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02/07/2026

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

 Um caso de intolerância religiosa se tornou um dos assuntos mais falados da semana.

Um cristonto soube que a filha estava tendo aulas sobre a cultura africana e surtou por causa de um desenho de orixá. Foi para a escola, afrontou a professora e tomou o desenho da criança. 
Piora, o XY fez a polícia militar comparecer à escola, mas ele tirou o corpo fora. 
A diretora viu um bando de macho armado chegando, questionou o que eles estavam fazendo ali, assim que soube quem mandou, relatou a conduta do pai cristonto. Afirmou que os trabalhos não são tirados da cabeça dela, falou a respeito da lei que obriga o ensino da história afro-brasileira e indígena nas escolas. 
O policial começou a latir, que a diretora foi arrogante e queria impor sua "ideologia" em sala de aula. Eles saíram com a cara arrastando no chão porque foram destruídos pela argumentação feroz da profissional. 
Meses depois, o pai cristonto foi indiciado por intolerância religiosa. Agora, o policial disse que não tomou partido do pai. Tá gravado ele usando da autoridade pra tentar intimidar mulheres trabalhadoras desarmadas e fazendo discurso da direita, usando termos como ideologia.
A igreja evangélica introduziu na mente do povo que a classe das professoras é inimiga da nação.
O país pagará um preço altíssimo por causa da propagação das idiotices da direita. Elas estão formando o futuro do povo. Faz pelo menos 15 anos que essa perseguição começou. A educação está sucateada, desmontada, se tornou um produto. Os investimentos do Estado são insuficientes, salários baixos, e ainda têm que enfrentar uma corja de mães e pais ordinários que não têm o que fazer, e vão pra porta da escola escandalizar e cometer crimes.
Deveria ser obrigatório ensinar autodefesa para essa classe para que elas estejam dignamente preparadas pra enfrentar esses bandidos. Pois quem faz ameaça contra professoras em frente a outras crianças, é bandido!
Se é pra falar de imposição de ideologia, essa conduta deve ser atribuída à igreja, que sempre se infiltra na política pra piorar a vida do povo.

O RACISMO E O PÓ DE ARROZ

 O PRIMEIRO REI DA SELEÇÃO BRASILEIRA: ELE ERA OBRIGADO A ALISAR O CABELO E USAR PÓ DE ARROZ NA PELE, ALÉM DE TER SIDO HUMILHADO PELO PRESIDENTE E AGREDIDO NA ARGENTINA!


Arthur Friedenreich nasceu em São Paulo, no dia 18 de julho de 1892. Seu pai, Oscar Friedenreich, era um engenheiro e imigrante alemão pertencente à classe média ascendente. Sua mãe, Mathilde, era uma mulher preta brasileira, lavadeira e filha de africanos escravizados. 

Essa mistura deu a ele uma condição ambígua em uma sociedade estruturalmente racista: Arthur herdou os olhos verdes e o sobrenome forte do pai, mas também a pele retinta e os cabelos crespos da mãe.

No início do século XX, o futebol no Brasil era um esporte estritamente amador, aristocrático e elitista. Trazido da Inglaterra por Charles Miller, era praticado apenas pela alta sociedade branca, e os negros e pobres eram expressamente proibidos de frequentar os clubes.

A "chave" para Friedenreich romper esse universo fechado foi a ascendência de seu pai. Graças à origem alemã de Oscar, o jovem Arthur, aos 17 anos, conseguiu ser aceito no Sport Club Germânia (atual Esporte Clube Pinheiros) em 1909.

Diferente dos jovens ricos que praticavam um jogo duro, formal e engessado, "Fried" — como era chamado — aprendeu a jogar bola nas várzeas e ruas de São Paulo. 

Como os jogadores brancos costumavam dar trancos violentos e cargas corporais nele por ser preto, Fried desenvolveu uma técnica de drible curto e desvios rápidos para proteger o próprio corpo. Sem saber, com aquela ginga de sobrevivência, ele estava inventando o "futebol-arte" e o clássico drible brasileiro.

Friedenreich rodou por vários clubes de destaque, incluindo o Mackenzie College, o Ypiranga, o Club Athletico Paulistano e o Palestra Itália (atual Palmeiras). Rapidamente, tornou-se uma máquina de fazer gols e o centro das atenções do esporte. 

Friedenreich esteve presente, inclusive, em um momento fundacional: o primeiro jogo da história da Seleção Brasileira, em 1914, contra o Exeter City da Inglaterra.

Contudo, o momento em que ele se transformou em um mito indiscutível aconteceu no Campeonato Sul-Americano de 1919 (atual Copa América), sediado no Rio de Janeiro. Na finalíssima contra o Uruguai, a partida estava empatada e extenuante. Na prorrogação, Fried marcou o gol do título, garantindo a primeira grande conquista do futebol nacional. 

