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Para maior detalhamento ou, até mesmo, críticas ao texto, sugere-se a leitura do capítulo V do livro de Lenin, "O Estado e a Revolução", que desenvolve a questão de socialismo utópico/científico, comunismo e a questão da Ditadura do proletariado e sua necessidade. (Sugestão do Prof. Luis Nunes).
Seguem abaixo os comentários completos do prof. Luís Antônio Nunes, estudioso do tema:
História
Quando Karl Marx e Friedrich Engels começaram a escrever conjuntamente, no ano de
1843, Marx era a figura dominante. Engels era um melhor escritor,
e era ele quem
sustentava Marx financeiramente.
(primeiro ataque moral) Mas não explica que Marx era perseguido politicamente e não
conseguia emprego.
Marx passou toda a sua carreira se opondo àquilo que ele chamou de "socialismo
utópico". Ele nunca interagiu com nenhum grande economista ou teórico social. Você
pode procurar, mas jamais encontrará qualquer refutação sistemática feita por Marx a
Adam Smith, por exemplo.
De fato: mas fez avançar o pensamento econômico da sua época, apontando as
limitações analíticas de Adam e Ricardo, produziu criticas aos fisiocratas.
Marx gastou suas energias criticando verbalmente vários autores de esquerda, cujos
escritos praticamente não tiveram nenhuma influência sobre a Europa em geral.
Então, porque eram perseguidos politicamente, basicamente eliminados pela polícia?
Prisões, torturas, perseguições eram comuns aos socialistas e anarquistas. O socialismo
pregado na época baseava-se em elementos utópicos, critica moral às pessoas.
Dado que ele estava constantemente atacando autores socialistas, Marx criou uma
teoria própria sobre o comunismo. Ele chamou essa sua teoria sobre o comunismo de
"socialismo científico"
Socialismo e comunismo são coisas distintas; socialismo científico (teoria) era assim
denominado por partir das condições materiais do capitalismo, e do que se poderia
inferir de suas contradições
. Marx argumentou que, inerente ao desenvolvimento da história, há uma inevitável
série de etapas.
Ao analisar a História humana, encontrou marcações especificas presente a todo modo
de organização econômica, política e social. E que estas se relacionavam entre si, sendo
a econômica a determinante, não exclusiva da vida política, social... Evolução...
Isso significa que ele era um determinista econômico. Ele acreditava que o modo de
produção é fundamental em uma sociedade e que o socialismo seria historicamente
inevitável
Como forma de transição para uma sociedade organização da sociedade humana que a
emancipasse da exploração. A critica de Marx é sobre a impossibilidade do capitalismo
desenvolver as potencialidades humanas, do ponto de vista emocional e intelectual,
porque haveria uma inevitável transformação do modo de produção da sociedade.
Todos os aspectos culturais da sociedade, sua filosofia e sua literatura formariam,
segundo Marx, a superestrutura da sociedade. Já a subestrutura — ou seja, seus
fundamentos — seria o modo de produção.
Segundo Marx, sua análise econômica revelava uma inevitável linearidade dos vários
modos de produção. O comunismo primitivo levou ao feudalismo. O feudalismo levou
ao capitalismo. O capitalismo levará a uma bem-sucedida revolução do proletariado.
Ops! A revolução que instauraria a Ditadura do Proletariado é um ato consciente,
racional, não determinista, mas necessário para retirar da burguesia o papel de
detentora dos meios de produção.
O proletariado irá impor o socialismo. E, do socialismo, surgirá o comunismo.
Esse processo linear fecha o círculo.
Aqui se tem uma distorção: o circulo histórico não se fecha, as potencialidades humanas
estarão libertas, com o fim do Estado, que é um instrumento de dominação, restando
apenas a questão de governo na sociedade.
Tudo começou com o comunismo primitivo, e tudo levará ao comunismo
supremo. Com o comunismo supremo, toda a evolução histórica estará completa.
Só que Marx nunca explicou por que a evolução das etapas seria dessa maneira. Ele
nunca explicou por que não haveria outra revolução após a chegada do comunismo
supremo, a qual levaria a um modo de produção maior que o comunismo. Era mais
conveniente apenas finalizar esse processo linear no comunismo.
Explicou sim, é a base de todo o seu trabalho, de seus escritos, analisou todas as
escaramuças de sua época.
A União Soviética jamais alegou ter chegado ao estágio comunista do modo de
produção.
Ela sempre se disse socialista.
