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21/05/2014

POLÍTICA E EDUCAÇÃO: ANÁLISE DE UMA PERSPECTIVA PARTIDÁRIA

 
Resenha do livro: Política e educação: análise de uma perspectiva partidária. BORGES, Zacarias Pereira
 
O livro aborda e analisa doze anos do governo do PMDB, no Estado de São Paulo, e as diversas políticas e ações adotadas durante este período, com respeito à Educação.
 
O autor inicia a abordagem caracterizando um partido político: possui uma doutrina, um programa, uma ideologia, uma organização e uma atuação, o qual buscará a hegemonia, para o controle do governo.
 
Mediante uma melhor distribuição de renda e um nível educacional elevado, será possível alcançar uma participação política mais elevada da população.
 
A Educação apresenta-se então, como veículo propulsor da democracia, para que os alunos aprendam a fazer política.
 
No Brasil, durante o governo de Getúlio Vargas, considera-se que em certo grau, alcançou-se o welfare state, ou Estado-Previdência.
 
Porém, a intervenção militar, a partir de 1964, teve dois objetivos: conter o avanço das camadas populares no processo político-decisório e a ampliação das conquistas democráticas; arbitrar os conflitos de interesses entre as classes dominantes.
 
Na gestão de Montoro, no Estado de São Paulo, apresentou-se como programa de governo “descentralização e participação são os instrumentos desta nova Política Educacional”.
 
Porém a relação escola-comunidade mostrou-se inadequada, mediante cobranças, relação autoritária, subserviência à escola e ao sistema, por meio da equipe escolar.
 
A política da descentralização e participação procurava desobstruir os canais de participação da sociedade civil.
 
Diferentemente desta, a desconcentração reflete um movimento cujo sentido é de cima para baixo, ao tempo que a descentralização reflete um movimento de baixo para cima. Na desconcentração apenas ocorre a delegação de funções à mesma personalidade jurídica, num nível territorial menor.
 
A ideia básica do documento do programa do governo Montoro era: “a descentralização com participação levaria à democratização da educação, propiciando a recuperação da dignidade da escola pública”.
 
Porém, a participação exige forte e densa vida associativa, é método de governo.
 
No Estado democrático, exige-se o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a ampla maioria da população e para a redução das desigualdades sociais e a participação efetiva da população no processo de tomada de decisão.
 
Na análise das propostas curriculares, ainda durante o governo Montoro, o processo participativo deu-se em nível de “consulta facultativa” e na forma de “participação concedida”.
 
Conforme ressalta Bordenave: “ a participação, mesmo consentida, encerra em si mesma um potencial de crescimento da consciência crítica, da capacidade de tomar decisões e de adquirir poder”.
 
Saviani salienta sobre a Educação, durante a ditadura militar, que as decisões relativas à educação não competem aos educadores, estes devem apenas executar de modo eficiente essas decisões.

Sobre o envio direto de recursos às escolas, é considerado uma ação de desconcentração.

Como descentralização, considera-se a municipalização da merenda, a municipalização da pré-escola e a municipalização de reformas e construções de prédios escolares.

Conclui, então, que as gestões dos Secretários de Educação durante o governo Montoro foram não participativas.

Durante o governo de Orestes Quércia, os professores participaram na decisão do que comprar, com os recursos enviados às escolas, mediante a definição do Projeto Pedagógico.

A Supervisão das escolas particulares passou a ser feita pelos Supervisores de Ensino, medida considerada de desconcentração.

Implementou-se, por meio do PROMDEPAR, contratações de funcionários via APMs das escolas.

Na concepção de Bordenave, a participação ficou restrita à consulta facultativa.

Ocorreram seminários sobre: Grêmio Estudantil, APM, Conselho de Escola, dentre outros.

Na concepção de Bordenave, a participação dos delegados e diretores de escola deu-se apenas por delegação.

