhores salários. Os cursos de Licenciatura e Pedagogia são vistos como o “que sobrou”, porque ninguém quer seguir a carreira. Cada vez menos temos fatores de recompensa. A médio e longo prazo, isso é um desastre para a educação do Brasil.

Fonte: https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-cai-para-ultima-posicao-em-ranking-sobre-prestigio-do-professor,70002593574

09/04/2019

VÍCIO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM CELULARES

*Trechos da reportagem:*
No Vale do Silício proliferam *escolas sem tablets nem computadores* e jardins da infância onde o celular é proibido por contrato.
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No Waldorf of Peninsula, uma escola particular onde são educados os *filhos de administradores da Apple, Google e outros gigantes tecnológicos* que rodeiam esta antiga fazenda na Baía de São Francisco, as telas só entram quando eles chegam ao secundário (o ensino médio).
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_"Se você coloca uma tela diante de uma criança pequena, você *limita suas habilidades motoras, sua tendência a se expandir, sua capacidade de concentração*"_ (Pierre Laurent, pai de três filhos, engenheiro de computação na Microsoft, na Intel e várias startups, e agora preside o conselho da escola).
***
Os adultos que melhor entendem a tecnologia dos celulares e dos aplicativos *querem que seus filhos se afastem dela*. Os benefícios das telas na educação infantil são limitados, argumentam, enquanto *o risco de dependência é alto*.
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_"Não temos telefones na mesa quando estamos comendo e só lhes demos celulares quando completaram 14 anos"_ ( *Bill Gates*, criador da Microsoft).
**
_"Em casa, limitamos o uso de tecnologia para nossos filhos"_. ( *Steve Jobs, criador da Apple* - ele também proibia os filhos de usarem iPad.).
***
_"Na escala entre doces e crack, isso_ (o uso excessivo de telas) _está mais próximo do crack"_( *Chris Anderson*, ex-diretor da revista Wired, bíblia da cultura digital).
***
O problema da relação das crianças com a tecnologia é que *o ritmo vertiginoso em que se transforma dificulta a reflexão e o estudo* (pesquisa da _Common Sense Media_, organização dedicada a ajudar as crianças a se desenvolverem em um mundo de mídia e tecnologia).
***
Estudos relacionam o uso excessivo de telefones celulares por adolescentes com *falta de sono, risco de depressão e até suicídios*.
***
As famílias com elevado poder aquisitivo têm mais facilidade para impedir que seus filhos passem o dia na frente de celulares. Enquanto os filhos das elites do Vale do Silício são *criados entre lousas e brinquedos de madeira*, os das *classes baixa e média crescem colados em telas*.
***
[A escola] Waldorf of Peninsula introduz as telas no secundário. [A escola] Hillview anuncia um programa pelo qual cada aluno tem um iPad. Na primeira, o visitante é recebido por um espantalho rústico, colocado em uma horta que os alunos cultivam. Na segunda, por uma tela de LED que expõe os comunicados do dia.
***
É uma *luta desigual*. Pais superatarefados contra equipes de engenheiros e psicólogos que projetam tecnologia para manter seus filhos viciados.
***
No ano passado, dois grandes investidores da Apple, a Jana Partners ea CalSTRS enviaram uma carta aberta aos chefes da empresa, pedindo que tomem mais *medidas contra o vício das crianças nos celulares*.
***
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/20/actualidad/1553105010_527764.html

22/03/2019

ESCOLA E POBREZA

Ficamos sabendo que em Niamey, capital do Níger, o país mais pobre do mundo (fica na África Ocidental), onde a população sofre com a falta de tudo, de escolas a saúde, o governo decidiu promover ações para diminuir a evasão e a reprovação escolar, sendo uma delas com apoio da iniciativa privada. Uma das métricas usadas no projeto para a remuneração da iniciativa privada era a Avaliação de Aprendizagem dos Alunos em Processo, conhecida pela sigla AAP.

Nesse projeto, cada aluno recebia um caderno especial como material de trabalho. Ao final do bimestre, cada aluno recebia um caderno de avaliação. O resultado da avaliação era digitado no sistema, aluno por aluno.

De repente, o governo de Níger resolveu inovar no projeto. Não se mandam mais os cadernos de avaliação; as escolas recebem apenas um exemplar, e têm de fazer cópias para todos os alunos. Não tendo recursos para fazer essas cópias, permite-se que os alunos respondam as questões diretamente nos computadores. Que também não existem !

Após as avaliações, pega-se o gabarito e digita-se no sistema o resultado de cada aluno. Quem digita ? O professor e os funcionários da escola, que, imagina-se, não têm mais o que fazer. Em algumas escolas, onde não há professores nem funcionários, essa tarefa foi transferida para o Diretor da Escola ! Uma escola onde faltam professores e alunos ! Isso é escola ? Que absurdo!

Realmente, a pobreza é um círculo vicioso. Curiosamente, os países, estados e municípios mais pobres têm uma tendência de parir projetos de educação (em ninhadas) que não ajudam nada, não têm continuidade, consomem recursos, energia e dedicação que poderiam ser melhor gastos no dia a dia da escola, com salários e infraestrutura.

Parece que esta é uma maldição que cai sobre estados pobres ! Inevitavelmente !

Em tempo: acaba de chegar uma mensagem dando conta de que se trata de uma “fake news”. Mentira, no popular. Isso não aconteceu em Níger ! Está acontecendo em São Paulo, o estado mais rico da federação. Nossas desculpas ao pessoal de Niamey, no Níger !

(Fonte: UDEMO)

11/12/2018

VI SEB - SIMPÓSIO II - DESENVOLVIMENTO SOCIAL: DESAFIOS AO ESTADO E À EDUCAÇÃO

JORGE ABRAHÃO DE CASTRO
O autor traçou um estudo de 2001 a 2014, que apresentou nos sliedes, ressaltando, no entanto, que nos últimos 6 meses, houve grandes mudanças no cenário brasileiro.
Tem ocorrido privatização no conjunto das políticas sociais, não só na educação.
É preciso buscar a justiça social.
 


 
 



17/08/2018

PENSAR A EDUCAÇÃO: EDUCAÇÃO INFANTIL, MEIO AMBIENTE, EQUIDADE, EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE





Ano 6 – Nº 209 / sexta-feira, 17 de agosto de 2018


A Criança e o Espaço é um projeto da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) que tem o objetivo de apoiar prefeitas e prefeitos na construção de políticas públicas sobre o bem estar da criança nas cidades. Para tanto, o projeto apresenta formas de intervenção no espaço público que visem um ambiente saudável, entendendo que a garantia de muitos dos direitos das crianças está relacionada à adequação dos espaços onde elas vivem e frequentam nos municípios.

Escola, arborização e ecologia: laboratórios de educação para o patrimônio socioambiental – Vagner Luciano de Andrade e Tamara Angélica Fêlix Lana
É preciso que a Educação Patrimonial Ambiental trilhe a missão de transformar o quadro social e ecológico de destruição e degradação, e dos inúmeros caminhos que compõe diferentes ambientes da escola e de seu entorno.

Desigualdade começa bem antes da escola. E aumenta a cada passo, por Reginaldo Moraes – GGN
“Famílias disfuncionais produzem crianças prejudicadas. Uma política bem sucedida de formação de habilidades envolve uma política para a família”.

Educação não é prioridade em eleições na América Latina – Jeduca – Brasil
Jornalistas do México, Argentina e Colômbia contaram sobre as dificuldades na cobertura da área em seus países.