Isso é marketing político. Se diz que é uma coisa, quando na realidade...
O nome do país era União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os líderes supremos
da União Soviética jamais alegaram que a URSS havia alcançado a etapa final do modo
de produção. Stalin promoveu o conceito de socialismo em apenas um país. Ele diferia
de Trotsky nesse quesito. Trotsky queria uma revolução do proletariado em nível
global. Stalin era mais esperto. Ele queria o poder e, sendo assim, ele sabia que, antes
de tudo, teria de consolidar o poder em um país.
Logo, Trotsky teve de fugir do país, e Stalin enviou o agente Ramón Mercader, do
Comissariado do Povo para Assuntos Internos, para matá-lo na Cidade do México. O
agente matou Trotsky com um golpe de picareta em seu crânio. Foi um ato cheio de
simbolismo. A picareta havia sido um dos ícones da história da Rússia.
O socialismo é a propriedade estatal dos meios de produção. Mas Marx profetizou que
o estado desapareceria sob o comunismo. Pior: ele nunca explicou como ou por que isso
iria acontecer. Sua teoria era bizarra. Ele dizia que, para abolir o estado, era necessário
antes maximizá-lo.
Capitulo V do Estado e Revolução de Lenin
Daqui pra frente o Cap V dá conta...
A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como
entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não
haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a
mesma coisa, uma só entidade — e, assim, todos estariam livres do estado.
O raciocínio é totalmente sem sentido. Por essa lógica, se o estado dominar
completamente tudo o que pertence aos indivíduos, dominando inclusive seu corpo e
seus pensamentos, então os indivíduos estarão completamente livres, pois não mais
terão qualquer noção de liberdade — afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção
de liberdade que o fará se sentir livre.
Igualmente, Marx nunca mostrou como o sistema de produção poderia ser organizado
nessa etapa suprema do comunismo, na qual não haveria nem um livre mercado e nem
um planejamento centralizado pelo estado. Ele nunca forneceu qualquer detalhe sobre
como seria uma sociedade comunista, exceto em uma breve passagem que foi publicada
em um livro escrito conjuntamente com Engels e com o homem que os havia
apresentado em 1843, Moses Hess. O livro foi intitulado A Ideologia Alemã (1845). Só
foi publicado em 1932. Hess jamais ganhou créditos por sua co-autoria, mas parte do
manuscrito aparece em sua coletânea de escritos.
Eis a descrição do comunismo:
Assim que a distribuição do trabalho passa a existir, cada homem tem um círculo de
atividade determinado e exclusivo que lhe é imposto e do qual não pode sair; será caçador,
pescador, pastor ou um crítico, e terá de continuar a sê-lo se não quiser perder os meios
de subsistência
Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que
lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que
regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da
manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu
bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.
Esta fixação da atividade social, esta petrificação do nosso próprio trabalho num poder
objetivo que nos domina e escapa ao nosso controlo contrariando a nossa expectativa e
destruindo os nossos cálculos, é um dos fatores principais no desenvolvimento histórico até
aos nossos dias.
Não obstante o fato de que há aproximadamente 70 volumes das obras de Marx e Engels,
essa é a passagem mais longa que descreve o funcionamento de uma sociedade
comunista e de como seria a vida sob esse arranjo.
Conclusão
Socialismo foi o sistema que realmente foi colocado em prática. Comunismo pleno
nunca existiu e não passa de uma utopia cujo funcionamento jamais foi explicitado em
trechos maiores do que um parágrafo.
Sem uma economia monetária — ou seja, sem uma economia em que os cálculos de
lucros e prejuízos são possibilitados pelo dinheiro — é impossível haver uma ampla
divisão do trabalho.
E sem um livre mercado para todos os bens, mais especificamente para bens de capital,
é impossível haver um planejamento econômico racional.
A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a
existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há
propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre
eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços
legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse
cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que
significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.
Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como
direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos
consumidores da maneira menos dispendiosa possível.
Em contraste, a propriedade privada sobre o capital em conjunto com a liberdade de
trocas resulta na formação de preços (bem como salários e juros), os quais permitem
que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes. Ao mesmo tempo, o
julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças
nos desejos dos consumidores.
O arranjo socialista simplesmente impede que esse mecanismo ocorra. Foi por isso que
Mises argumentou, ainda em 1920, que qualquer passo rumo ao socialismo é um passo
rumo à irracionalidade econômica.
E foi a isso que Heilbroner se referiu quando ele disse que "Mises estava certo".