Outras ações: Centros de Estudos de Línguas - CEL, Centro de Formação de Magistério – CEFAM, ciclo-básico, Oficinas Pedagógicas, as Delegacias de Ensino foram transformadas em unidades de despesa (medida desconcentradora).

Desta forma, a comunidade foi apenas chamada a participação para colaborar, enquanto problemas substanciais eram resolvidos por Decretos, Resoluções, Portarias.

No governo Fleury, implantou-se a escola-padrão, proporcionando uma descentralização em nível de escola, mediante a autonomia e participação da comunidade escolar, no Projeto Pedagógico da Escola, autonomia na contratação de professores OFAs.

Contudo a hora foi da escola, não do professor, que viu seus salários diminuírem.
Implantou-se na avaliação de resultados e conforme salienta Bordenave, o magistério fez parte do projeto escola-padrão, sem dele tomar parte, caracterizando uma participação passiva, pois para haver uma participação ativa é necessário “fazer parte, tomar parte e ter parte”.

A descentralização somente se caracterizou como atribuição de tarefas à base, na forma de desconcentração, e a participação somente como consulta facultativa.

Os regimentos das escolas foram elaborados sem participação, não gerando qualquer grau de autonomia.

A participação deu-se ainda, com exigência de contrapartida, devido aos empréstimos do Banco Mundial.

19/05/2014

GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA PÚBLICA

 

Ao falar sobre gestão democrática, Paro (1997, p.10), põe “como horizonte a transformação do esquema de autoridade no interior da escola [...], o processo de transformação da autoridade deve constituir-se no próprio processo de conquista da escola pelas camadas populares”.

Na escola atual, existe um sistema hierárquico que coloca, pretensamente, o poder nas mãos do diretor, porém este, como preposto do Estado, em verdade, não tem poder e autonomia, além da precariedade das condições concretas em que se desenvolvem as atividades no interior da escola. Esta falta de autonomia do diretor caracteriza também a falta de autonomia da escola, visto que, conferir autonomia à escola consistiria em dar-lhe “poder e condições concretas para que ela alcance objetivos educacionais articulados com os interesses das camadas trabalhadoras”(PARO, 1997, p.11).

Dividindo-se a autoridade entre os vários setores da escola, conseguindo-se a participação de todos os setores da escola – educadores, alunos, funcionários, pais – “nas decisões sobre seus objetivos e seu funcionamento, haverá melhores condições para pressionar os escalões superiores a dotar a escola de autonomia e de recursos. A esse respeito, vejo no conselho de escola uma potencialidade a ser explorada”(PARO, 1997, p.12).

Segundo Paro (1997,p.17),

“a escola estatal só será verdadeiramente pública no momento em que a população escolarizável tiver acesso geral e indiferenciado a uma boa educação escolar”. Neste sentido, ganha importância a participação da comunidade na escola, com a “partilha do poder por parte daqueles que se supõe serem os mais diretamente interessados na qualidade do ensino”.

No entanto, entendo que a democratização da escola é processo e se faz na prática, visto que “a democracia não se concede, se realiza”(PARO, 1997, p.19).

É preciso que ocorra a transformação na prática das pessoas, enfrentando-se na prática escolar cotidiana as manifestações de autoritarismo, pois todos os que ali atuam têm interesses comuns, visto estarem “desprovidos das condições objetivas de produção da existência material e social e têm de vender sua força de trabalho ao Estado ou aos detentores dos meios de produção para terem acesso a tais condições”(PARO, 1997, p.20).

Inspirada na cooperação recíproca, a administração colegiada

deve ter como meta a constituição, na escola de um novo trabalhador coletivo, que, sem os constrangimentos da gerência capitalista e da parcelarização desumana do trabalho, seja uma decorrência do trabalho cooperativo de todos os envolvidos no processo escolar, guiados por uma ‘vontade coletiva’, em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola (PARO, 1997, p.160).

PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997. 119 p. (Série Educação em Ação)

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