ATIVISMO EDUCACIONAL

                             

Ativista na área de educação, Tabata Amaral apresenta palestra na USP

No dia 21 de agosto, o Escritório de Desenvolvimento de Carreiras (ECar) da USP, órgão ligado à Pró-Reitoria de Graduação, traz Tabata Amaral para a palestra Ativismo Educacional.
Cientista política, ela vai falar sobre o poder transformador da educação e as possibilidades de empreendedorismo na área, abordando também o cenário para as mulheres no campo das ciências exatas.
Tabata Amaral Pontes, de 24 anos, graduou-se com honras máximas em Governo e Astrofísica na Universidade de Harvard. Vinda da periferia de São Paulo, estudou em colégio particular graças a uma bolsa integral que ganhou após participar de uma olimpíada de matemática em escolas públicas.
Hoje, luta por melhor qualidade de ensino no Brasil, sendo cofundadora do Projeto VOA!, que prepara alunos de escolas públicas para as olimpíadas científicas; do Acredito, um movimento de renovação política; e do Movimento Mapa Educação, que luta por uma educação de qualidade para todos os brasileiros, acompanhando políticas educacionais e realizando debates.
O evento será realizado no auditório 5 da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, das 11 às 13 horas. O endereço é Av. Prof. Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, São Paulo. Para participar, é necessário realizar inscrição prévia. A palestra é gratuita e aberta para a comunidade USP e externa.

10/08/2018

É PRECISO DESEMPAREDAR AS CRIANÇAS



Crianças que vivem nos centros urbanos passam 90% do tempo em ambientes fechados, de acordo com pesquisas internacionais na área de infância.

Quando se olha para o Brasil, os números apontam que 40% das crianças passam apenas uma hora ou menos do dia brincando ao ar livre.

As informações preocupam considerando os impactos positivos que as experiências em ambientes externos têm no desenvolvimento integral das crianças.

Nesse sentido, trabalhar para desemparedar crianças é fundamental.

Veja cinco vantagens de proporcionar aos alunos momentos ao ar livre. Acesse o texto completo clicando aqui.

GÊNERO E DIVERSIDADE - INDICAÇÃO DE SITE



Gênero, Sexualidades e Feminismos na Escola é o produto de um projeto desenvolvido para uma disciplina de “Gênero e sexualidade no currículo”, ministrada pela professora Shirlei Sales na UFMG.

O espaço virtual reúne acervo digital com projetos realizados em escolas, materiais produzidos sobre o tema para servirem de apoio em aulas e projetos sobre as temáticas, coletivos feministas auto-organizados de alunas secundaristas e planos de aula que versem sobre estes assuntos.

05/08/2018

QUERO BOLSA


O que é o Quero Bolsa?

O Quero Bolsa é um serviço que ajuda a encontrar a sua faculdade ideal e economizar nas mensalidades.

Através do site consegue bolsas de estudos parciais em mais de 1100 universidades parceiras. Basta fazer a pré-matrícula no site para garantir um desconto até o fim do curso.

O Quero Bolsa concede bolsas de estudo e descontos em cursos de universidades e faculdades de todo Brasil. Todos nossos usuários cadastrados são chamados de Querobolsistas.


O que o aluno deve fazer para conseguir uma bolsa de estudos no Quero Bolsa?

O aluno escolhe uma bolsa disponível em alguma instituição parceira que se enquadre em seus objetivos e orçamento, adquire a pré-matrícula e já pode usufruir do percentual de desconto até o final do curso.


O aluno precisa pagar algo para ter direito à bolsa?
O Quero Bolsa não cobra taxas semestrais nem exige participação em qualquer reunião ou evento.

Para adquirir o desconto precisa pagar a Pré-matrícula antes de poder imprimir o Comprovante.

Este Comprovante de Pré-matrícula pode ser usado por todo o curso e garante a bolsa até a formatura.


Precisa ter conta no Facebook para usufruir das bolsas?
É recomendável utilizar o Facebook para agilizar a inscrição.

Se não possuir uma conta no Facebook, pode criá-la gratuitamente no. Se por algum motivo não quiser ou puder usar sua conta, clique em "Entre ou Crie uma conta" somente com seu e-mail.


No site foi efetuada a pergunta se O Quero Bolsa é confiável?
Resposta no site:
Sim! Estamos desde 2012 no ar e já ajudamos milhares de estudantes a pagar menos na faculdade. Nosso principal objetivo é deixar nossos usuários 100% satisfeitos.

Atendemos os Querobolsistas com toda atenção e carinho do mundo, não medindo esforços para solucionar todos os problemas que possam enfrentar, já no primeiro atendimento. Valorizamos muito nossa reputação e excelência no atendimento, tanto que, apesar de possuirmos milhões de cadastros e de nosso site ter mais de um milhão de visualizações por mês, possuímos muito poucas reclamações no "Reclame Aqui", todas solucionadas e com uma ótima avaliação, comparados aos nossos concorrentes "Educa Mais Brasil" e "Mais Estudo", que possuem centenas de vezes mais reclamações e índices de satisfação bem mais baixos.

Nosso compromisso é com o aluno, por isto, caso tenha qualquer problema, desistir de iniciar o curso e não estiver satisfeito com o nosso serviço, nos comprometemos a devolver integralmente o valor pago ao Quero Bolsa se não utilizar nossa bolsa. Instrui para que o a aluno converse com usuários no Facebook e ou, ligar para o atendimento.


O que é o Comprovante de Pré-matrícula do Quero Bolsa?

O Comprovante de Pré-matrícula é o documento, com validação eletrônica, que garante a bolsa nas faculdades parceiras. Ele deve ser entregue à Instituição de Ensino para que o aluno consiga o benefício.


O aluno preciso pagar mais alguma coisa após a pré-matrícula?

Não. Após realizar a pré-matrícula, aguardar a baixa do pagamento e o comprovante será liberado. Toda vez que for solicitado pela universidade, basta logar no nosso site e imprimir uma segunda via.

Você não precisará gastar mais nem um centavo com o site Quero Bolsa e terá direito ao benefício até a formatura.


O valor do desconto pode mudar ao longo do curso?

No Quero Bolsa o aluno garante o desconto em todas as mensalidades até o fim do curso. Algumas instituições mantém o mesmo percentual de desconto até o fim do curso. Outras podem variar esse percentual durante a graduação.

Quando a bolsa estiver sujeita a alterações, o aluno será informado sobre qual será o percentual fixo de desconto que terá até a formatura e até quanto ele pode variar.

Onde o aluno entrega o Comprovante para garantir a minha bolsa?

Para ter direito às nossas bolsas, deve entregar o Comprovante de Pré-matrícula para sua faculdade conforme o procedimento de cada instituição de ensino. Os dois mais comuns são:

- Entrega no dia do vestibular, feita no local de realização do teste.
- Entrega no dia da matrícula ou rematrícula, feita na secretaria da faculdade.

Para saber qual o procedimento no caso de cada aluno, é necessário que ele verifique as regras e observações" na página da universidade ou em seu Comprovante. Qualquer dúvida, entrar em contato com o Quero Bolsa.


Teve algum problema em obter o desconto ou o valor da bolsa foi diferente do anunciado. O que o aluno pode fazer?

Orienta ligar para nós no 0800 123 2222* ou entrar em contato com o Quero Bolsa detalhando ao máximo o ocorrido, não esquecendo de mencionar curso, nome da instituição e campus e os valores em desacordo o caso será investigado e medidas corretivas serão tomadas com a máxima prioridade.

Informa também que as políticas de bolsas das instituições parceiras estão sujeitas a alterações alheias à vontade do Quero Bolsa e que o cumprimento das condições ofertadas é de inteira responsabilidade das mesmas.

Embora faça o máximo para garantir o cumprimento das bolsas e renovação de todas as ofertas nas quais sejam identificados problemas, não se responsabiliza por eventuais prejuízos, de qualquer ordem, que uma oferta publicada com erros ou não cumprida da forma prometida possam causar.


Pode usar a mesma Pré-matrícula do Quero Bolsa mais de uma vez?

O aluno pode imprimir uma versão atualizada do seu Comprovante de Pré-matrícula, sempre que precisar utilizá-lo nas rematrículas da instituição de ensino, para revalidar sua bolsa.