Chocados com a garra, a valentia e a velocidade do brasileiro, os torcedores uruguaios o apelidou de "El Tigre". E após uma excursão brilhante com o Paulistano pela Europa, a imprensa francesa o coroou em definitivo como o "Rei do Futebol".

Apesar de ser o herói da pátria nas páginas dos jornais, Friedenreich nunca foi plenamente aceito pela elite que comandava o esporte. Por ser um homem preto em um ambiente que rejeitava a sua cor, ele viveu episódios humilhantes de racismo.

Nos primeiros anos da sua carreira, para poder entrar em campo sem chocar os diretores e torcedores aristocratas, Fried passava por um doloroso processo estético antes de cada partida. 

Ele aplicava pó de arroz no rosto para clarear a pele e gastava muito tempo alisando os cabelos crespos com produtos químicos, prendendo-os firmemente com uma faixa ou redinha. 

Muitas vezes, ele atrasava a entrada do time em campo porque o cabelo ainda não havia atingido o padrão "perfeito" exigido pela branquitude da época.

O ápice do racismo oficial ocorreu em 1921. Às vésperas do Campeonato Sul-Americano na Argentina, o então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, emitiu uma recomendação explícita à confederação de futebol: para preservar a "imagem diplomática" do Brasil no exterior, a seleção só deveria enviar jogadores brancos. 

Friedenreich, o melhor jogador do país, foi barrado e proibido de viajar por causa de sua cor. Sem o seu craque, o Brasil fracassou retumbantemente no torneio.

Em um jogo posterior na Argentina, em 1925, as tensões raciais transbordaram dentro de campo. Fried sofreu uma falta violentíssima, sendo chutado nas costas por um zagueiro argentino quando estava prestes a marcar um gol. 

Ao reclamar da agressão, torcedores locais invadiram o gramado disparando insultos racistas pesados contra ele e toda a delegação brasileira, em um cenário de hostilidade generalizada na imprensa e nas arquibancadas locais.

Uma das maiores frustrações na carreira de "El Tigre" foi nunca ter disputado uma Copa do Mundo. Em 1930, na histórica primeira edição do torneio, Friedenreich estava em plena atividade, mas um racha institucional entre as ligas do Rio de Janeiro e de São Paulo culminou em um boicote que impediu a convocação de atletas de clubes paulistas. 

Sem Friedenreich em campo para liderar o ataque, a Seleção Brasileira viajou incompleta para o Uruguai e acabou eliminada precocemente, deixando uma lacuna eterna na biografia do primeiro Rei do Futebol.

Friedenreich continuou jogando em alto nível até os 43 anos, se aposentando em 1935 vestindo a camisa do Flamengo. Após pendurar as chuteiras, trabalhou como funcionário de uma companhia de cerveja e viveu de forma modesta. Enfrentou a velhice sofrendo com o Mal de Parkinson e com lapsos de memória, vindo a falecer em 6 de setembro de 1969, aos 77 anos.

Existe uma célebre e histórica polêmica sobre as estatísticas de Fried. Algumas contabilidades da época afirmavam que ele teria marcado 1.329 gols ao longo da carreira, número que o colocaria acima de Pelé como o maior artilheiro de todos os tempos.

Embora registros modernos de historiadores apontem um número menor — por volta de 550 gols, devido à escassez de súmulas oficiais na era amadora —, o mito do "milésimo gol antes de Pelé" permanece vivo.

O verdadeiro legado de Arthur Friedenreich, contudo, não está nos números, mas no fato de ele ter aberto as portas do futebol para os pretos e os pobres no Brasil. Sem o pioneirismo, a resiliência e o sofrimento silencioso de "El Tigre", o Brasil jamais teria conhecido Leônidas da Silva, Garrincha ou Pelé.

O NARCISISMO E O PENSAMENTO MÁGICO

 “O pensamento mágico faz parte da infância, perfaz uma etapa normal de seu desenvolvimento, e reside na crença de que os próprios pensamentos e ações exercem influência sobre o mundo exterior, independentemente da relação entre causa e efeito. A criança cria suas próprias explicações para os fenômenos ao seu redor, para se proteger emocionalmente. Tal pensamento mágico, no entanto, deve diminuir gradualmente e, a partir dos sete anos de idade, o pensamento lógico se desenvolve".


      O que se percebe, no entanto, no atual desenvolvimento da sociedade, é uma grande massa embalada pelo pensamento mágico, totalmente destituída de lógica ou racionalidade. O que se pode concluir? Que a humanidade está tão temerosa e tão pouco preparada mentalmente para enfrentar a velocidade de um mundo em desenvolvimento, que passou a se refugiar em pensamentos que pensávamos já terem sido resolvidos e ultrapassados pela atual conjuntura social. Agora, percebemos que não estavam.

