JESUS: O PRESO
POLÍTICO QUE MUITOS CRISTÃOS SEGUEM SEM CONHECER A HISTÓRIA
Você já percebeu uma
das maiores contradições da história do cristianismo?
Milhões de pessoas
dizem ser cristãs. Dizem seguir Jesus Cristo, defendem seus ensinamentos,
carregam sua imagem, colocam sua cruz dentro de suas casas e até usam o nome de
Jesus para defender posições políticas.
Mas será que essas
pessoas realmente estudaram quem foi Jesus dentro do contexto histórico em que
ele viveu?
Porque existe uma
realidade que deveria fazer qualquer cristão parar por alguns minutos e pensar:
Jesus foi preso,
torturado, julgado e executado pelo poder de seu tempo.
E quando digo que
Jesus pode ser compreendido como um preso político, não estou dizendo que ele
era político no sentido moderno, como um candidato, deputado ou militante
partidário.
Estou falando de
outra coisa.
Estou falando de um
homem cuja mensagem entrou em choque com estruturas religiosas, sociais e
políticas extremamente poderosas.
Jesus nasceu e viveu
em uma região submetida ao domínio do Império Romano. A Judeia não era um país
independente como conhecemos hoje. Roma exercia o poder imperial, controlava a
ordem pública e possuía autoridade para aplicar determinadas formas de punição,
inclusive a crucificação.
Ao mesmo tempo,
existiam autoridades e instituições judaicas com enorme influência religiosa e
social.
Era um mundo em que
religião e poder não estavam separados como muitas pessoas imaginam atualmente.
E foi justamente
nesse ambiente que apareceu Jesus anunciando algo extremamente provocador:
o Reino de Deus.
Agora pare para
pensar.
Naquele mundo existia
o poder de César.
Existia o Império
Romano.
Existiam reis,
governadores, soldados, autoridades religiosas, elites econômicas e estruturas
de dominação.
E, no meio disso
tudo, aparece um homem dizendo que existe um Reino que não pertence a César.
Um Reino de Deus.
Isso não significa
que Jesus tenha organizado uma revolução armada contra Roma.
Não significa que
tenha criado um partido político.
Não significa que
pretendesse disputar o poder imperial.
Mas significa que sua
mensagem colocava uma autoridade acima das autoridades humanas.
E isso, naquele
contexto, não era uma mensagem politicamente neutra.
Jesus não pregava
simplesmente uma religião para ser praticada dentro de quatro paredes.
Ele falava sobre
pobres.
Falava sobre riqueza.
Falava sobre justiça.
Falava sobre poder.
Falava sobre
hipocrisia.
Falava sobre aqueles
que exploravam os outros.
Falava sobre o
próximo.
Falava sobre
misericórdia.
Falava sobre os marginalizados.
E, principalmente,
apresentava uma maneira diferente de compreender autoridade.
Enquanto o mundo
dizia que grande era aquele que dominava, Jesus ensinava que grande era aquele
que servia.
Enquanto os poderosos
acumulavam privilégios, Jesus colocava os pobres e excluídos no centro de sua
mensagem.
Enquanto determinadas
estruturas religiosas separavam pessoas entre puras e impuras, dignas e
indignas como fazem os bolsonaristas, Jesus atravessava essas fronteiras e se
aproximava justamente daqueles que eram rejeitados.
Isso é profundamente
desafiador.
E talvez seja
exatamente por isso que tanta gente hoje tenha dificuldade para compreender o
Jesus histórico.
Porque é muito mais
confortável transformar Jesus em um símbolo decorativo do que estudar o homem
que enfrentou as estruturas de seu tempo.
Jesus não terminou
sua vida em uma cama.
Terminou pregado numa
cruz.
E aqui precisamos
compreender o significado daquela execução.
A crucificação era
uma punição romana brutal e pública. Era também uma forma de demonstração de
força.
O condenado não era
simplesmente morto.
Seu corpo era
exposto.
A mensagem era clara:
Roma tinha poder para
destruir quem fosse considerado uma ameaça à ordem estabelecida.
Jesus foi acusado,
interrogado e levado diante das autoridades. O processo envolveu autoridades
judaicas e romanas em um contexto de tensão política e religiosa.
E, no final, a
decisão que levou à crucificação passou pelo poder romano.
Pôncio Pilatos,
representante de Roma na Judeia, autorizou sua execução.
E existe um detalhe
que merece atenção:
Na cruz foi colocada
a identificação de Jesus como “Rei dos Judeus”.
Rei.
Essa palavra, naquele
contexto, carregava um peso político que não podemos simplesmente ignorar.
Roma possuía um
imperador.
Roma controlava a
região.
Roma não tolerava
facilmente reivindicações de soberania concorrentes.
E Jesus aparece sendo
apresentado como rei.