Algumas instituições irão exigir esta reimpressão, outras não.

Confirme com o departamento de matrículas da sua instituição.

Não poderá usar o Comprovante gerado para um determinado curso e faculdade para se beneficiar de uma bolsa em outra instituição. Neste caso, deverá fazer uma nova Pré-matrícula, escolhendo a instituição de ensino e curso.

Poderá entrar em contato com o atendimento e solicitar a transferência da Pré-matrícula para outro curso ou instituição, caso não tenha se matriculado e o valor do pagamento da pré-matrícula seja compatível, de acordo com a política "Bolsa Garantida Quero Bolsa".

Para reimprimir seus Comprovantes de Pré-matrícula já impressos, basta se logar no site, acessar o menu superior direito e escolher meus cupons.


Pode conseguir a bolsa mesmo se já tiver me matriculado?


Depende das regras específicas de cada instituição de ensino.

Algumas parceiras oferecem descontos a todos, mas a maioria das faculdades oferecem o desconto apenas a novos alunos (vestibulandos e alunos transferidos de outras instituições).

Consulte as "regras e observações" na página de sua faculdade de interesse para verificar a política vigente nesse caso.


O aluno pagou a pré-matrícula e imprimiu um comprovante, mas não se matriculou. O Quero Bolsa devolve o valor pago?

Se por qualquer motivo, inclusive desistência, não irá mais utilizar o Comprovante de Pré-Matrícula e a bolsa de estudos, o valor pago será devolvido. Orienta para entrar em contato com o Quero Bolsa, informando os dados e o motivo da devolução.

Se preferir, você poderá guardar o Comprovante de Pré-matrícula e reimprimir uma versão atualizada mais tarde, quando for fazer sua matrícula. Pode inclusive entrar em contato, pedindo para transferir seu Comprovante para outra instituição ou curso.

O prazo para solicitar a devolução se encerra após 6 meses do pagamento da pré-matrícula.

O processo de devolução pode ser longo, pois precisamos comunicar a escola da sua desistência, revogar sua pré-matrícula e aguardar a confirmação da instituição de que você não se matriculou. Mas fique tranquilo: no Quero Bolsa, nós colocamos sua satisfação em primeiro lugar e vamos honrar nosso compromisso.

Fonte: https://querobolsa.com.br/perguntas-frequentes/devolver-o-valor-pago
acesso: 31/07/2018 (texto adaptado)

27/07/2018

EMPREGOS DA GERAÇÃO Z AINDA NÃO EXISTEM



Área assistencial, de tecnologia da informação e de recursos humanos estão entre as apostas dos especialistas. Definir a profissão a seguir com base nas perspectivas do mercado atual pode ser um projeto bastante arriscado em um cenário de evolução diária. Estudos da ManpowerGroup, empresa de consultoria que atua na área de recursos humanos, mostram que 65% dos empregos que a “Geração Z” – pessoas nascidas entre 1998 e 2010 – terá nem existem ainda.

Funções em áreas técnicas, de recursos humanos, tecnologia da informação, atendimento ao cliente, da saúde e de qualidade de vida são algumas das apostas dos especialistas. De acordo com a diretora de RH da ManpowerGroup, Márcia Almström, ao mesmo tempo em que inúmeros postos de trabalho de baixa complexidade operacional estão desaparecendo diante das inovações tecnológicas, uma nova gama de oportunidades está se abrindo e os profissionais precisam estar atentos a essas tendências.

“A tecnologia está nas nossas vidas há um bom tempo, mas o que é novo é a rapidez com que isso impacta as profissões”, analisa. Leia a reportagem clicando aqui.

18/07/2018

CORTE ETÁRIO PARA INGRESSO NO ENSINO FUNDAMENTAL


Você está sabendo da polêmica a respeito do corte etário para ingresso das crianças no ensino fundamental? É que existe uma ação em curso no Supremo Tribunal Federal querendo o fim da data de corte no dia 31 de março, como acontece atualmente.

Os ministros do STF estão divididos, e muitas educadoras, mães e pais estão na dúvida.

Já nós, professoras, pesquisadoras e gestoras integrantes do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil - o MIEIB - temos uma certeza: defendemos que a matrícula das crianças de cinco anos de idade seja feita na educação infantil.

RESPEITO À INFÂNCIA!

A forma como a criança de zero a seis anos se relaciona com o mundo requer espaços adequados nos quais ela possa brincar, descansar, experimentar e realizar atividades ora estruturadas, ora espontâneas e livres. Turmas menos numerosas, organização do tempo e dos espaços que possibilitem um equilíbrio adequado entre situações de aprendizagem com níveis variados de concentração e dispersão, maior oferta de atividades que envolvam o uso do corpo e de movimentos amplos são alguns exemplos que concretizam uma prática pedagógica apropriada às crianças nessa faixa etária. A educação infantil é a etapa de ensino que melhor pode educar essas crianças e cuidar delas, promovendo e ampliando sua formação integral.

Antecipar a entrada no ensino fundamental para a idade de cinco anos é uma forma de desrespeitar o direito de ser criança e de viver a infância plenamente e como tempo de formação humana. A diferença entre o que se espera das crianças, na educação infantil e no ensino fundamental, nos indica que as crianças de cinco anos de idade, caso ingressem neste último, serão submetidas a processos de avaliação e de sistematização de conhecimentos que lhes exigirão aprendizagens com graus de complexidade e sistematizações inadequadas para o momento de vida dessas crianças.

A luta do MIEIB é por uma educação coerente com os processos de desenvolvimento infantis de forma integral e seus modos de estar no mundo. É uma luta por uma educação de qualidade social para a primeira infância como um dos seus direitos. E uma educação de qualidade social deve garantir o direito da criança em viver sua infância, assegurando-lhe tudo aquilo que este direito implica: o direito de brincar; de aprender ludicamente; de conviver em espaços que lhe garantam liberdade e autonomia. Enfim, deve promover práticas educativas capazes de respeitar seu ritmo, sua condição de aprendizagens, seus desejos e seu direito em ampliar suas experiências como ser humano e sujeito de direitos. Uma educação para que nossas crianças vivenciem ativamente sua primeira infância, lhes preservando da pressa em antecipar etapas, estudos, aprendizagens e desempenhos.

Saiba mais em:
www.mieib.org.brhttp://www.mieib.org.br/
www.facebook.com/MieibBR

15/07/2018

EDUCAÇÃO FEMININA, EDUCAÇÃO INDÍGENA E EMPONDERAMENTO FEMININO


Malala e as jovens mulheres indígenas: uma única luta pela educação e empoderamento feminino

Em encontro com Malala, mulheres jovens indígenas da Bahia contam a realidade da educação para os povos e somam força para empoderamento feminino. Malala esteve em Salvador na última terça-feira (10/07/2018).

POR VANESSA PATAXÓ, ESTUDANTE DE FISIOTERAPIA DA UFBA

A educação é uma das pautas constantes do movimento indígena nacional. Contudo, nos últimos dois meses o Brasil ganhou força e fez ecoar a temática sobre o direito humano e contra as desigualdades que marcam a educação brasileira. A luta por um ensino de qualidade, específico e que respeite e valorize as práticas culturais retumbou nos campos universitários de todo o país contra os cortes propostos pelo Ministério da Educação no Bolsa Permanência. Hoje, nossa luta se junta com a luta de Malala Yousafzai.

Na última terça-feira (10), a paquistanesa prémio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, esteve em Salvador (BA) para encontrar-se com jovens mulheres indígenas. Mesmo que em continentes distintos e sob ameaças diferenciadas, são muitas as semelhanças que existem no caminho das indígenas e muçulmanas que desejam estudar. Com Malala, somamos forças pelas implementações de políticas públicas, pela assistência estudantil, e principalmente para nós enquanto mulheres indígenas, para o nosso movimento pela ocupação nos diferentes espaços, empoderamento de novas lideranças mulheres.