Numa sociedade que tornou a felicidade obrigatória, que exibe seus sorrisos e aventuras em fotos e vídeos editados, acessíveis a todos, eis que a humanidade se entregou totalmente ao pensamento mágico, dentro do qual navega, xinga, repete bordões, desmerece séculos de ciência, despreza o conhecimento, nega-se a raciocinar, ignora a história, refestela-se em ideações mágicas e soluções milagrosas sem qualquer respaldo lógico, apenas para sentir o ‘prazer de parecer’, pois que o ‘parecer’ se tornou superior ao ‘ser’.

Observe os heróis que a atual sociedade elege para governar e deliberar as leis que regerão sua vida: cantores, esportistas, comediantes, políticos vazios de projetos e cheios de discursos, milionários que nem imaginam o que é passar fome ou sentir qualquer necessidade, narcisistas que se acham acima da lógica e da sabedoria; mas, está tudo bem se eles prometerem o paraíso. Como farão esse paraíso chegar até a população? Ninguém sabe dizer, pois que o discurso, mesmo vazio, tornou-se mais importante do que a ação.

As entrevistas mostram pessoas aparvalhadas, ignorantes, narcisistas fantasiados sacudindo bandeiras e falando frases desconexas e sem lógica, embaladas pela idolatria, sob o pensamento mágico da primeira infância, estampando no rosto o sorriso vazio da alienação. Deixaram de pensar, de questionar, de ouvir com atenção, de pensar no futuro através de projetos reais, pois ‘repetir frases’ se tornou mais importante do que qualquer lei que lhes possa beneficiar. Mal sabem diferenciar o bem e o mal em uma sociedade; pedem para serem invadidas, para seus filhos serem mortos por líderes estrangeiros, para os filhos de seus vizinhos serem torturados, para serem pisadas pela ditadura, simplesmente porque não conseguem mais ‘alcançar’ o significado de ‘questionar’.

Ibsen, em sua obra ‘O Pato Selvagem’, questiona a importância da mentira vital ao homem comum, e defende que, se tirarmos a mentira vital ao homem comum, tiramos-lhe ao mesmo tempo a felicidade. A busca da felicidade tem encontrado seu elemento não na lógica ou realidade palpável, mas sim na mentira que alimenta o narcisismo e faz um homem comum e inculto ‘parecer’ conhecedor, ‘parecer’ um mestre do universo. Assim, para a grande maioria, a solução mágica, o simulacro, o ‘parecer’, o ‘faz de conta’, a vida após a morte, o sonho grandioso do salvador da Pátria, a palavra gritada aos quatro ventos, a bandeira enrolada no corpo, as citações da Bíblia, ‘os velhos tempos antigos’ são, todos eles, elementos que compõem a falange que redimirá todos os pecados e transformará a sociedade, num passe de mágica, no ‘Reino da Felicidade’. E não há lógica alguma que possa ressuscitar essas pessoas que estão socialmente mortas, pois que a felicidade elas já alcançaram. Mesmo que tal felicidade tenha a fragilidade da primeira infância e morra na primeira enxurrada do destino.” (Sônia Wendt Nabarro) #SoniaWendtNabarro

25/06/2026

INVERNO EM SALA DE AULA (NOVA ESCOLA)

 O que muda no inverno? Perguntas que rendem ótimas discussões em sala

Que tal explorar esses e outros temas com seus alunos por meio de perguntas e poesia?

🔗 Por que sentimos mais fome no inverno?

Quando as temperaturas caem, muita gente sente vontade de comer mais. Nesta matéria, especialistas explicam os fatores biológicos e culturais por trás desse comportamento. Uma ótima oportunidade para discutir hábitos alimentares, saúde e funcionamento do corpo humano.

🔗 Por que no inverno chove no Norte e o Sudeste fica seco?

Como as massas de ar e outros fenômenos climáticos influenciam o regime de chuvas do país? A matéria ajuda os estudantes a compreenderem melhor as diferenças climáticas entre as regiões brasileiras e ampliarem seu olhar sobre o território nacional.

🔗 Hora da Poesia: Patativa do Assaré e “A seca e o inverno”

Convide a turma a conhecer um dos maiores nomes da literatura de cordel. O poema retrata, com sensibilidade, os desafios da seca e a chegada das chuvas no sertão nordestino, aproximando os estudantes da cultura popular brasileira.


Esses conteúdos são apenas alguns exemplos de como o inverno pode inspirar aulas significativas e conectadas ao cotidiano dos alunos. E, se você quiser ir além, pode criar gratuitamente um Plano de Aula personalizado no WhatsApp da Nova Escola.

