Retirei esse texto do livro que estou escrevendo porque acaba sendo visto como um tema político quando meu livro é sobre Psicanálise. Obviamente tudo tem a ver com tudo, mas estou com receio de deixar e também não queria desperdiçar a reflexão. Selecionei para o livro algumas perguntas que pacientes me fazem no cotidiano e essa foi a resposta que formulei. Então posto aqui. Vocês acham descabido num livro de Psicanálise para mulheres? Segue:
Pesquise neste site
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
31/07/2026
CIDADANIA FEMININA
“Não seria o feminismo o responsável por esse estado de calamidade emocional atual, em que mulheres e homens não se entendem mais?”
É preciso considerar que se antes as famílias fossem unidas e felizes (dentro da ordem imaginária das famílias tradicionais), não teria havido luta para aprovar leis como a Lei do Divórcio. Se antes as mulheres não fossem exploradas e maltratadas, não teria havido a necessidade de leis de proteção à integridade física delas.
O movimento feminista não inventou a mulher que trabalha fora de casa. As mulheres trabalhavam como camponesas na Idade Média e como operárias em fábricas, lavanderias, sempre foram as mulheres que cuidaram da limpeza no ramo de hotelaria… As mulheres sempre trabalharam, apenas não tinham direitos civis que incluíam um piso salarial ou direitos trabalhistas. O movimento feminista fez a luta para que elas fossem remuneradas dignamente e pudessem ter direitos básicos, como uma conta bancária para não serem obrigadas a entregar o fruto do próprio trabalho para maridos que gastariam em bordéis e jogatinas (enquanto os filhos morriam de desnutrição), direito à pensão para elas e os filhos nos inúmeros casos em que os maridos abandonavam suas famílias sem contribuir com um centavo no sustento das crianças, o direito de denúncia quando levavam surras ou eram assassinadas.
O feminismo não está em pauta nas redes sociais e nas conversas cotidianas. O que se vê nesses espaços não tem rigorosamente nada a ver com o feminismo original. Observe os tópicos que foram objeto de luta das precursoras dos movimentos:
Christine de Pizan (1364–1430): Escritora italiana que combatia a ideia de que as mulheres eram inferiores, pois as mulheres eram consideradas sem capacidade intelectual, uma subespécie em relação aos homens. Eram consideradas como os cachorros ou gatos atualmente, ou como as mulheres pet.
Mary Wollstonecraft (1759–1797): Filósofa inglesa, escreveu Reivindicação dos Direitos da Mulher, onde argumenta que as mulheres parecem "tolas" apenas porque não recebem educação de qualidade.
Ou seja… Durante mais de 300 anos, a luta foi pelo reconhecimento da capacidade cognitiva das mulheres. A feministas tentavam ainda convencer a sociedade que se as mulheres tivessem o direito de estudar, direito à educação, elas conseguiriam aprender e raciocinar como os homens.
Olympe de Gouges (1748–1793): Escritora francesa, escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã em 1791 defendendo a inclusão das mulheres nos códigos de direitos políticos e civis durante a Revolução Francesa.
Muitas mulheres têm saudade de um passado que não conheceram porque não se interessavam nas histórias que suas avós e bisavós tinham para contar.
02/08/2025
PRA QUE SERVEM AS MULHERES
Em 1885, uma jovem de 18 anos chamada Elizabeth Cochrane leu uma frase que incendiaria sua alma:
“Para que servem as mulheres? Para ter filhos e cozinhar.”
Foi como um soco no estômago.
Mas, em vez de recuar, ela reagiu.
Pegou papel e caneta e respondeu — com raiva, com coragem, com argumentos que rasgavam o silêncio.
Assinou com um pseudônimo, porque o mundo não aceitava mulheres que pensavam.
O editor ficou sem fôlego.
Nascia ali Nellie Bly.
E com ela, uma revolução no jornalismo — feita de audácia, verdade e sangue nas palavras.
Mas Nellie não queria escrever sobre chapéus nem salões de chá.
Queria mostrar o inferno das operárias, a podridão dos poderosos, o grito sufocado dos que ninguém ouvia.
Aos 21 anos, viajou sozinha para o México e voltou com uma crônica que queimava: pobreza, censura, abuso.
Aos 23, decidiu ir mais fundo: fingiu loucura e foi internada no manicômio de Blackwell.
Dez dias vivendo o terror: gritos intermináveis, agressões, comida estragada, o frio que gelava até a alma.
Sobreviveu.
E escreveu um relato que abalou os Estados Unidos.
As leis mudaram. Mulheres esquecidas deixaram de ser fantasmas.
Mas ela ainda não havia terminado.
Inspirada por Júlio Verne, deu a volta ao mundo — sozinha.
Voltou em 72 dias, 6 horas e 11 minutos.
O mundo, pela primeira vez, aplaudiu uma mulher por ser corajosa e livre.
Inventou dispositivos industriais. Dirigiu uma empresa.
Foi correspondente de guerra na Primeira Guerra Mundial.
E nunca, nunca deixou de escrever.
Mesmo quando diziam que não podia. Que não devia. Que não era seu lugar.
Mas Nellie Bly nunca pediu permissão.
E é por isso que hoje seu espírito vive:
— em cada mulher que escreve com a alma;
— em cada menina que ousa questionar;
— em cada mãe que ensina sua filha a não se calar;
— em cada mulher que viaja sozinha, que pensa alto, que enfrenta o mundo de cabeça erguida.
Porque há palavras que são mais afiadas do que espadas.
E há mulheres que, como Nellie, nascem para incendiar o mundo — com verdade, coragem e tinta.
Sigam o nosso Instagram: https://www.instagram.com/ sobreliteratura_/profilecard/? igsh=MXB2aTI3d2FqcHppNg==
Assinar:
Postagens (Atom)