“E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”

“As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio”, afirma a Malala em uma rede social. Segundo a Fundação Malala, no Brasil são 1,5 milhão de meninas fora da escola, com alta quando se trata de comunidades indígenas e comunidades afro-brasileiras.

Enquanto a ativista para educação corre o mundo com mensagens sobre a diversidade de gênero, credo e pluralidade em salas de aula, no Brasil as políticas sociais para educação correm riscos. “O encontro com Malala mostra para o governo que enquanto ele quer tirar a educação dos povos indígenas, ela está trazendo incentivo internacional. Mostra para eles que é preciso investir e não tirar a educação dos povos”, afirma Uhitwe Pataxó, mãe de umas das indígenas que conversou diretamente com a líder mundial.

Malala é exemplo vivo de superação, garra e força feminina. É incentivo às nossas lutas constantes pela permanência nas universidades.

O mundo conheceu Malala em 2012, quando a adolescente de 15 anos na época foi baleada por radicas Talibã ao sair da escola. O grupo é contrário à educação das mulheres. Malala foi perseguida por se evidenciar na luta pelo direito à educação das meninas no Paquistão.

Em visita a Salvador (BA), Malala se encontrou representantes indígenas para dialogar e conhecer de fato suas histórias, dificuldades e conhecer as estudantes que irão se participar do projeto financiado por ela. A fundação que leva o nome de Malala irá contribuir na formação de estudantes indígenas da Bahia. Na ocasião, a ativista enfatizou a importância de ouvi-las, ter esse contato direto, saber as opiniões, as histórias de luta e a situação da educação nas suas comunidades.

Educação e Povos Indígenas

“Para os povos indígenas a educação é uma arma muito importante. A educação é como arma para lutar contra as adversidades, contra a retirada de direitos”, afirmou Rutian Pataxó, que também esteve presente no encontro.

“Usamos o conhecimento para ir contra retirada de direitos conquistados” – Rutian Pataxó

As escolas indígenas têm o papel político e social fundamentais nas comunidades. Contribui e incentiva a valorização da cultura, formação de lideranças jovens e na inserção nas universidades. Promove o empoderamento das estudantes indígenas, principalmente meninas que vem da base, das escolas indígenas. A presença de Malala em uma conjuntura onde nossos direitos à educação estão ameaçados por cortes do Ministério da Educação faz ecoar ainda mais o movimento Permanência Já. Possibilita maior visibilidade para a educação indígena e fortalece a importância das políticas públicas de educação para os estudantes indígenas. “A presença da Malala agrega bastante no nosso movimento estudantil, porque ela trouxe visibilidade para nossas lutas que são de bastante tempo”, afirma Thays Pataxó. “Ela deu um olhar especial para a nossa base, as escolas indígenas e principalmente para aquelas que estão nas comunidades. Sua sensibilidade com as meninas indígenas é muito importante por promover o empoderamento dessas estudantes”.

São lutas que se assemelham e somam na resistência. “Ela traz a luta pela educação. Sua trajetória é trajetória a ser espelhada. Tem um brilho no seu olho quando fala sobre educação de meninas”, comenta a estudante. Nas redes sociais, Fundação Malala publicou uma foto da ativista com as meninas indígenas afirmando: “Para muitas meninas indígenas no Brasil, a jornada para a escola é quase maior do que o próprio dia letivo – e enfrentar a discriminação dificulta ainda mais a permanência na escola”, descrevia a publicação.

“É um incentivo para continuar minha luta enquanto mulher indígena” Thays Pataxó

Ao ouvir a parente Tânara Pataxó Atikum, representante do colégio Estadual indígena Pataxó de Coroa Vermelha, notava-se o entusiasmo da estudante ao relatar o encontro com Malala. “Eu me senti honrada de estar com ela por conhecer sua luta pelo direito das meninas estudarem”, comentou Tânara. “Ela nos fez perguntas sobre a nossa educação, nossas escolas. Foi onde me dei conta que nossa história se assemelha com a dela. Também batalhamos pelos direitos e pela igualdade nas questões educacionais”, sustentou a jovem indígena de 15 anos. “A conversa com ela só fortaleceu minha vontade de querer está em uma Universidade e passar esse conhecimento para a comunidade, para as meninas”

ANAI e o Fundo Malala A visita de Malala a Salvador firmou uma parceria entre a Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI) e o Fundo Malala. A ANAI será umas das primeiras na América do Sul a integrar a Rede Gulmakai, que destina recursos do fundo criado pela paquistanesa ganhadora do Nobel da Paz na formação de meninas. Rutian Pataxó, que também fez parte da construção do projeto, ressalta que a parceria contribuirá para políticas de empoderamento feminino, ainda assim respeitando a educação diferenciada dos povos. “O projeto com o Fundo Malala, tem a intenção de empoderamento dessas meninas de 14 a 17 anos, no sentido de fazer que essas meninas possam ter um leque de opções, que esse leque possa fortalecer”, lembra a estudante de Direito. “O projeto trabalha para que elas possam se tornar lideranças na busca por uma educação diferenciada de qualidade, bilíngue que possa respeitar as nossas ancestralidades, respeitar a nossa cultura, esse é o principal objetivo do projeto”.

A Anaí é uma organização de direito privado, sem fins lucrativos, com sede em Salvador, Bahia, criada em 1979 e formalizada em 1982 para discutir e promover alternativas de relacionamento mais justo entre a sociedade brasileira e os povos indígenas no país.

“Essa parceria mostrará que as meninas indígenas podem continuar sua educação. Encorajará a não desistir, e também fazer com que o governo, tanto o federal quanto o municipal, invistam mais no ensino médio nas comunidades indígenas”, ressalta Uhitwe Pataxó, liderança indígena e que iniciou os estudos aos 45 anos. “A maioria dos jovens indígenas desiste porque não tem o ensino médio na comunidade. Estudam só o ensino fundamental e param por não ter condições de ir até uma cidade vizinha ou um local mais próximo que tenha um ensino médio”, comenta.

10/06/2018

PANORAMA DAS POLÍTICAS SOCIAIS E EDUCACIONAIS E A REFORMA DO ESTADO – 2ª parte

Por Maria Ângela Paié Rodella Innocente[1]

O contexto brasileiro
Segundo dados do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP, 1991), entre os anos 30 e a década de 1970, houve no Brasil, um determinado tipo de welfare state, um sistema de proteção social, do qual constavam benefícios previdenciários e assistenciais, rede integrada de ensino básico e secundário, política de atenção à saúde e política habitacional, a partir da ruptura de um Estado Oligárquico, a emergência de um Estado centralizador e concentrador do poder, com políticas de corte nacional, legitimando a presença estatal no campo da proteção social.

No período 1930/1943, são instituídos os Institutos de Aposentadorias e Pensões e a legislação trabalhista, consolidada em 1943. Ocorre também nacionalização na área de saúde pública e educação. Entre 1945 e 1964, há uma incorporação de novos grupos sociais aos esquemas de proteção, sob padrão seletivo, heterogêneo e fragmentado de intervenção social do Estado. Já entre meados da década de 1960 e meados da década de 1970, ocorre a consolidação do sistema.

O pano de fundo consiste em acelerados processos de industrialização, urbanização e transformação da estrutura social brasileira, em que se organizam os sistemas nacionais públicos e a implementação de políticas de massa. Completa-se assim o sistema de welfare state no Brasil, definindo-se o núcleo duro da intervenção social do Estado, porém ao final dos anos 70 apresenta indícios de esgotamento e crise. Nos anos 80 abre-se uma agenda de reformas que discute a inclusão/exclusão, e a revisão do padrão de proteção social. Verifica-se, portanto, que no Brasil houve três momentos de grandes modificações institucionais, ligadas às fortes alterações do Estado brasileiro contemporâneo: 1930, 1964 e 1985/88. É com a reestruturação de 1988 que novos princípios introduzem um padrão mais universalista e homogêneo de política social.