Montar plano de aula no WhatsApp

RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA ESCOLA - LEI 10.639/2003

 VOCÊ SABE O QUE É A LEI 10.639? E POR QUE ELA É TÃO IMPORTANTE? 📚✊🏿

 Muita gente já ouviu falar da Lei 10.639, mas poucos conhecem seu verdadeiro impacto na educação brasileira.

 Sancionada em 2003, a legislação tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do país. A proposta é valorizar a contribuição dos povos africanos e da população negra na formação do Brasil, abordando temas como a História da África, a luta dos negros no Brasil, a cultura afro-brasileira e sua influência na sociedade.  

 Além disso, a lei incluiu no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, data que homenageia a resistência e a trajetória do povo negro no Brasil.  

 Considerada um marco no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial, a Lei 10.639 surgiu após décadas de reivindicações do movimento negro e continua sendo apontada como uma ferramenta fundamental para a construção de uma educação mais inclusiva e representativa.  

 Mas, mais de 20 anos após sua criação, especialistas e educadores ainda discutem os desafios para sua aplicação efetiva em todas as escolas do país.  

 E você, na sua época de escola, aprendeu sobre a História da África e a contribuição dos povos africanos para a formação do Brasil?

A CRISE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

 POSIÇÕES POLITICAS PARA REFLEXÃO

A CRISE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL NÃO É CRISE; É PROJETO.

Essa diferença levanta uma questão importante: que tipo de cidadão a sociedade pretende formar para cada grupo social? Enquanto os mais ricos são preparados para liderar, inovar e tomar decisões, os mais pobres correm o risco de serem educados para cumprir ordens e aceitar posições subalternas. 

A história mostra que a educação nunca foi um campo neutro. Ela pode servir tanto para reproduzir as estruturas de poder quanto para promover cidadania, inclusão e transformação social. O grande desafio de uma democracia é garantir que todos os estudantes, independentemente de sua condição econômica, tenham acesso a uma educação de qualidade, capaz de desenvolver disciplina, pensamento crítico, criatividade, autonomia e participação cidadã. 

O argumento encontra respaldo em diferentes correntes da sociologia e da pedagogia:
• Pierre Bourdieu analisou como a escola pode reproduzir desigualdades sociais ao favorecer determinados capitais culturais. 
• Paulo Freire defendeu uma educação voltada para a emancipação e a formação de cidadãos críticos, capazes de compreender e transformar a realidade. 
• Maria Montessori propôs uma aprendizagem baseada na autonomia e no protagonismo da criança. 
• Jean Piaget demonstrou a importância da participação ativa do aluno na construção do conhecimento. 
• A pedagogia Waldorf enfatiza o desenvolvimento integral do estudante, articulando aspectos intelectuais, artísticos e sociais. 

QUE TIPO DE EDUCAÇÃO VOCÊ QUER PARA OS BRASILEIROS? 
A QUE TODOS TENHAM A MESMA EDUCAÇÃO OU QUE OS RICOS TENHA UMA EDUCAÇÃO DIFERENTE DOS POBRES.

BLOG LILODELARCO 
Desde maio de 2008

20/06/2026

SUPER TERREMOTO/FALHA DE SAN ANDREAS

 Uma equipe de geólogos afirma que um dos piores terremotos da história está prestes a acontecer - Brasil 247 - Tendencias.

DEMÊNCIA (DRAUZIO VARELLA/FSP)

 Drauzio Varella

De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências.Não estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude.
Joana foi presa por maus-tratos, tentando lidar com o quadro da mãe.
Sei que as aparências enganam, mas Joana não tinha cara de bandida.

No Brasil, a faixa etária que mais cresce é a dos que estão acima dos 65 anos. Em números arredondados: em 2010 eram 20 milhões, contingente que aumentou para 22 milhões, no Censo de 2022.
Os demógrafos definem o índice de envelhecimento dividindo o número de habitantes com mais de 65 anos pelo de crianças entre zero e 14 anos. Em 2010, o índice era de 30%, ou seja, 30 pessoas com mais de 65 anos para cada cem crianças. Em 2022, esse índice subiu para 55%.

Graças à redução da fecundidade e dos nascimentos, a pirâmide etária no Brasil começou a mudar de formato a partir dos anos 1990. A base foi se alargando com o passar dos anos, como aconteceu nos países mais ricos. A diferença é que neles as mudanças ocorreram em mais de 60 anos; aqui, em metade desse tempo.

O envelhecimento dos brasileiros é visível nas ruas e no ambiente familiar. Em meados do século 19, Machado de Assis descreveu "um velho gaiteiro de 50 anos", num de seus contos. Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dizemos que morreu moço.