Por isso, quando eu
digo que Jesus foi um preso político, estou chamando atenção para essa dimensão
histórica: um homem cuja mensagem e cuja presença foram consideradas perigosas
dentro de uma ordem dominada pelo poder imperial.
Ele não precisava
empunhar uma espada para ser desafiador.
Às vezes, uma ideia é
mais perigosa para um sistema do que uma arma.
E Jesus tinha uma
ideia extremamente poderosa:
o poder humano não
era absoluto.
César não era Deus.
O Império não era
eterno.
A riqueza não era
medida de valor humano.
O pobre não era
inferior.
O doente não era
descartável.
O excluído não
deveria ser abandonado.
E o próximo deveria
ser amado.
Isso era uma maneira
completamente diferente de olhar para o mundo.
Agora vem a parte que
mais me faz refletir.
Hoje existem cristãos
que defendem políticos tipo Bolsonaro como se estivessem defendendo o próprio
Jesus.
Alguns transformam
Jesus em símbolo de partido como muitos pastores fizeram com Bolsonaro.
Outros usam Jesus
para justificar riqueza os falsos profetas.
Outros usam Jesus
para justificar intolerância como fazia Bolsonaro.
Outros falam de Deus
enquanto desprezam justamente aqueles que os Evangelhos apresentam como
merecedores de cuidado os pobres.
E eu fico pensando:
Será que essas
pessoas estudaram o homem que dizem seguir?
Porque seguir Jesus
não deveria significar simplesmente repetir seu nome.
Seguir Jesus deveria
significar tentar compreender seus ensinamentos.
E compreender seus
ensinamentos exige conhecer o mundo em que ele viveu.
Jesus não nasceu
dentro de uma democracia moderna.
Não existia Estado
democrático de direito como conhecemos.
Não existiam redes
sociais.
Não existiam partidos
políticos modernos.
Não existia liberdade
religiosa nos moldes atuais.
Existia um império.
Existiam soldados.
Existiam impostos.
Existiam
desigualdades profundas.
Existiam elites.
Existiam conflitos
religiosos.
Existiam pobres.
Existiam pessoas excluídas.
E foi nesse mundo que
Jesus começou a anunciar:
“O Reino de Deus
chegou.”
Isso é muito maior do
que simplesmente dizer “acredite em Deus”.
Era apresentar uma
nova maneira de enxergar a existência.
E talvez seja
justamente por isso que Jesus continua sendo tão incômodo dois mil anos depois.
Porque o Jesus
histórico não cabe perfeitamente na direita.
Não cabe
perfeitamente na esquerda.
Não cabe em partido
político.
Não pertence a
presidente.
Não pertence a
pastor.
Não pertence a padre.
Não pertence a
empresário.
Não pertence a
milionário.
Não pertence a pobre.
Jesus pertence à
história.
E cada pessoa que
afirma segui-lo deveria ter coragem de estudar essa história antes de usar seu
nome para defender aquilo que pensa.
Porque existe uma
ironia gigantesca na trajetória do cristianismo:
o homem perseguido
pelo poder acabou sendo utilizado posteriormente por diferentes poderes para
legitimar suas próprias autoridades.
O homem que foi
humilhado na cruz acabou sendo colocado em palácios.
O homem que caminhou
entre pobres acabou sendo utilizado para justificar riquezas.
O homem que falou
contra a hipocrisia acabou sendo transformado em instrumento de discursos
hipócritas.
O homem que foi
executado pelo poder imperial acabou sendo apresentado, séculos depois, ao lado
de governantes e autoridades.
E talvez seja por
isso que estudar Jesus seja tão importante.
Porque acreditar sem
estudar pode transformar a fé em repetição.
Mas estudar permite
compreender.
E compreender pode
transformar a fé em consciência.
Eu não estou dizendo
que todo cristão precisa enxergar Jesus exatamente da mesma maneira que eu
enxergo.
Estou dizendo que
quem afirma seguir Jesus deveria, pelo menos, conhecer o contexto histórico
daquele homem.
Porque antes de
existir o cristianismo institucional existiu um judeu da Galileia.
Antes das catedrais
existiu um homem caminhando pelas estradas.
Antes dos símbolos
religiosos existiu uma mensagem.
Antes dos palácios
existiu uma cruz.
E antes de ser
transformado em símbolo político por diferentes grupos, Jesus foi um homem que
desafiou a lógica de seu tempo anunciando que havia uma autoridade maior do que
os poderes humanos:
o Reino de Deus.
Talvez essa seja a
pergunta que todo cristão deveria fazer antes de dizer que é seguidor de
Cristo:
“Eu realmente conheço
o homem que estou dizendo que sigo?”
Porque carregar uma
cruz no pescoço é fácil.
Difícil é compreender
por que aquele homem terminou pregado nela.
E talvez compreender
isso seja o primeiro passo para entender o verdadeiro tamanho do desafio que
Jesus representou para o mundo em que viveu.
Ass : André Luiz
Thiago também conhecido por André Negrão.
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