Para outros autores, no entanto, nunca houve o Estado de bem-estar no Brasil, por ter-se demarcado por interrupções no regime democrático, levando à perda de garantias constitucionais e mudanças na concepção de Estado (AGUILAR, 2000 apud SUNG, 2003, p. 74).

A dinâmica do crescimento econômico dos anos 60 e 70, sustentada pelas altas taxas de expansão durante os anos do milagre econômico, tornou-se insustentável nos anos 80. Com a falência financeira do governo, surgiu a necessidade de reformas nos sistemas econômico, político e social. Sobretudo com o declínio do modelo de substituição de importações, intensificou-se o endividamento externo que, no final da década de 1970 e juntamente com a política de estatização das dívidas, nos anos finais do regime militar, aniquilaram a capacidade de investimento estatal. Tal cenário resultou em desequilíbrios do setor público e da dívida externa e nas altas taxas de inflação dos anos 80, atuando, também, no declínio do regime militar. A crise brasileira, no entanto, não foi isolada, mas atrelada a um processo mundial da dinâmica da acumulação e expansão do sistema capitalista, num momento de reestruturação das forças produtivas e reorganização das bases objetivas de produção, possibilitando a expansão do capital mundialmente.

Na década de 1980, embora sendo um período difícil para a economia brasileira, criou-se um cenário favorável para a reorganização dos movimentos sociais, com lutas pelas eleições diretas para a Presidência da República. Houve na verdade, porém, uma transição de continuidade, pois as forças políticas dominantes apenas atenderam na medida mínima necessária, às reivindicações das classes populares.

Com a diminuição da intervenção estatal em relação às políticas sociais que assegurem o bem-estar social, a partir, sobretudo, no Brasil, dos anos 90, com o recrudescimento do neoliberalismo, passamos a um processo de reforma do Estado brasileiro, nos moldes das reformas mundiais, redefinindo a amplitude da atuação social do Estado.

A reforma do Estado torna-se mais evidente a partir das eleições presidenciais de 1989 e, nos anos 90, cria-se o Ministério de Reforma do Estado – MARE. No Caderno MARE da Reforma do Estado nº 1, Pereira (1997) indica quatro problemas para a reforma do Estado: a delimitação do tamanho do Estado; a redefinição do papel regulador do Estado; a recuperação da governança ou capacidade financeira e administrativa de implementar as decisões políticas tomadas pelo governo; o aumento da governabilidade ou capacidade política do governo de intermediar interesses, garantir legitimidade e governar. Tais problemas envolvem as ideias de privatização, publicização e terceirização, a desregulação do Estado quanto ao mercado, a superação da crise fiscal e da forma burocrática de administrar o Estado, a legitimidade do governo perante a sociedade e a adequação das instituições políticas para intermediação dos interesses. Tais aspectos, segundo o autor, envolveriam uma reconstrução do Estado, adaptando-o às novas conformações sócio-político-econômicas, na expansão do capital mundial, em que Estado e mercado são “fatores complementares de coordenação econômica” (p. 11).

Dessa forma, em paralelo com a conjuntura mundial, temos que a situação do Brasil, desde os anos 90, é de inserção no neoliberalismo – Estado mínimo, atuação pontual, lógica do mercado e seus desdobramentos – desregulamentação, privatização, terceirização, flexibilização dos contratos de trabalho, administração pública gerencial, sendo que nesse modelo de desenvolvimento da produção (pós-Fordismo), a expropriação da capacidade intelectual do trabalhador é tão importante quanto foi o domínio sobre sua capacidade física no modelo taylorista-fordista (HELOANI, 2003).

Assim, embora com avanços em relação aos direitos sociais, na Constituição Federal de 1988, a reforma consistia em desconstruir tais avanços que haviam sido garantidos nos princípios constitucionais. Ou seja, a democratização dos direitos sociais dependia da lógica do mercado. A capacidade do país em resistir politicamente às reformas foi também limitada pela situação financeira precária, subordinando-o aos interesses internacionais.

A reorganização do Estado se reflete no campo educacional, de forma que as leis educacionais tendem a seguir esses parâmetros, não se tratando, no entanto, de uma determinação mecânica, visto que nem sempre a lei produzida é expressão fiel de seus pressupostos, mas depende da organização política das classes defensoras de determinados interesses.

Contudo, a dependência do Brasil do financiamento externo, para a execução de suas políticas públicas, faz com que as mesmas sejam, de certa forma, dirigidas por instituições transnacionais como o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que exigem a contrapartida dos investimentos.

Nesse contexto, de dependência do Brasil quanto ao financiamento do capital externo, encontramos, nos documentos do Banco Mundial, a ênfase de que a aplicação dos recursos deverá ser no Ensino Fundamental, o que também se expressa na Lei 9394/96 (LDB), artigos 4º, I em que é dever do Estado com a educação escolar pública e gratuita “o ensino fundamental, obrigatório e gratuito [...]” e 5º, § 2º, que prescreve “[...] o poder público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório [...]”.

Na documentação do Banco Mundial (1996, p. 1), verificamos:
A Educação é crucial para o crescimento econômico e a redução da pobreza. A evolução da tecnologia e as reformas econômicas estão provocando mudanças extraordinárias na estrutura das economias, das indústrias e os mercados de trabalho em todo o mundo [...] Os investimentos em Educação contribuem para o acúmulo de capital humano que é essencial para conseguir investimentos mais altos e um crescimento econômico sustentável.

Entre os insumos considerados pelo BM, para a elevação da qualidade de ensino, encontramos os investimentos em infra-estrutura (cujos custos devem ser compartilhados com os pais), livros didáticos, capacitação de professores (formação em serviço e educação à distância), experiência dos professores, salários e tamanho da classe, sendo os dois últimos, não prioritários (BM, 1996).
Reportemo-nos a Jomtien, na Tailândia, cujo pacto (Declaração Mundial sobre Educação Para Todos e o Plano de Ação para satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem) o Brasil é signatário, expresso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Entretanto, a Educação de qualidade ultrapassa a sala de aula e objetiva uma sociedade educada – aquela composta de cidadãos críticos e criativos capazes de indicar o rumo histórico coletivamente pretendido, pois a qualidade não pode ser somente interpretada como eficiência mercantil, relação custo/benefício, eficácia e produtividade, conceituação que atende à lógica mercantil e legitima socialmente as reformas. A melhoria da qualidade de ensino passa por políticas públicas que valorizem o ensino público, que atendam ao compromisso de transformação social. A qualidade em educação não é mera questão técnica, mas vincula-se a relações de poder, é fundamentalmente política, pois atrela-se a que grupos receberão mais recursos e quais serão excluídos. Porém, o Estado Democrático exige o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a ampla maioria da população e para a redução das desigualdades sociais, bem como para a participação efetiva da população no processo de tomada de decisão.

Dessa forma, com respeito à qualidade, podemos distinguir a qualidade política, ou seja, aquela em que a comunidade tem a capacidade de se autogerir, dentro dos condicionantes objetivos, da qualidade formal, aquela que obedece às normas e estatutos, dando a impressão de uma comunidade exemplar. Ou seja, uma associação pode ser adequada aos meios, porém falha nos fins. Ou ainda: a qualidade política refere-se a finalidades e conteúdos, enquanto a qualidade formal, a instrumentos e métodos (DEMO, 1995, p. 8-9, 22-23). O mesmo autor, em outra obra (1988), indica que não há polarização entre qualidade e quantidade, pois são, no fundo, uma unidade de contrários que, em alguns momentos, se repelem e em outros, se necessitam. A quantidade é parte da qualidade, mas não a esgota (DEMO, 1988, p. 42). Ainda nessa obra, ressalta que a qualidade política é essencialmente histórica, “produto processual tipicamente humano [...] atinge precisamente o horizonte das condições subjetivas na feitura da história” (p. 51). Defende que qualidade política é participação e, assim, “qualidade é em substância participação” (p. 56), de forma que “a qualidade política depende de capacidade autocrítica consciente, cidadania organizada, ambiente democrático [...]”(p. 59).