O envelhecimento interfere com a organização da sociedade. A Previdência Social terá condições de pagar aposentadorias mensais até os 90 anos, enquanto o número dos que chegam ao mercado de trabalho não para de diminuir? As empresas continuarão a considerar velhos e demitir funcionários de 50 ou 60 anos?

Na área da saúde, as consequências poderão ser trágicas. Os brasileiros envelhecem mal: quando chegam aos 60 anos, mais da metade sofre de hipertensão arterial; o número de pessoas com diabetes deve andar perto dos 20 milhões; os índices de obesidade, com seu cortejo de complicações, aumentam a cada pesquisa do Vigitel —o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico.

Nessa faixa etária é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados.

Hoje, cerca de 80% dos atendimentos no SUS são de problemas crônicos que requerem controle pelo resto da vida. Doenças cardiovasculares e câncer são as principais causas de óbito. Criado no fim dos anos 1980, o sistema único não foi pensado para lidar com essa realidade.

Estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude? Claro que não. Se o Japão, a Suécia e a Finlândia não estão, nós, neste país continental com tantas diferenças regionais, baixo nível educacional e distribuição de renda imoral, é que estaríamos?

De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências, tragédia que cai nos ombros dos familiares, sem que o SUS esteja preparado para ajudá-los. Uma pessoa incapaz de se vestir, tomar banho, comer sozinha ou entender o que se passa ao redor exige cuidados dia e noite, geralmente a cargo de uma mulher da família, obrigada a interromper a carreira e a vida pessoal por anos consecutivos.

Joana foi a última paciente que atendi naquele dia, na Penitenciária Feminina de São Paulo. Veio, quando as demais já tinham voltado para as celas, acompanhada pela chefe de disciplina, procedimento de rotina no caso das prisioneiras recolhidas na ala do seguro, por correr risco de morte nas mãos das companheiras.

Ela vivia com a mãe, para lá de Guaianases, no extremo da zona leste. Como tantas outras, saía para o trabalho às 5h e só retornava às 20h.

O avanço do quadro demencial fazia com que a mãe se perdesse ao ir para a rua, situação que acrescentou mais uma tarefa à rotina da filha: procurá-la pela vizinhança.

Quase sempre a encontrava na casa de uma vizinha que a havia recolhido, mas, às vezes, eram horas perambulando por ruelas escuras ou sentada num banco da delegacia, aguardando a vez para prestar queixa.

Tendo que trabalhar para o sustento das duas, Joana comprou uma corda comprida. Antes de sair de casa, amarrava uma extremidade no pé da mesa e a outra na perna da mãe, que podia se movimentar até o quintalzinho, mas sem sair para a rua. Depois de preparar o jantar e o almoço do dia seguinte, Joana levava a mãe para andar a pé pelo quarteirão ou à igreja, nas noites de culto.

Um dia, um vizinho deu parte na delegacia. Joana foi presa por maus-tratos. Na cadeia, mulheres que maltratam mãe, pai ou criança não são aceitas no convívio com as demais, razão pela qual estava confinada na ala do seguro. Como lamentou resignada: "Vim parar na cadeia da cadeia".

folha de são paulo


FORMIGUEIROS COMUNISTAS (MARCO VIEIRA)

OS ÚNICOS COMUNISTAS 

É impressionante, mas ainda tem gente demonstrando medo do comunismo em pleno século 21. O grau de ignorância destas pessoas é tão grande, que elas não possuem noção do ridículo. Têm gente que adora xingar de “comunistas” as pessoas que pensam diferente delas. É claro que estas pessoas que fazem isso, não sabem absolutamente nada sobre comunismo. Ignoram completamente, e costumam confundir “socialismo” com “comunismo”, como se fossem a mesma coisa. Não confunda “cachalote” com “chocolate”. Já notaram que só quem fala em comunismo no mundo atualmente, é o pessoal da extrema-direita no Brasil? Ninguém mais fala sobre isso.

O comunismo nunca existiu na prática, o que sempre existiu foi o socialismo. O comunismo seria o sucedâneo do socialismo. Os países socialistas possuem o partido comunista, porque este era o objetivo. Mas um dia, estes países socialistas, perceberam que era impossível atingir o comunismo, e desistiram. Acabaram abrindo para o capital. Dos 59 países socialistas que haviam até a década de 80, só sobraram dois; Cuba e Coreia do Norte. Cadê o “perigo”? O mundo, no século 21, já está em outra, e algumas pessoas ainda estão presas no século 20. Abra sua cabeça, pegue um livro para ler.

Tanto no socialismo, como também seria no comunismo, não existe empresa privada, todas as empresas são do governo. Portanto, se um país tem empresa privada, tem milionários, então não pode ser socialista e nem comunista, é capitalista mesmo. Mas há uma outra particularidade, se o comunismo existisse na prática, não teria presidente, por uma razão muito óbvia, no comunismo não existe governo. Tudo seria decidido em assembleia. Se fosse implantado, funcionaria com autogestão. E eu pergunto; você conhece algum país no mundo sem governo? Nunca existiu.

