Pesquise neste site

02/07/2026

ESCRAVIDÃO E ESTUPRO

 CELIA, 19 ANOS, ENFORCADA POR TER SOBREVIVIDO.

14 anos. É a idade em que a inocência ainda deveria ser um refúgio. Para Celia, foi a idade em que começou o inferno.  
Reduzida à escravidão no Missouri, ela sofreu, dia após dia, o indizível. Uma violência repetida, gélida, um estupro institucionalizado que a lei da época se recusava a nomear.  

Em 1855, após anos de suplício, Celia fez o que qualquer ser humano, levado ao limite, faria: ela disse não. Ela reagiu para proteger o seu corpo, a sua alma, a sua dignidade. Ela matou o seu agressor.  
Mas para o sistema judicial da época, Celia não era uma mulher em legítima defesa. Ela era uma "propriedade". Um objeto que, ao se defender, havia cometido um crime contra a instituição da escravidão.

Aos 19 anos, a sentença caiu. A justiça dos homens a condenou à forca. Ela subiu ao cadafalso, sozinha, trazendo em si a vida de uma criança que nunca levaria nos braços, quebrada por um sistema que preferiu proteger as suas correntes em vez da vida de uma mulher.  

Por mais de um século, quis-se que o seu nome caísse no esquecimento, que a sua dor fosse abafada pelo silêncio dos livros de história.  
Mas hoje, não permitiremos mais esse silêncio.  

Celia merece sair da sombra. Ela merece que choremos a sua tragédia, mas, sobretudo, ela merece que honremos a sua resistência. Porque por trás de cada data e de cada facto histórico, há uma vida, um grito, um coração que parou de bater injustamente.  

Ao honrar as maiores feridas do nosso passado que iluminamos o caminho da justiça.

Marius Vido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...