No Plano Decenal de Educação (1993-2003), aponta-se, como qualidade, a adequação da escola à população, a garantia de aprendizagem, a diminuição da retenção e evasão de alunos, remuneração dos profissionais de educação, investimentos em educação, dentre outros aspectos. Além desses, o incentivo à participação da comunidade na escola pública. Tais fatores podem ser considerados insumos externos, mascarando o quadro educacional no que se refere à formação dos educadores e os meios para o exercício da profissão, o primeiro fator atrelando-se à expansão quantitativa, mas não qualitativa das licenciaturas (SUNG, 2003).

Quanto à cidadania, segundo Carvalho (2002, p.22), define-se por liberdade, participação, igualdade para todos – o que pressupõe a existência dos direitos civis, direitos políticos e direitos sociais, os quais, todavia, muitas vezes estão garantidos apenas no plano formal.

Após os anos do regime militar, no Brasil, com a intensificação dos movimentos sociais pela redemocratização, a cidadania ganhou também uma conformação de direitos coletivos, ampliando a noção de cidadania, que, para Demo (1988, p. 70) “é a qualidade social de uma sociedade organizada sob a forma de direitos e deveres majoritariamente reconhecidos” e, portanto, “da igualdade de todos perante a lei e do reconhecimento de que a pessoa humana e a sociedade são detentores inalienáveis de direitos e deveres”.

Nesse cenário, também ocorreram a pré-fixação do câmbio e da correção monetária; sucessivos congelamentos de preços e salários; a estagnação da indústria; a ampliação da renda no sistema financeiro em detrimento da esfera produtiva; a aceleração inflacionária e a deterioração do contexto social. Além da queda dos salários, houve uma precarização das relações de trabalho, atingindo as políticas sociais sobretudo nas áreas de saúde, habitação, educação, etc., quais sejam, alterações acentuadas na esfera econômica que modificaram, sobremaneira, o social. Dessa forma, o Estado foi progressivamente sendo privatizado, desacreditado e perdendo sua capacidade tributária, de regulação econômica e de oferta de serviços essenciais nas áreas sociais. Todas essas nuances interferem na construção da cidadania, num jogo de relações de poder entre Estado e sociedade civil.
Nesse contexto, da Constituição Federal, de filosofia descentralizadora, emergiram, com maiores ou menores graus de discussão pela sociedade civil, outros documentos que visam implementar as políticas públicas educacionais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996 e o Plano Nacional da Educação (PNE), em 2001, bem como as Constituições Estaduais, em 1989.

Na legislação de ensino, verificamos a gestão democrática do ensino público, a autonomia e a avaliação das instituições educacionais, que se conforma na característica neoliberal de um Estado avaliador, conforme é discutido, mais profundamente, no capítulo 2. Nessa característica, a gestão democrática corresponde aos interesses do mercado e à adequação ao capital financeiro internacional.
Na polissemia do termo, diante das diferentes conformações históricas, a gestão democrática assume a possibilidade de apenas corresponder aos interesses dominantes do mercado e das políticas de adequação do Estado brasileiro ao capital financeiro internacional. Nessa conformidade, a gestão democrática deve ser responsável e moderna, sem ater-se aos problemas efetivos de seus usuários, o que não alteraria a educação, nem a sociedade.

A redução da intervenção direta do Estado e a predominância das relações de mercado para o atendimento das necessidades sociais transformaram as relações de trabalho, orientando a finalidade da educação para a economia e o mundo globalizado, num processo de descentralização autoritária, visto que o Estado mínimo significa o Estado máximo a serviço dos interesses do capital. A reforma do Estado brasileiro traz uma nova relação entre educação e poder público. Implementam-se políticas compensatórias e focalizadas, sem modificar as estruturas vigentes. O Estado conclama a sociedade civil a atender às demandas dos problemas sociais, retirando-se de instâncias onde deveria atuar, numa política de assistencialismo.

Conforme salienta Demo (2006, p.10), no contexto capitalista “a relação entre educação e cidadania precisa ser conquistada”, ou ficará ao sabor do mercado. Assim, “a competitividade precisa de gente que sabe pensar. Mas precisa de gente que sabe pensar servilmente [...]”. De tal forma, “a relação entre educação e cidadania é tão importante quanto frágil”. Portanto, “a educação tem seu lugar indispensável, embora nunca único”.

Assim abordarmos, brevemente, o contexto em que se situam as políticas públicas e a política educacional, em que se amparam as políticas de democratização da gestão escolar da escola pública.
[1] Mais discussões e bibliografia completa podem ser encontradas no livro da autora “Participação e avaliação: Relações e Possibilidades – Uma análise sobre a atuação do Conselho de Escola no Projeto Pedagógico e a Avaliação de Sistemas” (2011), bem como em sua dissertação de mestrado, cujo conteúdo encontra-se disponível na lateral esquerda do blog.

06/06/2018

PANORAMA DAS POLÍTICAS SOCIAIS E EDUCACIONAIS E A REFORMA DO ESTADO – 1ª parte

por Maria Ângela Paié Rodella Innocente[1]

Estado, capitalismo, cidadania e educação estabelecem entre si relações complexas que envolvem o poder, o conflito, os processos de decisão.

As políticas sociais são opções políticas que emergem do conflito entre acumulação e satisfação de necessidades sociais, bem como a promoção da igualdade. No entanto, o padrão de acumulação impõe restrições à política social.

A fim de melhor entendermos o contexto em que se inserem as políticas sociais, dentre elas a política educacional, discorremos sobre elas e a reforma do Estado. Inicialmente, discutimos tal conformação em âmbito mundial.

O contexto mundial no qual o Brasil se insere
A partir dos anos 60, o modelo de desenvolvimento econômico acentuado do capitalismo entrou em crise prolongada. Esse modelo caracterizava-se por um Estado bastante presente na economia, visando garantir a reprodução da força de trabalho, destinando-se grandes recursos estatais para a economia e investimentos em políticas sociais, como saúde, educação, previdência social e também, diminuir as tensões sociais no pós-guerra. Tal padrão de acumulação funcionou adequadamente num contexto de elevado dinamismo econômico e estabilidade social, baseado na capacidade de gerar empregos e aumentos de salários, bem como dos gastos públicos (PEREIRA, 1997; MINTO, 2005).

No entanto, as bases econômicas foram se alterando, incorporando progressos científicos e tecnológicos, o que, somado a outras mudanças no cenário mundial, alterou a lógica de acumulação que se tornou menos dependente da força de trabalho utilizada na produção. O padrão de financiamento público da economia tornou-se excessivo para as finanças do Estado, com o crescimento populacional e independência da economia em relação à mão-de-obra em larga escala.

No Estado de bem-estar social, com a construção do pleno emprego, mediante a intervenção do Estado, produziu-se artificialmente a equilibração entre oferta e consumo, com alto grau de organização dos partidos políticos e sindicatos vinculados aos trabalhadores. A partir da década de 1970, o mercado dá sinais de esgotamento, com desemprego e inflação em elevação, fragilizando o modo de acumulação fordista (SILVA JR., 2002).

As décadas de 1960 e 1970 foram de crise, em que os Estados nacionais perderam seus poderes econômicos. Com a crise, expandem-se a miséria e o desemprego. O ritmo de crescimento dos orçamentos públicos não era mais capaz de atender às demandas sociais.

Nos países mais pobres, as tensões sociais associadas à crise ampliaram-se, levando a uma redução no padrão de vida da maioria da população, desemprego, aumento da inflação, gerando problemas econômicos estruturais, alterando as relações entre trabalho e desemprego.