Estas pessoas foram apavoradas quando crianças, e cresceram assim. Esqueceram que um dia o Muro de Berlim caiu, e todos aqueles países que eram socialistas, abriram para o capital. O mundo está noutra hoje. Estas pessoas que xingam as outras de comunistas, nunca pegaram um livro para ler sobre o assunto. Viraram fantoches nas mãos de espertalhões, e repetem xingamentos como se fossem robôs. Não usam o cérebro para raciocinar.

Se você quer encontrar comunistas, faça o seguinte; vá até um formigueiro, que lá você vai encontrar. Sabe por quê? A sociedade das formigas é o que mais se assemelha ao que um dia foi chamado de comunismo. Vejam o seguinte; as formigas não possuem um chefe (sem governo), elas trabalham por iniciativa própria. O trabalho delas é em beneficio de toda a comunidade, e ninguém tem mais que ninguém. 

Não existe formiga que passa fome, elas trabalham o verão inteiro para assegurar alimentação para o inverno. Você nunca vai ver uma formiga sem fazer nada (de vagabundagem), ela está sempre trabalhando pela família e pela comunidade. Todas são solidárias e todas se ajudam. E tudo isso, sem um líder mandando. Fazem por vontade própria. Portanto, se você gosta de xingar os outros de comunistas, faça o seguinte; xingue as formigas de comunistas, elas sim são comunistas. E não vão se importar nenhum pouco com sua raiva, seu ódio, e sua ignorância. Sabem por quê? Elas têm mais o que fazer.

Marco Vieira

 

ERIN BROCKOVICH

 Em 1991, Erin Brockovich era uma mãe solteira com três filhos, dois divórcios no currículo e contas que pareciam nunca parar de chegar. Sem diploma universitário e precisando desesperadamente de trabalho, aceitou uma vaga simples em um pequeno escritório de advocacia da Califórnia, o Masry & Vititoe.

Seu trabalho não tinha nada de glamouroso. Ela organizava arquivos, atendia telefonemas e fazia cópias de documentos.

Nada indicava que, poucos anos depois, seu nome ficaria conhecido em todo o mundo.

Tudo começou em 1993, quando um processo imobiliário chamou sua atenção. Enquanto organizava os documentos, Erin percebeu algo estranho: entre escrituras e papéis de propriedade havia prontuários médicos.

Aquilo não fazia sentido.

Por que registros de doenças estariam misturados a um caso de venda de imóveis?

Movida pela curiosidade, ela começou a examinar os documentos com mais cuidado. Logo percebeu que aquilo não era um caso isolado. Os mesmos problemas apareciam repetidamente, sempre ligados à pequena comunidade de Hinkley, no deserto da Califórnia.

Havia relatos de cânceres, tumores, abortos espontâneos e outras doenças graves surgindo em uma população pequena demais para que tudo parecesse mera coincidência.

Erin começou a telefonar para os moradores.

O que ouviu a deixou inquieta.

Famílias inteiras falavam de problemas de saúde semelhantes. Pessoas jovens adoeciam sem explicação aparente. Quanto mais histórias surgiam, mais difícil ficava ignorar o padrão.

Durante a investigação, ela encontrou correspondências enviadas pela Pacific Gas and Electric, a PG&E. Nas cartas, a empresa garantia que a água da região era segura e afirmava monitorar constantemente sua qualidade.

Mas alguns detalhes chamaram sua atenção.

Os documentos mencionavam a presença de cromo na água, tratando a substância como algo praticamente inofensivo.

Erin não era cientista, mas decidiu pesquisar por conta própria.

Na biblioteca, descobriu que existiam diferentes formas de cromo. O cromo trivalente, conhecido como cromo III, apresentava riscos muito menores. Já o cromo hexavalente, ou cromo VI, era uma substância tóxica associada a sérios problemas de saúde.

A descoberta mudou completamente o rumo da investigação.

Ao analisar documentos internos da empresa, Erin encontrou evidências de que a PG&E conhecia o problema havia anos.

Entre 1952 e 1966, a companhia utilizou cromo hexavalente em torres de resfriamento para evitar corrosão. A água contaminada era descartada em lagoas sem proteção adequada e, ao longo do tempo, os resíduos infiltraram-se no solo até atingir o lençol freático que abastecia Hinkley.

Centenas de moradores consumiram aquela água durante anos sem saber do risco que corriam.

A empresa possuía relatórios, estudos e alertas internos. Ainda assim, a população continuou sem conhecer toda a extensão do problema.

