Um episódio em uma turma do 9º ano terminou com o professor registrando um Boletim de Ocorrência durante a aula. Um grupo de alunos chamava uma colega negra de “Zé Gotinha da Petrobras”. Enquanto eles riam e insistiam nas provocações, a adolescente chorava.
O professor interrompeu a matéria, conectou o notebook ao datashow, acessou o serviço eletrônico da Polícia Civil e registrou, diante da turma, um B.O. relatando o ocorrido. Depois, projetou informações sobre racismo e suas possíveis consequências jurídicas.
O riso acabou. Alguns estudantes ficaram desesperados e mães procuraram a escola acusando o professor de constrangê-los e fazer “terrorismo psicológico” com adolescentes que, segundo elas, “não estavam fazendo nada demais”.
A pedido do professor, escola e rede de ensino não serão identificadas, seguindo orientação jurídica recebida junto ao sindicato da categoria.
O caso chama atenção para o preconceito recreativo presente nas escolas: racismo, gordofobia, homofobia e outras humilhações transformadas em apelidos, memes e “brincadeiras”.
Quando o B.O. apareceu no telão, o riso acabou. Os adolescentes perceberam que seus atos poderiam ter consequências concretas. Dependendo da apuração e da idade, podem existir medidas socioeducativas previstas em lei, como prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida, além de possíveis repercussões civis, inclusive reparação pelos danos causados à vítima.
Ser menor de idade não significa viver em um mundo sem consequências.
Estar ao lado de um filho quando ele erra não é transformar quem estabeleceu o limite em culpado. É ajudá-lo a compreender a gravidade do que fez e assumir as consequências.
Porque naquela sala havia adolescentes precisando aprender que racismo não vira brincadeira só porque alguém riu. E havia uma menina chorando, precisando que algum adulto finalmente dissesse: chega.
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