Desmonta-se o Estado de bem-estar e seu pacto social, num contexto de mundialização do capital, que necessita expandir-se para superar suas crises. Intensificam-se as mudanças para a construção de um novo pacto social, realizando-se reformas do Estado que afetam a cidadania e a educação. O capital financeiro expande-se e desloca-se para outras esferas sociais. Os sindicatos enfraquecem, o que dificulta sua mediação entre a sociedade e o Estado, enquanto o capital em processo de mundialização fortalece-se e busca a reorganização social (SILVA JR., 2002, p. 9-31).

As instituições públicas enfraquecem e emergem os organismos globais, com poder político e econômico, sob hegemonia do capital financeiro, como o BM, o FMI, a OMC, voltados para a consolidação da nova forma de capitalismo (SILVA JR., 2002, p. 57-58).

A esfera pública restringe-se, a privada expande-se numa nova regulamentação diferente daquela do Estado de bem-estar social. O Estado nacional, forte, pouco intervém no econômico e no social. Porém, é forte para produzir políticas sobre as atividades de Estado, e pouco interventor, porque sob ideologia neoliberal, transfere responsabilidades para a sociedade civil, fiscalizando-as, avaliando-as e financiando-as, sob a égide de políticas influenciadas pelas agências multilaterais. “O poder regulador, sob a forma do ‘político’, é agora o poder econômico macro gerido pelo capital financeiro” (SILVA JR., 2002, p. 32).

Restringe-se a esfera social da cidadania, em favor da acumulação do capital. O Estado mostra-se democrático em relação ao social, quando transfere os direitos sociais para a responsabilidade da sociedade civil, denominando tal transferência de descentralização, mas mantendo seu núcleo central, como Estado gestor, que já definiu as políticas sociais sob orientação do econômico.

Daí derivam direitos sociais mercantilizados pelas organizações não-governamentais, planos de saúde e previdência privada e a educação torna-se um quase-mercado, adaptando-se a escola à flexibilização e à racionalidade, características do capitalismo. Conforme discorre Le Grand (1991, apud AFONSO, 2001, p. 115), o quase-mercado substitui o monopólio dos fornecedores do Estado por uma diversidade de fornecedores independentes e competitivos. No entanto, diferem dos mercados convencionais em aspectos importantes: competem por clientes, mas não visam necessariamente a maximização dos lucros; o poder de compra dos consumidores não é necessariamente expresso em termos monetários e, em alguns casos, os consumidores delegam a certos agentes sua representação no mercado.

O processo de reforma do Estado, em atendimento às necessidades econômicas, implica a supressão do Estado de bem-estar social produzindo uma reforma na educação, utilizando-se de algumas concepções pedagógicas e teorias educacionais como suporte, ou seja, legitimam-se as reformas por meio da ciência e da técnica.

Tem-se um Estado reprodutor do capital, com a iniciativa privada substituindo o governo, tornando-o eficaz, eficiente e capaz de dar rumos à sociedade, enquanto na área social transformou-se em um Estado forte, centralizador e avaliador, o qual é “um Estado forte no âmbito interno e submisso no plano internacional” (SILVA JR., 2002, p. 49).

Draibe (1997) alerta para as dificuldades do estabelecimento de prioridades no interior da política social, pois mesmo o caráter universal não impede distorções, como o acesso de grupos já privilegiados da população aos bens disponibilizados, em detrimento dos mais necessitados. Propõe, na agenda de reformas da política social na América Latina, políticas de erradicação da pobreza e a busca de concepções alternativas de reorganização da proteção social – alternativas aos modelos vigentes de justiça social e redistribuição de riqueza, pois a América Latina vem sofrendo um processo de deterioração dos serviços sociais públicos, além do empobrecimento da população. A autora ainda discute novas formas de solidariedade social, por meio de mutirões, entendidas como políticas emergenciais de enfoque seletivo e compensatório. Os menos pobres deverão recorrer às ofertas do mercado. Tal configuração do Estado representa o modelo do Estado mínimo.

Sobretudo a partir dos anos 90, as políticas públicas têm um caráter transnacional, existindo uma Agenda Globalmente Estruturada para a Educação, como nos mostra Dale (2000, p.133). Assim, uma nova forma de força supranacional afeta os sistemas educativos nacionais. A economia capitalista mundial funciona como a força diretora da globalização e, embora mediada pelo local, atua sobre os sistemas educativos.

Na abordagem da Agenda Globalmente Estruturada para a Educação, a globalização é vista como sendo caracterizada por hiper-liberalismo, governação sem governo (as regulações são feitas pelo mercado) e mercadorização e consumismo (DALE, 2000).

A crise do Estado levou a questionamentos sobre a intervenção estatal nos setores sociais, dentre eles, a educação, considerando assim, que o Estado não conseguiu atender de forma eficiente aos serviços educacionais. Nesse cenário, discutimos o contexto brasileiro[2].

[1] Mais discussões e bibliografia completa podem ser encontradas no livro da autora “Participação e avaliação: Relações e Possibilidades – Uma análise sobre a atuação do Conselho de Escola no Projeto Pedagógico e a Avaliação de Sistemas” (2011). Pode ser adquirido nas livrarias Martin Fontes, Cultura e Asabeça.
[2] Será abordado em continuidade, em próximo texto.

23/05/2018

RESENHA: SISTEMA EDUCACIONAL, SISTEMA OCUPACIONAL E POLÍTICA DA EDUCAÇÃO – CONTRIBUIÇÃO À DETERMINAÇÃO DAS FUNÇÕES SOCIAIS D0 SISTEMA – Claus Offe

As funções sociais do sistema educacional não podem ser analisadas adequadamente partindo das intenções declaradas dos constituintes do sistema educacional, pois isto implicaria três fontes de erros:

- finalidades heterogêneas e diversidade de avaliação de elementos individualizados por valorações arbitrárias;
- o subsistema social educacional não é autônomo para realizar os fins por ele mesmo determinados;
- as funções reais do sistema educacional não decorrem das intenções explícitas de qualquer ator a ele ligado.

Ao analisarmos o subsistema educacional numa perspectiva funcionalista se ignora o caráter político das argumentações.

O texto tem o objetivo de analisar criticamente algumas perspectivas sobre a educação nas sociedades capitalistas avançadas, buscando assim problematizar soluções numa reflexão crítica da prática político-administrativa.


1- Relações entre sistema educacional e sistema ocupacional:

Textos liberais e marxistas (baseados nos escritos de J. H. Von Thumen), colocam que mais educação aumenta o ingresso da população no mercado de trabalho.

As máquinas exercem funções padronizadas e repetitivas e aos homens, a inventividadee o emprego racional das máquinas. “Ampliou-se a exigência de uma qualificação abrangente para as atividades”. (Edding)

Crítica ao fato “a qualificação dos indivíduos é apenas um meio para sua subsenção mais lucrativa à pressão de utilização do capital”. (Altvater) – a qualificação da força de trabalho é relevante para a produtividade. Este esquema de interpretação é utilizado para esclarecer o desenvolvimento da política educacional – crítica do autor.

Esquemas de interpretação que se apoiam em dois supostos empíricos gerais:

- transformações de demanda, em relação às exigências à força de trabalho;
- suposição de que o processo de educação formal atende às qualificações demandadas pelo sistema ocupacional.

Se estas duas suposições fossem corretas, a adaptação do sistema educacional ao ocupacional seria base para planejamento e crítica. Mas são problemáticas, na realidade, embora aceitas como corretas.
Essa relação não tem claros resultados empíricos.

Não há evidente diferença entre o nível de qualificação média dos trabalhadores nos diversos setores. Permanece em aberto a relação se o nível de qualificação exigido no curso da transformação tecnológica é alterado por esta.

Em alguns casos, o capital/mercado deseja empregar máquinas e pessoal não qualificado (mal pago).
Existem indícios de que, conforme o sistema educacional se expande, o sistema ocupacional se torna mais seletivo/exigente, sem aumento de salários.