Determinada a descobrir a verdade, Erin foi até Hinkley.

Bateu de porta em porta.

Sentou-se à mesa das famílias.

Ouviu histórias de sofrimento que pareciam se repetir em cada casa.

Cânceres.

Tumores.

Abortos espontâneos.

Sangramentos frequentes.

Doenças que ninguém conseguia explicar.

A partir daí, ela começou a reunir moradores dispostos a enfrentar a companhia na Justiça. Mais de 600 pessoas aceitaram participar da ação.

A batalha foi desigual desde o início.

De um lado estava uma das maiores empresas da Califórnia, cercada por advogados, especialistas e recursos praticamente ilimitados.

Do outro, moradores comuns e uma funcionária sem formação jurídica formal, mas determinada a não abandonar a investigação.

A PG&E argumentou que os problemas de saúde poderiam ter diversas causas, desde fatores genéticos até hábitos de vida. Mas, à medida que o caso avançava, novas evidências continuavam surgindo.

Durante a arbitragem, decisões importantes favoreceram os moradores e aumentaram a pressão sobre a empresa.

Em 1996, a PG&E concordou em pagar 333 milhões de dólares para encerrar o processo.

Na época, era um dos maiores acordos já firmados em uma ação coletiva direta nos Estados Unidos.

Cerca de 650 pessoas receberam indenizações.

Pelo trabalho realizado, Erin Brockovich recebeu um bônus de 2,5 milhões de dólares do escritório de advocacia.

Anos depois, sua história ganhou projeção internacional com o filme Erin Brockovich, estrelado por Julia Roberts. A atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2001 e apresentou o caso a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Mas o impacto da investigação foi muito além de Hollywood.

A contaminação da água potável passou a receber maior atenção pública, o cromo hexavalente tornou-se alvo de novos estudos e o debate sobre responsabilidade ambiental ganhou força em todo o país.

Hinkley, porém, jamais voltou a ser a mesma.

Muitas famílias deixaram a cidade. Diversas propriedades foram compradas pela empresa. Os trabalhos de descontaminação continuaram por décadas e o monitoramento ambiental segue até hoje.

Tudo isso começou porque uma funcionária encarregada de organizar arquivos decidiu prestar atenção em algo que parecia estar fora do lugar.

Se valoriza a leitura e aprecia o conhecimento histórico, considere tornar-se um assinante da página.

Fontes:

•Erin Brockovich. Take It From Me: Life's a Struggle But You Can Win. McGraw-Hill, 2001.

•Anderson et al. v. Pacific Gas & Electric Co. — registros judiciais e documentos da arbitragem referente ao caso de Hinkley, Califórnia.

BOLSA FAMÍLIA

 O Peso Que Incomoda Apenas Quando Cai Sobre os Pobres

Estava aqui lendo algumas matérias e ouvindo discursos de determinados políticos de direita e comentaristas afirmando que o Brasil corre o risco de quebrar por causa dos programas de transferência de renda destinados à população mais pobre. E, sinceramente, uma pergunta não saiu da minha cabeça: por que a preocupação com os gastos públicos parece surgir apenas quando o dinheiro chega à base da pirâmide social?
O debate sobre responsabilidade fiscal é importante. Nenhum país pode ignorar suas contas. Mas o que chama atenção é a seletividade da indignação. Quando uma família humilde recebe um benefício para garantir comida na mesa, aluguel ou material escolar para os filhos, imediatamente surgem discursos alarmistas sobre o colapso econômico. Entretanto, raramente vemos a mesma intensidade de críticas direcionadas aos privilégios históricos existentes dentro do próprio Estado.
Pouco se fala sobre supersalários que ultrapassam o teto constitucional por meio de benefícios e verbas adicionais. Pouco se discute sobre determinadas pensões especiais herdadas de regras antigas, algumas delas pagas por décadas. Pouco se questionam os inúmeros auxílios concedidos a setores privilegiados da administração pública. Auxílio-moradia para quem possui imóvel, verbas indenizatórias generosas, benefícios diversos e estruturas custeadas pelo contribuinte frequentemente passam despercebidos no debate popular.
A impressão que fica é que o problema não está necessariamente no gasto público, mas em quem recebe esse gasto público.
Quando o dinheiro é destinado a quem já ocupa posições de poder, o discurso costuma ser técnico, jurídico ou institucional. Quando o dinheiro chega ao pobre, o debate rapidamente se transforma em uma questão moral, como se ajudar pessoas vulneráveis fosse um pecado econômico.
Isso não significa que programas sociais não devam ser fiscalizados. Devem. Assim como qualquer outra despesa pública. Transparência, eficiência e combate a fraudes são necessários em todas as áreas do orçamento. O mesmo critério que deve ser aplicado ao Bolsa Família precisa ser aplicado aos salários, às aposentadorias especiais, às pensões, aos auxílios e a qualquer privilégio financiado pelo contribuinte.
Uma democracia madura não escolhe quais gastos serão analisados com rigor com base na classe social de quem recebe. A verdadeira coerência exige que todo dinheiro público seja questionado da mesma forma.
O Brasil não será um país mais justo enquanto a régua da indignação mudar de tamanho conforme a renda do beneficiário. Se a preocupação é com o equilíbrio das contas públicas, então ela deve alcançar todos os gastos. Mas se a crítica aparece apenas quando o recurso chega aos mais pobres, talvez o debate não seja apenas sobre economia.
Talvez seja sobre quem a sociedade considera merecedor de ajuda e quem ela prefere proteger em silêncio.
E essa é uma discussão muito mais profunda do que números, planilhas ou estatísticas. É uma discussão sobre prioridades, justiça e coerência.
Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