A necessidade de elevação da qualificação é um uso que se perpetua a si mesmo, não se esclarece quais suas funções e disfunções latentes.

Na sociedade industrial, mede-se a qualificação pelo tempo, e coloca-se a questão se a ideia da qualificação é um conceito unidimensional.

Essa questão é negada na diferenciação entre qualificações funcionais e extrafuncionais, apoiadas na tese marxista do “duplo caráter” do trabalho assalariado no capitalismo – trabalho assalariado no capitalismo – trabalho assalariado/capital – processo de trabalho e de valorização; um paradoxo no termo “qualificação” – um lado conteudístico e um lado social.

O que orienta a demanda da qualificação no sistema ocupacional industrial é a formação de capacidades cognitivas altamente genéricas, de fácil transferibilidade entre tarefas – “meta – capacitação”, ajustando-se às transformações técnicas e suas exigências – educação permanente: tendência de autonomização do sistema educacional e funcionalização deste – social/conteudístico.
O esclarecimento da contribuição do sistema educacional para o crescimento econômico é a aspiração central da economia da educação.

No plano micro–econômico são relacionados o tipo e a duração da escolaridade de um indivíduo com a sua contribuição para o produto social.

Na teoria do capital humano, o planejamento educacional defronta-se com a questão de que tipo e quantidade deve ser produzido, o que é discutido no planejamento educacional e no planejamento da educação, que buscam sincronizar a qualificação gerada pelo sistema educacional com as demandas do sistema ocupacional, e um “estoque nacional de capital”, o que é delineado na política educacional.

A oferta/demanda de qualificação, que orienta a política educacional, a produz.

Existe portanto, um déficit de prognose e o problema dos recursos de poder, que agudizam as restrições políticas e lógicas do processo de planejamento através de um déficit de controle político que resulta da imensa demanda de recursos, consenso e tempo inerente ao planejamento.

A ideia de regular a qualificação através do sistema de educação formal supõe sempre uma discrepância prática, temporal e de pessoal que se apresenta, do ponto de vista do atendimento do mercado, como custo desnecessário.

Com a expansão do sistema educacional, o quantum de superprodução de qualificação é irrelevante para o mercado de trabalho; esta superprodução cresce em termos absolutos e relativos. Numa concepção marxista, são “reservas operacionais”.

A política educacional e o sistema de educação podem oferecer uma qualificação da capacidade de trabalho social adequado à demanda apenas de (e mesmo assim com baixa confiabilidade) não transformam estar funções em seus motivos dominantes.


2- Sistema educacional e qualificação “social” da força de trabalho.

O sistema educacional precisa definir critérios de relevância e objetivos próprios, a fim de poder atender às exigências icônicas do sistema ocupacional como uma entre suas muitas funções.
A solução de problemas é da competência e responsabilidade da política educacional do Estado – decisões qualitativo – curricular, qualificação, etc; múltiplos critérios.

A proteção à força de trabalho desempregada é considerada um método político obsoleto, considera-se necessária a geração de mecanismos que atuem como preventivos.

Trata-se de assegurar o atendimento à demanda do sistema ocupacional com força de trabalho qualificada e dotá-la da capacidade de superar as transformações no sistema produtivo, para obter um salário contínuo – relação de “seguridade social” do sistema educacional / sistema ocupacional.

Outro critério político–educacional é a tarefa educativa de formação de virtudes quais ligadas ao trabalho e lealdades institucionais, adaptação às “relações de produção”, numa lógica de estabilização preventiva, sendo as funções sociais de socialização cada vez mais assumidas pela escola, através da educação formal prolongada, visando a integração cultural da força de trabalho na estrutura do sistema operacional.

Isto leva à discussão das funções do sistema educacional e de como atua.


3- Funções do sistema educacional e problemas estruturais do sistema político.

Existe um “vácuo” de critérios para a política e a administração do sistema educacional, o que não implica em liberdade de ação.

Instâncias do Estado se empenham em manter e elevar sua própria capacidade de intervenção político – educacional. A questão da igualdade de oportunidades é a base de legitimação política, porém é, devido à exploração e luta de classes e capital / trabalho, ficção.

A avaliação do sistema educacional do Estado é tentativa de criação de igualdade de oportunidades – como correção a posterior, e não antes e fora do processo do mercado.

“Na medida em que a determinação do status social individual organizado pelo Estado não mais corrige apenas as desvantagens individuais, mas se organiza através do sistema escolar como “repartição das chances de vida (Schelsky), desliga-se a política da educação do Estado, [...] dos procedimentos de troca no mercado de trabalho e de mercadorias”.

Para o Estado preservar sua legitimidade, precisa manter a ficção da igualdade entre os cidadãos, defendendo-se dos mecanismos de exploração, criados na sociedade capitalista – legitimação.

A política educacional procura produzir esta aparência de igualdade e neutralidade entre classes. No entanto, o destino social dos indivíduos não é determinado pelo que aprenderam na escola.

A política educacional presta-se às finalidades de segurança da base de legitimação do sistema político. Numa “sociedade educativa” a frequência à educação formal aparece como condição e fundamento do destino social dos indivíduos.

A política educacional do Estado preenche a função de formação ideológica de estruturação da consciência social. Há esforços para fazer da escola um instrumento do processo de socialização política.


4- Crescimento das funções do sistema educacional.

Devido a características das sociedades industriais desenvolvidas o sistema educacional precisa assumir tarefas substitutivas da organização da vida social.

Algumas destas características:

- perda de funções da pequena família – crescente limitação das funções educacionais e de socialização realizáveis por meio do grupo familiar; manutenção do trabalho feminino no mercado.
- educação profissional – em sistemas de educação formal.
- educação para o consumo.
- educação formal assume socialização da força de trabalho não ocupada.
- ocupação dos jovens fora do mercado de trabalho, pelo sistema educacional.


5- Problemas e contradições da política educacional do Estado.

Quatro pontos para estudar o desenvolvimento do sistema de educação:

- qualificação conteudística;
- integração social da força de trabalho;
- criação de legitimação para o sistema político / equalização;
- substituição frequente de subsistemas sociais.

“A política da educação ocupa-se, no sentido amplo, fundamentalmente de assegurar uma reprodução social livre de perturbações”. (Altvater / Huisken)

“Uma política educacional consequente pode conduzir a conflitos desestabilizadores para o sistema”. (Habermas)

Temos então:

- ilusão da igualdade de oportunidade;
- choque de realidade;
- superqualificação sistemática;
- transferibilidade de capacitação cognitiva;
- possibilidade da política educativa do Estado investir menos, com mais fiscalização, gerando conflitos dentro e fora do sistema educacional.


Conclusão

Dentre as políticas, a educacional põe em evidência o Estado e a maneira como ele conduz de forma mascarada a igualdade de oportunidades. O Estado nutre uma aparente “neutralidade em relação às classes” no que tange suas funções enquanto o status social e as chances dos indivíduos estão relacionados à lógica do capital.

O sistema educacional assume cada vez mais funções de outras instituições da sociedade, o que demanda maiores investimentos, porém, caso não atenda às exigências do Estado/mercado, torna-se mais sujeito ao controle de investimento, fiscalização e regulamentação por parte desses, aumentando as contradições do próprio sistema.

01/11/2016

EDUCAÇÃO COMO DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO

O presente artigo aborda o regime jurídico aplicável ao ensino fundamental, buscando analisar se a figura jurídica do direito público subjetivo presta-se à exigibilidade judicial de políticas públicas educacionais, tendo em vista, especialmente, a necessidade de adaptação do conceito ao contexto de uma Constituição
que adota o modelo do Estado Social de Direito.
Palavras-chave: direitos sociais; direito público subjetivo; políticas públicas educacionais.
Leia sobre a Educação como Direito Público Subjetivo clicando aqui.

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