SOUJI/CULTURA JAPONESA

 Em 14 de junho de 2026, algo especial aconteceu nas arquibancadas após o emocionante empate de 2 a 2 entre Japão e Holanda no Estádio de Dallas.

Mesmo após o término da partida, centenas de torcedores japoneses permaneceram em seus lugares.

Em vez de deixarem o estádio imediatamente, eles recolheram o lixo das cadeiras e do chão.

Muitos até usaram as mesmas sacolas plásticas azuis que usaram para apoiar seus times durante a partida para fazer a limpeza.

Esse comportamento de limpeza não é novidade para os torcedores japoneses.

Esse hábito vem de uma tradição cultural chamada "souji", que ensina as pessoas desde cedo a manterem seus arredores limpos.

Nas escolas japonesas, as crianças aprendem a limpar suas salas de aula e áreas comuns.

Isso faz com que cuidar de espaços públicos seja um reflexo natural .

Portanto, os torcedores japoneses frequentemente limpam os estádios após as partidas, independentemente de seu time vencer, perder ou empatar.

Eles acreditam que é importante demonstrar respeito pelos lugares que visitam e deixá-los limpos para os outros. Essa tradição também se reflete nos jogadores.

A seleção japonesa costuma deixar o vestiário limpo e organizado após cada jogo.

Eles também costumam deixar um bilhete de agradecimento e origamis de tsuru (garça) como sinal de respeito.

Este momento em Dallas se tornou ainda mais especial quando o jogador da NFL, Jameis Winston, se juntou aos torcedores japoneses para ajudar na limpeza das arquibancadas.

Winston apoiou os esforços de limpeza vestindo a camisa da seleção japonesa.

Essa bela tradição continua desde a primeira participação do Japão na Copa do Mundo, em 1998.

Ao longo dos anos, tornou-se um símbolo de respeito, disciplina e cortesia, admirado por torcedores de futebol em todo o mundo.

O PEQUENO PRÍNCIPE

 Antoine de Saint-Exupéry escreveu O Pequeno Príncipe como uma fábula puramente infantil nascida de sua imaginação literária e que o deserto do livro é apenas um cenário lúdico criado para encantar leitores.

Contudo, o biográfico do autor revela que a obra é o reflexo direto de uma experiência real e traumática em 1935. 

Trabalhando como piloto de jatos postais na rota entre Paris e Saigon, Saint-Exupéry e seu mecânico de bordo sofreram uma pane técnica e caíram em alta velocidade no meio do deserto da Líbia. 

Isolados no calor extremo, sem rádio e com suprimentos que duraram apenas um dia, a dupla passou a caminhar sem rumo entre as dunas, sofrendo de desidratação severa e alucinações visuais e auditivas provocadas pelo sol escaldante, operando sob a máxima desesperada que o piloto escreveu em suas memórias: No deserto, a solidão é um espelho que nos força a encarar nossa própria essência.

O que quase ninguém conta é que a figura do principezinho e os elementos mais marcantes da história nasceram diretamente dos delírios e das pessoas reais que marcaram a agonia do autor antes do resgate. 

Durante as alucinações nas noites frias do Saara, Saint-Exupéry começou a imaginar o diálogo com uma criança de cabelos dourados que questionava o sentido da vida adulta, enquanto a famosa raposa do livro foi inspirada em um feneco, a raposa do deserto, que ele havia tentado domesticar meses antes em suas bases de pouso. 

A rosa orgulhosa e cativante, por sua vez, era o retrato de sua esposa Consuelo, com quem mantinha uma relação intensa e cheia de espinhos na distância das viagens. 

O sofrimento dos dois homens durou quatro dias até que foram avistados e salvos por um beduíno montado em um camelo, transformando o trauma da queda em uma jornada poética de sobrevivência que moldou o coração de gerações inteiras ao redor do mundo.



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